O baile dos candeeiros em Ribadávia

20090707-231740aO baile dos candeeiros do Coletivo Radar 360º virá a ser encenado no dia 24 do corrente mês em Ribadávia. Esta peça portuguesa faz parte do programa da MIT Ribadávia.

Os ajuntamentos de pessoas são vistos hoje como uma ameaça para muitas pessoas da classe política. As coisas cada vez viram mais pretas e as liberdades individuais correm muitos riscos. É bom vermos esta peça porque nesta “desconfiança” radica o quid desta obra.

Em finais dos anos 60, fazia-se na Foz do Douro, no Porto, o baile dos cinco candeeiros. Esse encontro, que serve de inspiração para esta produção da Radar 360º, era um espaço de liberdade numa época em que os ajuntamentos populares eram encarados com desconfiança, mas era também um momento de dor, pois aí se faziam as despedidas dos soldados que iam lutar para a guerra colonial.

O diretor António Oliveira apanhou esta ideia e criou um espetáculo de rua que mistura música, dança clássica, contemporânea e teatro e assim faz do espaço público um lugar de celebração e de crítica contra o individualismo.

Em definitivo, vamos ver o quê? cinco candeeiros vintage a dançar espalhados por pontos estratégicos. Aos poucos, vamos estar mais envolvidos com esta dança e esse vai ser o nosso momento de libertação.

01h, na Praça Maior de Ribadávia.

Shakespeare com nh em Ribadávia

índiceComo cada ano, Lusopatia está de olho na programação do festival nacional de teatro mais bem sucedido: o MIT de Ribadávia. Pai do teatro galego moderno, o MIT tem sido abrigo de companhias lusófonas e já demos conta disso em post anteriores.

Neste ano, a presença lusófona é bem mais modesta, mas mesmo assim temos programação para anunciar. Há duas peças que todo lusópata deve ver: A Tempestade de William Shakespeare e A 20 de novembro. A primeira delas nem sequer precisa de apresentação ou argumentos, é um clássico, apostem nele. William Shakespeare sempre faz de nós pessoas melhores. Acrescentem uma experiência destas às suas vidas.

A obra vai ser levada a palco pelas companhias Teatro Bruto e Mafalda o sábado 19 de julho às 23h no Auditório do Castelo.

A 20 DE NOVEMBRO de Lars Noren_Joao Pedro Mamede_foto de Jorge GonçalvesPara verem A 20 de novembro têm mais hipóteses de dias. Domingo 20 e segunda 21, Artistas Unidos encenam às 21h na igreja da Madalena a peça de Lars Norén.

Eu batizaria a peça (a olho nu) como um Bowling for Columbine teatral: a 20 de novembro de 2006, Sebastian Bosse atirou sobre alunos e professores do seu antigo liceu antes de se suicidar.
A partir do seu diário íntimo publicado na Net, Lars Norén escreve um texto intenso, frio e clínico. Sozinho no palco, o ator expõe os mecanismos de humilhação que levaram o adolescente à vingança e ao suicídio e interroga a nossa responsabilidade.

Teatro num carrossel

Julieta Aurora Santos coloca o Teatro do Mar num verdadeiro carrossel que usa como metáfora para aquilo que considera ser o “carrossel da vida”. Sim, um carrossel é o cenário do espetáculo. Quem tiver a oportunidade de ir a Ribadávia, à MIT, poderá acompanhar esta peça a altas horas da noite no dia 24.  Só posso dar os parabéns aos e às organizadores/as da mostra, por trazer tanta maravilha.

Os atores começarão a encenar de madrugada, pela 1h, mas bem vale a pena esperar e ver. Máscaras, movimento, música, teatro…e carrossel, uma das coisas que mais tem definido a minha infância.

Os atores desta companhia itinerante de Sines fazem nesta peça uma viagem de carrossel pelo carrossel da vida onde exploram possibilidades em contra-corrente com o quotidiano como a de nos vermos de fora, a de mergulhar em nós próprios em toda a profundidade ou apenas diminuir drasticamente a velocidade dos dias.

O título da peça, AGNOIA,  vem do grego: ignorância, mas também tem uma versão portuguesa: estado do doente que não conhece nada do que o cerca. Agnoia é um espetáculo não verbal, com uma narrativa de carácter poético, físico e visual. Deixa antever o caminho para a reflexão que a companhia diz ser sobre “a natureza humana, numa permanente rotação onde o tempo – invenção humana – condiciona as ações e controla o pensamento”.

A peça coloca várias questões: e se houvesse a possibilidade de experimentar outros caminhos e, reduzíssemos a velocidade vertiginosa dos dias de modo a aproveitar mais cada instante? E se houver uma contra corrente que mude o ciclo sistemático e cego do nosso atual sistema de vida? Será que um de nós pode inspirar a mudança?

Deixo-vos uma amostra: