Oxalá

Antes de ontem algumas das minhas melhores amigas participaram no concurso público para serem professoras de Português no ensino secundário. As vagas são poucas, apenas quatro, mas não me ocorrem pessoas mais preparadas ou que mereçam mais.

Contudo, nisto dos concursos existe uma dose de sorte bastante grande. Passei o dia a colocar Oxalás na minha cabeça, como se fosse eu a concursar. Estou a fazer figas! Mando um grande abraço e muita força para elas!

Afinal o que eu tenho é um desejo de que algo aconteça e interjeição Oxalá é usada para exprimir isto mesmo. Para sabermos a origem desta palavra temos que ir às raízes árabes, à expressão “‘in sha’ Allah“, cujo significado é “se Deus quiser”.

O Oxalá, como é uma interjeição, pode funcionar como uma resposta em si mesma.

-Achas que afinal vamos passar no teste?

Oxalá!!

Quando na nossa língua o Oxalá vai acompanhado de um verbo, este tem que estar conjugado e estar no modo Conjuntivo. Temos assim dois esquemas possíveis: uma hipótese mais provável e outra menos provável.

Vou dar uns exemplos para isto ficar mais claro:

Oxalá a Pabllo Vittar cante “Problema seu” (cá estou a considerar que existem muitas probabilidades de isto se concretizar)

Oxalá a Pabllo Vittar cantasse “Problema seu” (cá estou a pensar que não há muita hipótese)

Não podemos fazer é combinar o Oxalá com Infinitivo: Oxalá ter um carro novo*. Neste caso teríamos que dizer: Oxalá tenha/tivesse um carro novo.

Podemos ver muitas destas construções nesta música dos Madredeus.

Embora a palavra Oxalá seja muito conhecida na lusofonia, no Brasil a forma preferida é Tomara, Tomara que sim ou Tomara que não. E olhem que canção tão icónica temos por cá…

Por vezes, duas palavras com duas origens diferentes acabam por ter afinal o mesmo “aspeto”. Isto acontece com frequência no português, é um fenómeno que se chama Homonimia. Na língua iorubá, o substantivo Orinsalà também derivou em Oxalá. Como sabem, o Brasil é um país com muitas confissões religiosas. Uma das religiões mais conhecidas é o Candomblé, nesta fé o nome de Oxalá é reservado para o orixá (deus, santo) criador da humanidade e do mundo. Este orixá é reverenciado na festa do Bonfim em Salvador da Bahia.

Teresa Salgueiro no Nexos

Eu não sou uma influencer. O tema do meu blogue não é tão maioritário como para eu ter milhares de fãs que me leiam e tentem seguir as minhas indicações. Quem me dera a mim criar modas!

Suponho que os e as influencers medem o seu sucesso com o número de followers. Eu sou obrigada a contar as pequenas vitórias doutra maneira.

Um dos meus momentos estrela no Twitter foi há pouco, no ano passado, quando a Teresa Salgueiro retwittou uma notícia minha. Logo disso…vieram coisas que ninguém lê e tweets aborrecidos, mas, olhem…já consegui um bocadinho de atenção por parte de alguém talentoso.

A Teresa volta à Galiza no marco do ciclo Nexos que decorre em Compostela, na Cidade da Cultura, este sábado às 12h. Se no ano anterior foram abordados temas arquitetónicos, esta será a vez da música.

Sam the Kid, na sua canção Poetas de Karaoke, faz algumas críticas à visão que o pessoal tem sobre a música portuguesa dentro do próprio país. Concordo com ele, até acrescentaria à sua opinião a ideia completamente vaga que nós temos sobre o que lá é produzido musicalmente. O país vizinho é mais do que fado e rancho folclórico e isto é uma teima constante no meu blogue, já sabem. Neste ciclo Nexos falar-se-á sobre fado, nova canção portuguesa, jazz, worldmusic…enfim, o vasto panorama musical que Portugal oferece. Tomemos como exemplo os Madredeus, a antiga banda da Teresa Salgueiro, faziam worldmusic em português e acho que são um dos grupos que mais têm repercutido internacionalmente nos últimos anos.

Dentro do programa do Nexos está agendada às 12h uma entrevista sobre estes temas com a cantora e às 13h há um concerto “surpresa”. Adivinhem só…

Se tiverem crianças podem ir com elas porque o ciclo propõe uma versão infantil com pequenos ateliês para os miúdos.

Apenas vou dizer duas coisas: preparem os 3 euros para o bilhete e…faz-me retweet, Teresa!

 

 

 

Teresa Salgueiro em Ferrol

Ferrol está em festas. Amanhã na Praça de Amboage decorrerá o concerto da portuguesa Teresa Salgueiro. Se há uns dias falávamos do Rodrigo Leão, hoje toca anunciar a chegada da voz de Madredeus.

A carreira musical dela começou quase por acaso. Um dia estava a cantar numa tasca com amigos e na mesa ao lado também estava o Rodrigo Leão…e aí deu começo Madredeus, o seu projeto mais reconhecível e aquele que a colocou nos ouvidos de muitas pessoas.

A soprano de Amadora já cantou com Zeca Baleiro, Carlos Núñez, Josep Carreras, Angelo Branduardi…

Em 2007 deixa os Madredeus e começa um percurso a solo. Cria pouco tempo depois uma oficina de composições e não demora em aparecer o seu primeiro disco: O Mistério.

O seu trabalho mais recente é de 2016 e chama-se O Horizonte. É a afirmação da sua faceta de compositora e letrista.

Não percam a oportunidade de ouvir este talento ímpar tão emblemático da cultura portuguesa. Ferrol, Praça de Amboage, 22h30.

Rodrigo Leão na Corunha

Amanhã chega à Corunha um dos grandes vultos da música portuguesa. Integrante de duas das bandas com mais repercussão internacional: Madredeus e Sétima Legião.

Rodrigo Leão é desses homens que criam autênticos hinos e é por isso que foi capaz de reunir tantos prémios.

Ele é um músico completo, criador de um estilo inconfundível. Explora a combinação das suas composições clássicas-modernas com formas de canção e instrumentação mais tradicionais, por isso ir a um concerto dele é quase ouvir uma sinfonia de sintetizadores.

Amanhã o lisboeta vai estar no Teatro Colón da Corunha, no marco do Festival do Noroeste, acompanhado de Ana Vieira na voz. Vai tocar temas essencialmente compostos para a voz desta cantora, em língua portuguesa maioritariamente, mas também em inglês, francês e espanhol.

Deixo-vos com Vida Tão Estranha, que é uma das suas mais belas obras.https://youtu.be/joKcK4D6PGo