Teuto-portugueses e teuto-portuguesas

Sabem que há uma tradição que une este blogue às viagens. Cada vez que viajo faço algum artigo sobre a Lusofonia e o país que visito. Assim dito, parece que tenho muita experiência como viajante. Não, não é que eu tenha visto muito mundo, infelizmente. O tom não quer ser pretensioso. Poucos artigos há desse género no blogue, simplesmente destaco essa tradição criada.

Grande parte do trabalho já está feito desta vez, porque um dia resolvi fazer um texto sobre palavras alemãs no português e nestes dias viajarei à Alemanha (agora é que sim). Não sabia muito bem sobre que falar-vos. Decidi informar sobre teuto-portugueses/as: pessoas portuguesas com ascendência alemã ou pessoas alemãs naturalizadas portuguesas.

Podem então consultar esta infografia e, se sentirem curiosidade por algum dos nomes, é só carregar na fotografia e acedem assim às informações.

Amanhã parto para terras alemãs. Frohe Ostern!

Anúncios

Luísa Sobral em Ponte Vedra

O que veio antes: o ovo ou a galinha? Este dilema de causalidade é bem difícil de resolver, mas tenho um bem diferente para vocês: o que foi antes: a Luísa ou o Salvador Sobral? Quem estiver um bocado por dentro da música e rádios portuguesas é que sabe que a Luísa foi a primeira dos Sobral a destacar na canção portuguesa. Num primeiro momento, o Salvador era conhecido como “o irmão de” e talvez hoje pensemos na Luísa como a “irmã de”. Felizmente, não há entre eles qualquer rivalidade, funcionam como uma máquina bem lubrificada e são um binómio criativo.

Já falámos da Luísa alguma vez a propósito do Ari(t)mar ou também naquele post sobre canções de Natal, mas, sinceramente, esses artigos não lhe fazem jus. Ela precisa de um texto a sério e, até que enfim, chegou a ocasião perfeita: a Luísa Sobral subirá a palco no dia 13 deste mês em Ponte Vedra no marco do CICLO VOICES.

Antes de mais quatro coisas:

a) É necessário esclarecermos logo no início que a Luísa é a compositora de Amar pelos dois. Ponto para a Luísa.

b) Tem um vídeo com final inesperado para um namorado espanhol que acho uma genialidade. Dois pontos para a Luísa.

c) Faz também covers com músicas da Britney Spears. Britney!!! Não digo mais nada. Três pontos.

d) toca guitalelé e neste vídeo tem uma camisola igual à minha. Igual. Só me aconteceu isto uma vez na vida. Pronto, no vídeo dos Dealema também sai o meu edredão.

Guitalelé é uma coisa superfofa. Pontaço!

A cantora lisboeta começa o seu percurso musical em 2003, sendo ainda adolescente, quando sai às luzes da ribalta por ter participado no programa Ídolos. Depois de ter ficado em 3º lugar, resolveu partir para a Berklee e estudar lá.

Tempo depois, em 2011, viria o seu primeiro álbum: The cherry on my cake. Graças a ele, foi convidada a participar no Jools Holland. Não demoraram em chegar novos sucessos e trabalhos.

Também criou um cd de canções infantis: Lu-Pu-I-Pi-Sa-Pa, que conta com um visual e produção espetacular. A canção O meu cão foi a banda sonora de muitos voos da Iberia, talvez conheçam se viajarem muito de avião. A partir desse trabalho e da sua experiência como mãe começa a incluir cada vez mais temas em português nos seus álbuns. De facto, o seu último disco, Rosa, é monolingue.

Não percam a oportunidade de conhecer um novo referente da música portuguesa.

As músicas do aRi(t)mar

Temos uma nova edição do certame aRi(t)mar por descobrir. Há uns dias foram anunciadas as primeiras melhores músicas de 2018, sobre estas o público terá de fazer uma seleção.

Podem ouvir todas as canções, ver os vídeos e votar nesta ligação. Ouçam!!! Têm até 20 de março para votarem e vão entrar no sorteio de livros. Escolham sabiamente, que isto é quase como Eurovisão.

Se quiserem mesmo levar as canções consigo podem fazer se tiverem a app do Spotify no telemóvel. O Uxio Outeiro criou esta lista e acho muito prático.

Vou falar-vos da seleção de músicas portuguesas. Quanto à seleção de estilos, vão ver que domina a pop. Sinto falta doutras opções artísticas (kizomba, kuduro…), mas acho que este conjunto de canções é um bocado mais representativo da música atual portuguesa, mais representativo do que outros anos.

É assim: se quiserem saber da minha opinião, continuem a ler. Se acharem que a minha opinião é uma bela merda, querem ser objetivos e não estarem condicionados por mim…façam stop.

  • António Zambujo, Sem palavras. A canção tem aquela coisa clássica do amor. Para mim não é das melhores do festival, nem das melhores do autor.
    Mas por cada mulher/ Que é só feita de amar/ E nasceu numa flor/ No jardim que tu lavras/ Há um homem qualquer/ Qua aprendeu a falar/ E morrendo de amor/ Acabou sem palavra ” Por outro lado, o António Zambujo já conhece a Galiza, visitou Compostela várias vezes e se um dos atrativos da gala é vermos os premiados ao vivo…
  • Carolina Deslandes, Avião de papel. Esta é daquelas canções que passam a toda hora na Rádio Comercial. Carolina Deslandes e Rui Veloso interpretam a duo esta música que também fala de amor. É uma canção sentimental, mas não acho enfastiante.
    Fiz-te um avião de papel/ Daqueles das cartas de amor/ Pra voarmos nele quando o mundo é cruel/ E não há espaço que chegue pra dor
  • D.A.M.A, Nasty. Eu adoro este vídeo e não consigo não dançar quando passam isto na rádio. D.A.M.A é a sigla de “deixa-me aclarar-te a mente, amigo”. Realmente a canção tem uma letra fácil, dessas de ritmo contagiante. Podemos dizer que é das músicas mais eurovisivas (em todos os sentidos possíveis) do certame.
    Qual é a tua conversa, eu sei que tu vens mudar-me a cabeça/ Para me pôr nas nuvens/ Mas é preciso que eu deixe, mas é preciso que eu deixe
  • Luísa Sobral, O melhor presente. A fama é uma coisa engraçada. Luísa Sobral era uma estrela famosa em Portugal, o seu irmão, Salvador, era conhecido por ser o irmão da Luísa e agora as coisas mudaram. A compositora de Amar pelos dois criou desta vez uma canção para explicar ao filho mais velho a chegada de um novo irmão. A Luísa sempre sabe dar no coração das pessoas: E no meu colo sempre haverá espaço pra dois/ que o colo de uma mãe aumenta quando chega alguém/ por mais que ainda não entendas posso prometer/ que este é o melhor presente que irás receber
  • Márcia, Tempestade. Transborda otimismo esta música. Dançar, deixar-se estar, voar. Eu tinha a Márcia como uma artista de um único registo e, é claro, estava completamente enganada. Esta é uma das minhas apostas. Dança o teu azar/ Enterra-o por aí/ Vem passar por dentro/ Da tempestade/ Lança-te a voar/ Nada como abrir/ As asas ao vento/ E aprender a cair
  • Mariza, Quem me dera. Também muito ouvida nas rádios portuguesas. A Mariza é a dama da canção portuguesa. Esta pode ser a canção, se quiserem, mais “de raiz”. Contudo, penso que se parte do espetáculo é trazer o artista para cantar…a Mariza já nos visitou inúmeras vezes também. É como o caso do António Zambujo.

Esta é também uma canção de amor: “Quem me dera/ Abraçar-te no outono, verão e primavera/ Quiçá viver além uma quimera/ Herdar a sorte e ganhar teu coração”

  • Os azeitonas, Efeito do observador. Tive uma época em que gostava muito dos Azeitonas. Depois perdi interesse e agora parece que voltei a achar piada. A letra dos Azeitonas tem uma inspiração, parece, no Carl Sagan: “Somos todos iguais/ Lá no fundo/ Pó de estrela e nada mais”
  • Os quatro e meia, A Terra gira. Simplesmente amo. Amo esta música. Quero mesmo que ganhe. Digo isto abertamente. O ritmo, chamem-me doida, é como se me ajudasse a fazer planos, a querer empreender projetos. A letra faz-me muito pensar, tem um toque intimista e leva-me a uns pensamentos recorrentes na minha vida: a pouca possibilidade de decisão que temos, mas a grandeza que é ser-se sonhador/a. “A terra gira em contramão/ Ficamos tontos sem direção
    Corremos até nos faltar o ar/ E a vida vai ficando para depois/ E continuamos os dois a sonhar
  • Sérgio Godinho, Grão da mesma mó. Sérgio Godinho dispensa qualquer apresentação. Ele é a música portuguesa, é um histórico como o Rui Veloso. A música candidata aos prémios está carregada de filosofia e elementos de repetição que nos levam a pensar na estaticidade, imobilismo da vida: “E as palavras tornam-se esparsas/ Assumes/ Fazes que disfarças/ Escolhes paixões, ciúmes/ Tragédias e farsas/ E faças o que faças/ Por vales e cumes/ Encontras-te a sós, só/ Grão a grão/ acompanhado e só/ Grão da mesma mó/ Grão da mesma mó”
  • Valas, Estradas no céu. Um bocado de rap não faz mal e com a voz da Raquel Tavares isto ganha. Para mim é uma canção com muita força, mas já sabem que tenho um fraquinho por rap e não posso ser objetiva. Gosto muito da combinação de vozes que nos dá esta música. “Eu vejo estradas no céu/ Que me levam sempre a ti/ Sou tua e tu és meu/ Lugar onde sou feliz”

Agora estou à espera dos poemas, estou em pulgas!!

Dez canções de Natal que não canta a Mariah Carey

Será que já ouviram neste ano a canção daquela artista dos EUA? então é que é Natal mesmo. 

O Natal é uma das minhas festas prediletas. Há autênticas iguarias, prendas e uma ode ao mau gosto constante sem qualquer tipo de complexo. Tudo é aceite: lantejoulas, cetim, grinaldas ruídas, veludo, muito plástico, coisas doiradas e luzes a piscar. Há uma palavra em alemão para isto: kitsch.

As canções que ambientam não são muito melhores do que o resto dos enfeites. Repetitivas e em falsete, são duas características que unem as canções natalinas, as janeiras e as músicas pop do Natal. Eu penso que Last Christmas pode ser usada para alterar mecanismos do córtex cerebral.

Pensei em fazer uma lista com canções na nossa língua. Tinha alguma coisa em mente, mas quando me estava a documentar, encontrei verdadeiros achados e foi impossível não querer partilhá-los.

Têm cá a minha apresentação, se carregarem nas bolinhas verdes, podem ver os vídeos.

Explico-vos um bocado as escolhas:

Popota em versão Popomodel
  • Luísa Sobral: está três vezes nesta lista porque é, sem dúvida, a dona disto tudo em Portugal (junto com a Áurea, mas esta última canta em inglês e então decidi não incluir). Querido Pai Natal, Canção de Natal Natal mais uma vez. Não é que ela faça discos de Natal tipo Michael Buble ou Luis Miguel, mas a rapariga sempre tem um espaço para este género de músicas. E eu, até gosto. Vejam os clips de vídeo, porque são muito estéticos.
  • Zeca Afonso: estou com dor de cotovelos. Quanto talento. Este homem tinha sensibilidade também para criar uma canção de Natal com toques da cultura popular como as janeiras. Esta faixa devia mesmo estar na seleção.
  • A Popota: no Natal há vários seres inesquecíveis: duendes, Pai Natal, renas…e o Continente tem, atenção, uma hipopótama. A Popota é uma autêntica celebridade do Natal português e cada ano tem um vídeo novo, tem até uma página com jogos, passatempos e conteúdos interativos para os miúdos. Coloquei-vos o clip do ano passado porque ela fez uma cover de uma música do Agir. Na Galiza a única hipopótama que nós temos é a imagem que o nosso espelho nos devolve depois de quase 15 dias de jantaradas continuadas.
  • Rui Veloso: os velhos rockeiros também sabem chegar ao coração das pessoas. A letra desta canção é incrível, penso que faz uma crítica com muito lirismo. O Rui fala do Natal dos mais humildes e há lá vários temas sociais colocados na mesa. Ouçam.
  • Anjos e Susana: a Susana deste vídeo é a mesma Suzy de Eu quero ser tua que representou a Portugal no festival de eurovisão de 2014. Sim, essa. Em 1999 cantava isto canção com os Anjos, uma boy band. Ela era um boneco de neve e tinha a certeza de que ia derreter. Os Anjos e ela juntos é como ver os Back Street e a Britney à portuguesa, era a década de 90 e as influências eram as que eram. Nunca chegaremos a saber porque é que a Suzy, de Figueira da Foz, pronuncia todos os T como Tch. Comentem-me as vossas epifanias.
  • Xuxa: para mim este é um vídeo muito caricata. A Xuxa vestida, enfim, da Xuxa, no meio de um exército de crianças e lá no fundo o Pão de Açúcar.
  • Tema de Natal do Meo: estou a ser mesmo repetitiva porque em 2014 já vos disse que era fã deste vídeo. Prometo que se eu achar algum que supere isto, deixo de pôr. Por enquanto, isto está ainda do topo. Maravilha.
  • Boss Ac: não podia faltar uma faixa de rap e o Boss Ac é o homem. Com Carta ao Pai Natal lança versos tão sublimes como este: 

Se és Pai Natal deves ser pai de alguém
Para mim Natal é a qualquer hora, basta querer
Gosto de dar e não preciso de pretextos para oferecer
E já agora para acabar, sem querer abusar
Dá-nos Paz e Amor e nem é preciso embrulhar

Já agora para acabar, Paz, Amor e Feliz Natal!

Ari(t)mar 2018, uma gala eurovisiva

Ari(t)mar vai dar barraca este ano. Pode haver algum eurofã que não saiba ainda? impossível. Quando vi o cartaz…tremi como varas verdes. Mas vamos começar a contar isto pelo princípio.

Imagino que sabem o que é que é isso do Ari(t)mar. Para quem não souber, lá vai este lembrete. Este artigo é para os/as adoradores mais recentes (bem-vindos/as) e também para os mais velhos (estão prontos/as?). 

Como será o programa deste ano? podem dar uma vista de olhos nesta ligação. Fiquem a saber que esta gala cresceu bué e este ano vai ser quase um Eurovisão em pequenino: no Auditório da Galiza, com cantor do festival e…pronto, as votações já foram.

Como mestres de cerimónias temos ao Carlos Meixide e à Iria Pinheiro, que vão dar o seu melhor e aqueles toques de humor que fazem toda a diferença no show. A melhor coisa é que vai ser numa língua que toda a gente entende e não teremos um comentarista a fazer a voz-off.

Este ano fiquei com uma pequena espinha no coração porque há poucochinhas mulheres a receberem prémios. Depois deste desabafo, falemos então de quem é que são eles e elas.

Na música, toquem com redobres…taráaaaaaa:

  • Pela Galiza: A banda da loba por Bailando as ruas. Uma banda eclética, moderna, feminina, feminista com letras originais e também com musicalização de poemas contemporâneos. Simplesmente um sonho. Muitos parabéns, meninas!  
O videoclip é de grande qualidade estética. Foi realizado pelo Alfonso Zarauza.
  • Por Portugal: S-a-l-v-a-d-o-r S-o-b-r-a-l. Leram bem. Salvador Sobral. E agora a eurofã doida fala: ele ouviu as nossas preces. Estou em pulgas por vê-lo ao vivo. Gosto tanto dele e da sua personalidade! acho um exemplo. Interpretará, é claro, a canção composta com a sua irmã Amar pelos dois. Mas olhem, que ao piano haverá uma surpresa…
Se não arranjaram ainda bilhete para o Aritmar, não se preocupem com isso. Também cantará amanhã no auditório.

Na poesia…foi marcado um golo este ano e gosto muito que assim seja. Os dois poetas são galegos, um de Lugo e outro de Compostela. A particularidade é que cada um escreve a mesma língua mas em normativas diferentes. Este é um prémio ao binormativismo à moda norueguesa.

Então,neste ramo, temos ao Lois Pérez com O blues do rei Bermang= B.B. King. “Sen dor non hai blues, sen feitizo só queda a area”. Um poema musical, sinestésico e melancólico. Junto do Lois, está o Alexandre Brea com XXXI. Com o ritmo da chuva, uma composição que vale a pena memorizar “E na água do mar, E no lume, e na chuva, E detrás da tua pele”.

Haverá também uma menção especial e um prémio para o projeto Convergências Portugal-Galiza. Nascidas para homenagear a Rosália de Castro e o Zeca Afonso, as Convergências são uma semana de encontros em Braga, Compostela e Padrão (sim, a minha terriola também faz coisas) que ampliam o diálogo cultural.

Então amigas, a gente vê-se amanhã às 21h. Divirtam-se e amem pelos dois.