Sequin e Surma no Arteficial

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Eu sou uma Ribadávia lover. O meu primeiro trabalho como professora foi nesse concelho e isso nunca se esquece. Se digo Ribadávia acho que ninguém vai precisar de mapa nenhum, todos e todas temos no nosso imaginário a vila por muitas razões culturais: A Festa da Istória, a MIT de Ribadávia…e agora também o Arteficial.

O Festival Arteficial é organizado por um grupo de jovens da região do Ribeiro, é sempre bom saber que existem pessoas novas com vontade de fazerem projetos novos. O evento tem caráter multidisciplinar e acolhe outras atividades como exposições, feiras e workshops.

Nesta edição poderemos ver duas bandas emergentes da música portuguesa. Dois projetos a solo. Dois projetos de mulheres: Surma e Sequin. Conheço uma e desconheço outra. Sequin é dessas imprescindíveis no meu Spotify. Surma ainda estou a começar a ouvir algumas faixas.

Surma: Débora Umbelino esteve em várias bandas e este é o seu primeiro projeto a solo. A miúda de Leiria, define-se como uma outsider. Começou a cantar no coro da igreja e costumava cantar em casamentos, mas hoje ninguém diria que aquela Débora e a atual sejam a mesma pessoa depois de tanta evolução e maturidade musical.surma

Surma é Noise e Experimental, uma sonoridade que anda à procura da sua própria identidade, mas é mesmo por isso que ainda emana aquela frescura do que é novo.

-Sequin: Sequin brilha como uma lantejoula 🙂  O projeto da alentejana de gema, Ana Miró, é também produto da fatoria da Lovers and Lollipops, de que tanto falámos neste blogue. Conheci as músicas dela no Sol da Caparica e no ano passado a Sequin também esteve na Galiza no Festival Osa do Mar, em Burela.SEQUIN-PR3_Ana Manuel

Ana Miró mora em Los Angeles, é a criadora de Sequin e também a voz feminina da banda Jibóia. A Ana tem aquela candura do retro americano, das melodias da década de 80. De facto, nos seus inícios fez covers da Olivia Newton John.

Beijing é a última música do seu disco, Penélope, e também um dos seus grandes hits.

Mulheres portuguesas na música eletrónica são raras, mas temos aqui, claramente, uma de grande qualidade!

Então…marquem presença no dia 3 em Ribadávia!

Isto não é o Milhões de Festa

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Milhões de Festa é um dos festivais portugueses do verão. Como já vos disse vezes sem conta Barcelos não é só uma cidadezinha com artesanato e galos: fervem nas vielas e ruas dessa terra uma criatividade ímpar e como prova estão aí o carimbo discográfico Lovers&Lollypops . Este festival nasceu em 2006 e desde esse momento tem reforçado a sua posição de evento eclético, abordando a música sem limitações genéricas, estendendo-se desde a pop mais dançável ao metal mais extremo, sem deixar de parte linguagens vindas de África, da América Latina e da Ásia e, aliás, favorecendo os cruzamentos entre o que é diferente.

Fazer promoção na Galiza de um festival em Barcelos é um sintoma. Talvez a lusopatia seja mais contagiosa do que eu esperava. E digo isto porque no dia 2 de julho em Compostela no Bar Embora e no Cachán Clube poderemos ouvir uns teasers, um adianto do que vai ser o autêntico Milhões de Festa. Mas as boas notícias não acabam aí: portugueses vêm cá e galegos vão estar no cartaz deste Milhões 2016 (Vozzyow, Malandrómeda e Uppercut)

O que poderemos ver no Embora e no Cachán? “Isto não é o Milhões de Festa” reúne muita a coisa boa, sintonia entre galegos e portugueses. Vou falar do grupo português que vem mesmo tocar, porque já sabem que o blogue é mesmo para isso.

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Killimanjaro. São um grupo de heavy-rock de Barcelos. Segundo eles mesmos contam são como búfalos a galope, sem destino algum, apenas o de estremecer aqueles por quem passam. Só lhes interessa o palco, como a savana onde o búfalo se alimenta, para continuar a galopar.

 

Wosinc…também lusófono

imagesWosinc é um encontro anual com caráter interdisciplinar que visa ser um epicentro da vanguarda, um espelho onde muitas tendências são refletidas. Neste corrente mês Compostela vai irradiar música, ideias e novos conceitos entre os dias 11 e 13.

Que um encontro como este tenha também um cantinho para a lusofonia é uma marca de país. Se o Wosinc fosse em Múrcia…acham que haveria este interesse? estes (re)encontros indicam uma sensibilidade muito própria e uma necessidade que na Galiza é cada vez maior: o contacto com os países de fala portuguesa.

ficha_wos_LLParte da lusofilia deste festival é devida a Lovers and Lollypops. Eles são um pequeno selo discográfico e também uma promotora musical sediada em Barcelos, uma cidade que cada vez me dá mais surpresas quanto ao seu valor dinâmico e cultural. Não, Barcelos não é apenas galos.

Lovers and Lollypops criaram o Milhões de Festa e têm ajudado muitos artistas lusos a iniciarem um caminho e terem  projeção, sempre da ótica da criação independente. Para este evento eles trazem um showcase para festejarem os seus 10 anos em andamento e outras muitas bandas do seu selo discográfico que resenho nestas linhas.

  • Vamos com a calendarização de concertos, que é o que interessa.

-Sexta-feira 11, Pega monstro, Fundação Granell, 19h: tocaram no nosso festival de Poesia no Condado, na  Festa do ficha_wos_pegaAvante e agora voltam à Galiza porque deve ser que nós sabemos tratar bem das visitas. Já lhes tínhamos dedicado umas linhas por causa da sua aterragem em Salvaterra, mas para vos refrescar as ideias diremos que são duas irmãs lisboetas com músicas bombásticas que cada vez estão a ocupar um lugar maior no garage internacional. Um projeto auto-editado e empoderado.

No mesmo dia na Fundação SGAE a promotora portuguesa Lovers and Lollypops traz todas estas bandas, algumas delas já conhecidas para nós, outras uma nova descoberta:

-00h30, Filho da mãe & Ricardo Martins: falar de Rui Carvalho e Ricardo Martins é falar de coisa séria. Eles não são ficha_wos_FFuns Zé-ninguém no panorama independente em Portugal. Cada um deles andava em vários projetos musicais e decidiram experimentar, reunir-se e o resultado foi Revolve, um disco singular. Querem saber mais? não percam a performance que eles têm no showcase de Lovers and Lollypops.

-01h20, Equations: depois da estreia com o álbum Frozen Caravels (L&L, 2012), Equations, uma garage-band de integrantesficha_wos_EQUATIONS novinhos, faz um volte-face e começa de novo. Medo do segundo disco? não acho, porque não ficaram a falar com os seus botões e Hightower (L&L, 2014) é a porta de entrada ao synth pop, ao rock espacial de Amon Düul II. Este último trabalho tem selo também de Lovers and Lollypops e ajudinha do Moullinex.

-02h10, Black Bombaim: falámos deles com motivo do festival Osa do Mar e frisamos que a banda de Barcelos dá um BB-por-Joana-Castelo1toque de charme, modernidade e vanguarda à cidade, que cada vez ocupa um lugar maior e mais relevante entre as nossas linhas. Barcelos é…ouro, ouro de mina.

Raros dentro do panorama luso, por fazerem rock instrumental, contam com horas e horas em palcos e estradas. Os Black Bombaim ainda estão com energia depois de quatro discos. Far Out (2014, L&L) é o seu último lançamento.

-03h, L&L soundsistem é a banda dos Lovers and Lollypops qua vão fazer um show com motivo dos seus 10 anos nos palcos.

Ouçam este depoimento e adivinhem o que agora está por vir…

  • No vasto programa do evento também há palestras. No sábado dia 11, às 13h no CGAC começa o colóquio Por amor à arte. Quatro promotoras independentes entre as quais está Lovers and Lollypops (Joaquim Durães) debatem e analisam as chaves que levam a transformar uma ideia num projeto criativo.

Depois não digam que com setembro acaba o verão…