Eu podo

Não sei se vocês gostam de jardinagem. Eu reconheço-me mão verde mas só com as suculentas e catos, que são um tipo de plantas para pessoas preguiçosas ou desajeitadas. Na Galiza com a humidade ambiental quase nem falta faz regar. Já conheço pessoas que estiveram um ano enganadas a dar água a plantas de plástico.

Enfim, noutro patamar bem diferente estão as roseiras. Eu nunca tive, mas pelos vistos são difíceis de podar, porque há montes de artigos na net sobre a sua poda. Coloco-vos este exemplo aqui de Compo.

E agora estarão a dizer…”mas qual é o objetivo deste artigo, não percebo!”. Fácil: chamar a atenção sobre o facto de que PODO é a primeira pessoa de singular do Indicativo do verbo PODAR e não do PODER. Eu podo, tu podas, ele/ela poda… Esta é a típica forma verbal que, se passarmos um corretor ao texto, o corretor não deteta, porque realmente é uma palavra existente no português e, no sentido estrito, estamos a ortografar bem.

Vou aproveitar e lembrar a conjugação do verbo PODER para o Presente do Indicativo, que por ser um verbo irregular sempre parece um osso duro de roer:

E com isto, já de passagem, falo de outro desvio: ele ou ela posse*.

A palavra Posse em português não é um verbo. É um substantivo que refere o estado de quem possui uma coisa, de quem a detém como sua ou tem o gozo dela. Normalmente é usado em registo culto ou é própria de expressões técnicas.

Por exemplo:

-aparece muito em linguagem jurídica posse de armas, posse de drogas

-em linguagem técnica desportiva: estar em posse da bola

-outras expressões: estar em posse da razão, tomada de posse (de um cargo)…

Capicua e Pedro Giraldes em Compostela

Eu sabia que depois de terem ouvido Capicua no Aritmar 2016 os/as programadores/as culturais não iam demorar em contar com ela mais vezes.

Neste domingo dia 26, às 18h, a minha ídolo e Pedro Giraldes, guitarrista dos Linda Martini, chegarão a Compostela ao Centro Sociocultural de Santa Marta.

Compostela Miúda é um espaço que programa atividades para famílias e no marco da sua programação de concertos, estes músicos subirão a palco para encenarem as músicas do seu último trabalho conjunto: Mão Verde.

Não sei se sabiam, mas “Mão Verde” é aquilo que dizemos quando alguém é talentoso/a com a jardinagem. E nesta dupla talento é que não falta!

A Ana e o Pedro construiram um cd cheio de amor às plantas, à quinta, à ecologia e também às crianças. Este é, sim, um livro-cd para crianças que visa espalhar uma certa consciência ambientalista entre os mais novinhos. Mas (advirto) não se trata de um desses cd’s lamechas. Não, não é um Avô Cantigas nem uma Florbella a cantar. Em palavras dos autores: “é para crianças, mas não é infantil”.

Miúdos e graúdos podem gostar das músicas e desfrutá-las juntos, folheando cada página do livro, porque cá cada página é muito valiosa: ilustrações de Maria Herreros e pequenas notas do agricultor Luís Alves, para dar a conhecer os bichos e as plantas cantados, ao mesmo tempo que são explicados os significados de termos mais complicados como compostagem ou o aquecimento global. O ano passado comprei-o no concerto e eu, que já estou na casa dos -intas, ouço-o e olho para ele como um tesouro. A edição, os desenhos, as letras, os arranjos musicais…tudo está feito com o máximo cuidado.

 

Bora’! rap ecológico para todas as idades!