Isabela Figueiredo à conversa na EOI de Compostela


Isabela Figueiredo nasceu no ano 63 numa terra que na altura era chamada de Lourenço Marques. Depois da independência de Moçambique, deixou Maputo e rumou a Portugal.

Foi jornalista, é professora de português e bloggista de Novo Mundo, portanto, já tem pontos para eu gostar dela.
Desenvolve workshops de escrita criativa e participa em seminários e conferências sobre as suas principais áreas de interesse: estratégias de poder, de exclusão/inclusão, colonialismo dos territórios, géneros, corpo, culturas e espécies.
Hoje estará na sala 5 da EOI de Compostela às 18h30 e poderemos meter conversa com ela sobre o seu último livro, A gorda, e outros.

Womex 2016…também lusófono

womex

Temos neste ano uma nova edição do Womex em Compostela e igual que aconteceu no ano 2014, há muitas bandas lusófonas que vão dar pano para mangas.

Para quem não souber, Womex é uma exposição de músicas do mundo. Uma vitrine que nos permite ver num palco montes de grupos que, de outra maneira, não teríamos possibilidade de ver nem ouvir. De 20 a 22 deste mês Compostela será um redemoinho de tendências musicais.

E aí…a nossa proposta. Como são tantas bandas, podem consultar datas e lugares no programa em PDF, a partir da página 13.

  • Reyfado Lisboa (Portugal). É um concerto evocativo daquilo que os fadistas, os autores e instrumentistas, criaram como o mais emblemático do Fado de Lisboa.
    Baseado em temas conhecidos de todos, antigos e recentes, através das vozes de artistas em ascensão no universo do fado, é um concerto- memória. Uma viagem pelo fado, que é também como quem diz por Lisboa, pelos bairros da Mouraria, de Alfama, da Madragoa.
  • Bixiga 70 (Brasil). A banda tem por nome o endereço do local onde esta formação nasceu em 2010. Rua da Bixiga, número 70. São Paulo.bixiga-70-divulgacao

Esta formação mistura elementos da música africana, afrobeat, brasileira, latina e do jazz.

  • Throes + The Shine (Angola/Portugal). Preparem-se para mexer o esqueleto, porque Throes + The Shine vão rolar a festa.

Oriundos do Porto e de Luanda, a sua génese prendeu-se com a fusão do kuduro com o rock, mas que entretanto alargou os seus horizontes de forma a albergar uma multitude de culturas que podem ir de África à Europa ou da América do Sul aos Estados Unidos. Depois de lançarem dois álbuns e palmilharem por essa Europa fora, está para sair um novo álbum no próximo mês de maio, que conta com a produção de Moullinex e irá contar com o selo da Discotecas.

  • José Mucavele (Moçambique). Ele é um dos maiores compositores e intérpretes de Moçambique. Músico e guerrilheiro unidos numa mesma alma, trabalha também como pesquisador etno-cultural.
  • Gisela João (Portugal). É a cereja no bolo dentro desta programação. A jovem cantora portuguesa tem impregnada na voz uma forte matriz fadista, daquelas que surgem sem avisar. De Barcelos à capital do fado e daí à Galiza.gisela
  • Narf & Timbila Muzimba (Galiza / Moçambique). E aí é que o nosso pequeno coração palpita. O Narf sempre sabe fazer boas misturas e esta não havia de ser má. Timbila Muzimba é uma orquestra musical de timbilas. Este grupo de músicos e bailarinos é composto por dez membros entre os quais podemos encontrar velhos conhecidos do Lusopatia como Cheny Gune.
  • Nomade Orquestra (Brasil). Formada no ABC paulista em 2012, pode-se dizer que a Nomade Orquestra é um ponto de encontro onde diferentes vertentes e expressões musicais interagem em um trabalho autoral instrumental vivaz e transita ente os universos do funk, jazz, dub, rock, afro beat, hip-hop, incorporando elementos da música eletrónica e quebrando as barreiras entre música tradicional e contemporânea.
  • Anelis Assumpção (Brasil). Uma das minhas cantoras de referência, amigas. Gosto muito dela. Cantora e compositora brasileiraeu estilo mescla influências de dub, reggae, afrobeat, rap, música de cabaré, samba e bossa nova. anelis.jpg
  • DJ Satelite (Angola /Portugal). Originário de Luanda, tem um talento natural. Começou a sua carreira por acaso e mais tarde terminou por ser um dos maiores impulsionadores do kuduro e do afrohouse fora das fronteiras de fala portuguesa.

Conseguem ter os pés parados no chão?

O lugar da mulher em Moçambique

image-1 Cochol Gomane é um nome que já apareceu duas vezes no Lusopatia. A primeira vez foi na Semana Galega de Filosofia. Agora temos uma segunda e esperamos que não seja a última vez dele neste blogue.

Gostamos dele. Gostamos porque descentraliza o universo lusófono: é moçambicano; gostamos porque no Lusopatia nem tudo é fado: ele é filósofo e gostamos porque trata temas de género.

Oxalá tivesse que escrever notícias sobre eventos deste género mais vezes. Bem haja para a relação Cochol Gomane/Galiza!

Nesta segunda, dia 27 de abril, pelas 18h, dará uma palestra na Sala de Atos da EOI de Lugo para falar sobre a questão do género e o lugar da mulher em Moçambique. Quem me dera andar por Lugo!

Khanimambo, Cochol Gomane.

Filosofia e revolução

cartel_xxxiEntre os dias 21 e 25 de abril haverá em Ponte Vedra um ciclo de palestras viradas ao tema filosófico. É a Semana Galega de Filosofia.

Entre os nossos leitores e leitoras esta notícia é já um lugar comum, pois cada ano o evento aposta em pessoas do mundo lusófono. O título deste ano vem mesmo a calhar com as datas, 25 de abril é revolução!

A inscrição está aberta até o dia 18 de abril. Ainda vão a tempo de frequentar interessantes palestras na nossa língua. Nem tudo vai ser samba e lançamentos de livros. Se estiverem interessados, confiram aqui.

A aposta lusófona é Otelo Saraiva e Aurélio Fabião Ginja. O primeiro dos palestrantes de que vos falo, é um militar revolucionário que participou no 25 de abril. Um vulto na história de Portugal, pois participou na revolução sendo um grande estratega e chegou a estar preso em Caxias durante anos. Otelo Saraiva falará da “Revolução vivida”, imagino que a palestra terá muito de autobiográfico.

Aurélio Fabião Ginja é um antropólogo moçambicano que também falará de revolução mas num contexto diferente, longe do eurocentrismo a que estamos habituados. A palestra dele, intitulada “A Revolução Moçambicana e as visões filosóficas hegemónicas” aproximar-nos-á de realidades desconhecidas ou, infelizmente, frequentemente, estereotipadas.

Podem consultar o programa nesta ligação.

Querem ter umas noções básicas antes de irem ao congresso? vejam o Otelo Saraiva no conhecido programa da tv “5 para a meia noite”.

 

 

 

Play-doc: documentários em português em Tui

homePlay-doc é um festival de cinema atípico, com estilo próprio, que cria um ambiente íntimo. Há dez anos que em Tui fazem um evento dedicado ao cinema de não-ficção: os documentários.

Não faz falta que para fazer grandes coisas, estas sejam feitas em lugares grandes. Eis o exemplo, Tui, um município fronteiriço que organiza um festival que foi destacado em Nova Iorke como um dos dez melhores do mundo especializados no género.

Como este ano estão de aniversário, criaram um novo espaço: o LAP. Um laboratório de apontamentos fílmicos, um lugar para poder trocar ideias, fazer rascunhos de roteiros e dedicar tempo à reflexão sobre as artes, maravilhoso, não é?

De 2 de abril a 6, podem ver os documentários propostos pelo festival. O Lusopatia aconselha a secção de cinema português.

-Alvorada vermelha: um documentário sobre o Mercado Vermelho de Macau. As tonalidades vermelhas do sangue, da carne, dos baldes e até dos olhos dos peixes, transportam o espectador para um universo estranho e assustador mas, ao mesmo tempo, belo e intrigante. Dado o valor estratégico que Macau tem na atualidade, acho que a obra pode ser muito interessante.

-É na Terra não é na Lua: a ilha do Corvo, no arquipélago dos Açores é o objeto do documentário, que pode ser entendido como um caderno de bitácora. 440 habitantes, uma cratera e uma natureza selvagem.

-Terra de ninguém: bombástico! reparem na pequena sinopse que vou dar. O doc conta a história de um mercenário de um comando de elite na guerra colonial de Moçambique e depois de Angola, que depois do 25 de abril trabalhou como segurança em Portugal e mais tarde como assassino a soldo da CIA e dos GAL.

E para dar continuação a uma máxima do jornalismo, já explicamos o Que, já informamos do Como e do Onde, apenas resta o Quando. Consultem os horários nesta ligação.

Moçambique em Compostela

Esta semana chega um pedaço de Moçambique a Compostela. Gosto imenso de dar estas notícias, porque adoro dar uma imagem ampla, descentralizada e multicultural das coisas. Aliás, tenho um fraquinho por este país, que por voz da minha irmã parece que conheço um bocado: licor de amarula, machibombos, ventoinhas e músicas que podem durar oito minutos.

Gervásio Chambo e Félix Tembe, membros da associação Bantu Mosambiki, estarão na EOI de Compostela e na Gentalha do Pichel. Irão falar da situação cultural de Moçambique e das línguas bantas que lá são faladas. Em Moçambique foram identificadas diversas línguas nacionais, todas da grande família de línguas bantu, sendo as principais (de sul para norte): XiTsonga, XiChope, BiTonga, XiSena, XiShona, ciNyungwe, eChuwabo, eMacua, eKoti, eLomwe, ciNyanja, ciYao, XiMaconde e kiMwani.

O Departamento de Português da EOI organiza nesta semana duas palestras em horários diferentes, para facilitar a nossa presença:

15 de novembro (5ª-feira) 20h na Sala de Atos
16 de novembro (6ª-feira) 9:45h na Sala de Atos

Por sua vez, na Gentalha do Pichel, na sexta-feira, pelas 20h30, haverá uma palestra, um concerto de Narf (que tocará músias em línguas de Moçambique) e ainda culinária típica. É só curtir!

Só resta dizer “kanimambo” à Gentalha e Departamento de Português da EOI