VI Colóquio internacional sobre literatura brasileira contemporânea

colóquio

Ainda estão abertas as inscrições para o VI Colóquio sobre literatura brasileira que decorrerá nos dias 25-27 do corrente mês na Universidade de Santiago de Compostela.

A focagem deste ano é “o local, o nacional, o internacional”. Pelo que pude ver no site da organização as linhas temáticas deste encontro defrontam os paradoxos da literatura brasileira atual: novas vozes (mulheres, negros, trabalhadores e trabalhadoras…) entram para reivindicar o seu espaço no panorama atual e se legitimarem num momento em que a literatura brasileira está em vias de internacionalização com o aumento de traduções, apresentações no estrangeiro e feiras literárias.

Na página podemos ver as intenções do evento “O colóquio – que pretende movimentar esse conjunto de discussões – é resultado dos diálogos já estabelecidos entre o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea e especialistas da área de diferentes universidades europeias, do Brasil, dos Estados Unidos e da Argentina, e marca a consolidação da cooperação entre essas instituições. As diferentes procedências dos participantes apontam também as diferentes perspetivas teóricas e metodológicas que estarão em debate. Para além de questões mais teóricas, necessárias para o debate, serão apresentados estudos sobre livros, autores e géneros específicos da literatura brasileira contemporânea que contemplam os problemas referidos, além de análises sobre o campo literário brasileiro atual. Estão contempladas, também, discussões sobre o diálogo da literatura com outras linguagens artísticas (cinema, artes plásticas, música etc.) e com a cultura, num sentido amplo. Todos os trabalhos trarão como preocupação central o fazer literário na contemporaneidade, tendo como recorte cronológico as obras da literatura brasileira produzidas a partir de 2000.”

O grupo GALABRA e a professora galega Carmen Villarino colaboram ativamente na organização do evento de caráter internacional que neste ano tem como marco a Galiza.

Deixo-vos a página das inscrições por se for do vosso interesse.

Maria Fernanda Garbero de Aragão na Ciranda

imagesEntre tanta agenda de concertos e teatro já achávamos em falta alguma palestra.

Amanhã Maria Fernanda Garbero de Aragão estará na livraria Ciranda. Graduada em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora, esta estudiosa brasileira é um vulto no cenário cultural. Tem grande parte das suas pesquisas em estudos de género, dedicando-se, sobretudo, à compreensão da formação de atores políticos que romperam com as expectativas da esfera privada para, de perspetivas diversas, escandalizar a cena pública.

O seu projeto de pesquisa atual propõe leituras de experiências a partir das composições da mãe e da maternidade, tanto na literatura, quanto na atuação social, tendo a desconstrução mítico-afetiva como caminho para a reivindicação uma voz coletiva e empoderada.

Amanhã pelas 18h na Ciranda encarará um tema quase consubstancial ao Brasil: a violência sob diferentes perspetivas, porque ela também é uma marca na literatura brasileira.

A palestra, intitulada Era uma vez um conto de violência: mulher e literatura no Brasil, promete não deixar ninguém indiferente.

 

Iacyr Anderson Freitas na Ciranda

imagesContrariando o ditado popular de “no primeiro de abril vão os burros aonde não têm que ir” hoje podemos ir ao lugar certo e sem que nos preguem uma partida.

Iacyr Anderson Freitas é um escritor brasileiro que apresentará o seu último livro na livraria compostelana Ciranda. Ar de arestas, que é o título, é uma reflexão sobre a dor mais cruel, descarnada e inevitável. O título vem ilustrar o que na dor há de anguloso e intratável, segundo Paulo Henriques Britto.

A obra foi já objeto de adaptação cenográfica pelo Laboratório de Movimento e Performance I’Mmoving e tem também fotos de Ozias Filho, que também foram expostas no Museu de Arte Moderna Murilo Mendes, em Juíz de Fora, Minas Gerais. Assim sendo, podemos afirmar que o volume de poesias é uma experiência estética completa.

Nascido em 1963, começou a publicar em 1982 e desde essa data os prémios e considerações não cessaram.

No estudo Uma história da poesia brasileira, o crítico e poeta Alexei Bueno afirma: “Dos principais poetas de sua geração, Iacyr Anderson Freitas (1963), desde a sua estreia com Verso e palavra, de 1982, vem construindo com notável coerência uma obra poética que se traduz por uma tentativa de compreensão em profundidade do mundo, característica comum a quase toda grande poesia. Passando do verso livre às formas fixas como o soneto, a sua poesia transmite a perceção aguda do efêmero e do imponderável sobre o qual se constroem todas as ilusões humanas”.

Hoje às 19h, na livraria Ciranda em Compostela.