Tribalistas em Compostela

Tríade, trinômio, trindade, trímero, triângulo, trio. Trinca, três, terno, triplo, tríplice, tripé, tribo. Os tribalistas já não querem ter razão…ou sim? O Multiusos do Sar continua a ser a casa dos grandes concertos (sem ser ao ar livre) em Compostela. No próximo dia 26 do corrente mês poderemos ver o show dos brasileiros Tribalistas. Sim, eles voltam. A banda é dessas de circunstâncias, a união de três amigos cada um com carreiras musicais diferentes e assentes. Falamos do Carlinhos Brown, Marisa Monte e Arnaldo Antunes. Não. Não podemos então acusar o trio de “one hit wonder”. Se bem é certo que todos e todas os conhecemos pelo Já sei namorar, temos também de reconhecer o enorme impacto que a canção teve na Galiza, porque foi dessas músicas como A lambada, Maria Caipirinha ou o Ai se eu te pego. Admitamos que abriu um caminho de entrada para muitas pessoas galegas sentirem curiosidade pelo mundo lusófono.
Começo então a falar de cada um dos membros. Carlinhos Brown é um cantor, percussionista, compositor, arranjador, produtor, artista plástico, agitador cultural e praticante de candomblé. É muito conhecido por músicas como A Namorada, Maria Caipirinha ou Carlito Marrón, onde faz quase uma defesa musical do portunhol. Marisa Monte é uma cantora, compositora, instrumentista e produtora. Eu conheci-a por causa de um anúncio televisivo do El Corte Inglés, onde soava a música Amor I Love You daquele disco intitulado Memórias, Crônicas e Declarações de Amor.  Era o meu primeiro ano em filologia e a primeira vez que eu tinha formação na variante brasileira da língua, admito que muita vontade de aprender.  Penso que foi o primeiro cd em língua portuguesa que eu comprei com o meu dinheiro e lembrem que os discos custavam um balúrdio! Arnaldo Antunes é um músico, poeta, compositor, DJ, ex-VJ e artista visual. Foi integrante dos Titãs, uma banda de punk rock e grunge que eu adorava. Começou também o curso de Linguística e, sei lá, chamem-me lamechas, sempre tive um fraquinho por ele pela própria história bizarra da banda e pelo facto de estudar língua. Ainda há bilhetes à venda. E este é um dos poucos concertos que os Tribalistas vão dar na tour europeia…despachem-se!

A minha playlist para receber o verão

Na semana passada pensava que o verão não ia chegar mais e qual índigena pataxó decidi invocá-lo com música. Acho que funcionou, porque levo quase sete dias de sandálias.

Hoje começa oficialmente a estação mais quente no nosso hemisfério e criei uma lista de músicas para lhe dar as boas-vindas. São canções que eu associo, sem dúvida nenhuma, às férias e à praia. Dez músicas de estilos muito diferentes e um toque piroso, porque isso nunca deve faltar numa lista de música estival. Podem ouvi-las à solta (se carregarem em cada círculo de cor) ou por junto (se carregarem no centro da vitrola).

Eis os meus motivos…

1. Tom Jobim: Garota de Ipanema. Realmente existe alguém que não conheça esta música? se existir, essa pessoa não presta. Um canto à beleza e à saudade que ambienta sempre uma zona chill out.

2. A fúria do açúcar: Eu gosto é do verão. Descobri esta canção quando estava à procura de músicas que tivessem estruturas de ênfase: “eu gosto é”. Viciou-me o humor e o ridículo da letra. Acho que hoje é ainda de conteúdo muito atual, se pensarmos no fenómeno Instagram.

3. Peste e Sida: Sol da Caparica. Fugir de Lisboa e ir à praia da Caparica. Traz-me recordações de tempos melhores.

4. Deolinda: Corzinha de verão. Tirar férias com o infortúnio de termos só dias de chuva. Não ligar bronze nunca. Enfim, pequenos dramas das viagens.

5. Natércia Barreto: Óculos de sol. A protagonista da letra diz que usa óculos de sol…para o sol, mas tem um triste segredo. Uma melodia vintage e doce.

6. Natiruts: Um céu, um sol e um mar. Um bocado de reggae é sempre relaxante. O paraíso é um lugar na praia.

7. José Malhoa: Baile de verão. O pimba é o meu guilty pleasure e o José Malhoa é um rei. A canção conta o princípio de um namorico num arraial. Cada domingo, durante anos, foi top na feira padronesa.

8. Skank: Vamos fugir. Mandar tudo às urtigas e ir a um lugar paradisíaco, quem não quer?

9. Gabriel o Pensador: Solitário surfista. O clássico de Jorge Ben Jor foi versionado pelo rapper e também surfista Gabriel o Pensador. Gosto muito dessa sensação de liberdade do surf, quanta paz me dá esta música.

10. Marisa Monte: Lenda das sereias. Imaginem só ser uma sereia e ter todos os mares para viver? Esta é uma canção dedicada à orixá Yemanjá.

Vai ou Vá?

vaiOs verbos IR e VIR são desses que não são muito fáceis de assimilar. Só com a prática e com o tempo é que chegamos a conjugar bem porque são muito irregulares.

Hoje vou falar-vos do verbo IR no Presente de Indicativo e Conjuntivo.

Cada vez que explico o verbo IR no Presente de Indicativo, parece não haver dúvidas. É só memorizarmos dois pormenores ortográficos e parece que chega. A dificuldade vem quando aprendemos o Conjuntivo. Aí parece que não há suficiente espaço no nosso disco rígido para os dois e chegam as confusões.

Vou colocar os dois paradigmas:

PRESENTE DO INDICATIVO
EU VOU
TU VAIS
ELE/A VAI
NÓS VAMOS
VOCÊS, ELES/AS VÃO

 

PRESENTE DO CONJUNTIVO

EU VÁ
TU VÁS
ELE/A VÁ
NÓS VAMOS
VOCÊS, ELES/AS VÃO

 

O Indicativo e Conjuntivo são quase idênticos para este verbo e temos que aprender que estruturas vão pedir cada forma.

  • O modo indicativo é o modo da realidade, apresenta a ação verbal como um facto, no plano da certeza e da verdade.

Eu vou a pé todos os dias ao trabalho, mas ela vai de carro.

  • O modo conjuntivo é o modo semanticamente oposto ao indicativo. É o modo da irrealidade, do não realizado, da incerteza, da possibilidade, da dúvida, da suposição, da condição, do desejo. Que conetores vão pedir este modo obrigatoriamente?
    • Há quem…: há quem vá ao estrangeiro para aprender inglês, mas eu prefiro aprender cá.
    • Embora/Ainda que/Se bem que: embora vá à piscina, ainda não sabe nadar.
    • Talvez: talvez eu vá amanhã à festa.
    • Oxalá: oxalá eu vá de férias ao Brasil.
    • Caso: caso ele vá a Roma, não ficará na casa do Paolo.
    • Para que: para que ela vá à universidade, temos sacrificado muitas coisas.
    • Desde que: o chefe faz qualquer coisa, desde que o António vá fazer o curso de vitivinicultura.
    • Mesmo que: mesmo que você  vá ao ginásio todos os dias, tem de cuidar também a dieta.
    • Por mais que: por mais que ela vá a aulas de alemão, não consegue comunicar bem.
    • O que quer que/Onde quer que/Quem quer que: onde quer que você vá, sempre encontra problemas.

E agora…não vão embora. Fiquem!

 

As horas

Com a recente mudança horária, esta semana lembrei-me do livro Momo. Não sei se tiveram a grande fortuna de lê-lo, se não o conhecem, leiam.
Momo é um romance do escritor alemão Michael Ende. Fala do conceito do tempo e de como é usado pelos humanos nas sociedades modernas.
A protagonista, que dá título ao livro, é uma miúda órfã com uma capacidade incrível para ouvir problemas. Ela luta contra os homens cinzentos, uns seres esquisitos que trabalham no Banco do Tempo e espalham entre a sociedade a moda de o poupar. Nesta história, o tempo é dinheiro, pode ser economizado e devolvido depois com juros. A miúda Momo vai ser um empecilho no intuito dos homens cinzentos por dominarem a sociedade. E vocês? conseguem poupar tempo?

Na vida existe o perigo de sermos seduzidos pelos ponteiros de um relógio, estarmos sempre de olho nele. A nossa sociedade está irremediavelmente sujeita a horários e prazos. Será necessário hoje aprendermos as horas para nunca chegarmos atrasados.

Não ficou claro o suficiente? esperem cinco minutos…e voltem a ver. Ai! quanto valem cinco minutos na vida!

Falso amigo: borrar

Continuamos com o nosso labor informativo com os falsos amigos.
Tomem especial cuidado com este de hoje, porque pode criar situações verdadeiramente estapafúrdias ou mesmo reles.

Este verbo, ficam desde agora a saber, não tem nada a ver com cancelar uma coisa que se escreve com lápis. Qual nada!

Borrar é deitar sujeira ou defecar.
Para designar a ação de limpar qualquer escrito devemos usar o verbo apagar. O objeto para fazer esta ação é…um outro falso amigo que explicaremos muito em breve.

Reparem na letra desta música cantada por Marisa Monte.

“apagaram tudo…”
http://www.letras.com.br/marisa-monte/gentileza