Mamulengo

imagesPor vezes ouvimos canções, cantamos essas músicas e nem reparamos no sentido da letra. Jack Soul Brasileiro é um desses ritmos que me acompanha muitos dias. Na letra aparece a frase “a ginga do mamulengo” e hoje fiquei a saber o que é que era graças a esta minipesquisa para este artigo.

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O mamulengo é um teatro de bonecos popular no nordeste brasileiro. As peças são encenadas por artistas do povo, muitas vezes com grandes doses de improvisação. O espetáculo é intrinsecamente popular e lá os bonecos falam, dançam, brigam e quase sempre, morrem. Já falei muitas vezes da infantilização do teatro de bonecos e posicionei-me contra essa identificação, portanto, descobrir esta forma teatral com profundas raízes populares e, portanto, politicamente incorretas, foi para mim uma maravilha. Contundência, é isso.

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O artista de mamulengo que está por tás do boneco, o mamulengueiro, tem um roteiro muito breve, apenas umas linhas. O boneco pede muitas vezes uma interação com o público e este completa as falas dele. Podemos dizer que este espetáculo tem aquela catarse do teatro grego mais genuíno.

No dia 15 deste mês, poderão ver uma exposição de fantoches e também a representação de Bambu e Morte por parte do Mestre José Divina de Pernambuco. Será às 20h30, em Lalim, no Museu Galego da Marioneta.

Birds are indie fazem tour na Galiza

BirdsAreIndie_galiza-marzo2014_blogA banda de Coimbra chega de novo à Galiza para oferecer-nos as suas músicas num tour feito em (muitas) pequenas salas.

Não sei se a Joana e o Ricardo são dois namorados que fazem música ou se foi a música que os uniu, só sei que é uma dessas bandas hipster, com músicas indie-folk.

Amantes das calças cigarette, óculos de massa, bigodes e peças de roupa em segunda mão…apenas vos vou dizer que esta banda é a vossa cara. Coloco o cartaz no post e assim já conseguem acompanhar os músicos pela nossa geografia, há um monte de datas para escolher.

Anteriormente já tinham estado no “Terrazeando” em Compostela, onde partilhavam cartaz com os A Jigsaw. Só tive oportunidade de ver esta segunda banda, mas agora talvez esteja na hora de ouvir os Birds are Indie.

Marionetas no Titirideza

titiridezaNão está tudo perdido! ainda restam uns dias de férias estivais (para quem as tiver) e propostas de lazer diferentes.

No Lusopatia temos um fraquinho pelas marionetas e adoramos fazer post deste género.

No marco do festival de teatro de marionetas Titirideza, em Lalim, teremos a oportunidade de ver uma peça portuguesa, da Associação Movimento Incriativo, de Arcos de Valdevez. Esta associação é uma iniciativa de integração cultural para o Alto Minho que pretende criar na região um espaço de apoio à produção artística no domínio de todas as artes.

Amanhã chegam a Lalim com ISpirador, um diálogo-dança de uma menina e um aspirador. Uma peça para pequenos e graúdos (a idade recomendada é a partir de 4 anos).

Num universo “ainda” virtual, onde a realidade dos humanos e das máquinas se (con)fundem, iSpirador é a história de uma menina e do seu aspirador hipertecnológico, meio humano, meio máquina doméstica, dotado das mais avançadas funcionalidades, mas alérgico ao pó.

Caricatura da crescente mecanização do mundo moderno, o espectáculo situa-se na relação máquina/homem, explorando a omnipresença da tecnologia e do mundo virtual no quotidiano das crianças e jovens.

Quem tiver 4 anos ou mais, vá! Recordem: amanhã, 22h30, na Praça da Igreja de Lalim.

As marionetas do Porto fazem anos e voltam!

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No lusopatia somos verdadeiros fãs de marionetas, temos muitos post aqui a dar boa prova disso, o Teatro das Marionetas do Porto volta à Galiza e desta vez marcam presença em Lalim, no Titirentroido, um festival que junta o útil ao agradável, marionetas e Carnaval tudo à mistura. A organização está sob a direcção da companhia local Viravolta.

As Marionetas do Porto entram em cena o dia 11, às 22:00, com uma peça para adultos, Capuchinho Vermelho XXX e voltam a terça-feira de entrudo, dia 12, às 18:00, com uma representação virada para crianças, embora eu não goste muito da classificação, Teatro Dom Roberto. Tudo no Museu Ramón Aller. A companhia acaba de fazer 25 anos e inaugurou um museu na baixa da invicta, na Rua das Flores.

A peça Capuchinho Vermelho XXX criada em 89 , foi reinventada no ano passado e agora nesta nova versão vamos mergulhar nesse universo delirante e hardcore tão peculiar e divertido onde os objectos se transformam em marionetas comestíveis. O intérprete único será Edgar Fernandes.

Representado desde há cerca de três séculos nas feiras, nas romarias, nas praias e nas ruas, o reportório do Teatro Dom Roberto inspira-se simultaneamente na tradição europeia, que lhe deu origem, e nas peças populares do Teatro de Cordel.
O personagem principal deste teatro de fantoches de luva, manipulados por um solitário bonecreiro, tem origem, como em muitos outros casos, no célebre polichinelo italiano, mas não possui características fisionómicos especiais. O seu nome, Roberto, popularizou-se possivelmente através de um empresário chamado Roberto Xavier de Matos que explorava um teatro em Lisboa e viria mais tarde a manter ao seu serviço várias companhias nas feiras portuguesas, numa época em que a maioria dos fantocheiros eram contratados para integrar pequenas trupes de teatro de feira.

Passem e vejam, a magia acontece.

 

Os olhos do farol

Como estamos na Páscoa, tenho mais tempo, aliás, tenho o tempo todo para ler e pensar à volta da lareira, da lareira mesmo porque o frio voltou, bem haja!!. Como estou com tempo pensei em pôr mais um postazito para um filme, uma curta por melhor dizer, no Anirmau. Como sempre tenciono estar por dentro da actualidade, e da cultural mais, ainda me surpreendem iniciativas tão boas fora dos holofotes da comunicação social.

Hoje trago-vos um filme realizado por Pedro Serrazina, produzido também pela Sardinha em Lata. Começar por dizer que o Pedro Serrazina é um dos mais premiados cineastas portugueses, e esta curta, obteve galardões nos quatro cantos do mundo, nomeadamente na Alemanha, no Brasil e evidentemente em Portugal. Os Olhos do Farol é uma curta de animação que dura quinze minutos e narra a estória de uma ilha rochosa e exposta aos elementos, em que um faroleiro vive isolado com a sua filha. Enquanto o pai vela pela segurança dos barcos que passam, sem outra companhia, a menina desenvolve uma cumplicidade única com o mar e com os brinquedos que sob a forma de objectos e ao ritmo das ondas vão sendo empurrados para a praia. Estes objectos desvendam acontecimentos antigos, memórias que as marés não conseguem apagar. É espectacular a cumplicidade que se cria numa curta de animação e sem diálogos, e vai estar em exibição nos cinemas de Lalim. Não percam, porque Pedro Serrazina fez duas curtas de animação em quinze anos, assim que a próxima só calha em 2027.

Eyes of the Lighthouse by Pedro Serrazina, 2010 from Sardinha em Lata on Vimeo.

Anirmau

Não é fácil encontrar um festival de animação, ainda menos de curtas de animação, mas eles existem. Hoje queremos dar conta do Anirmau, uma iniciativa cultural de grande destaque, numa cidade pequena como Lalim, e organizada ainda por um Liceu, o Aller Ulloa. O Anirmau, mais do que um festival, define-se como uma iniciativa de pedagogia, que visa fomentar os conteúdos de audiovisual no ensino secundário.

Este ano, porque ainda que não sabíamos já é um festival bem situado na programação cultural da zona de Lalim, o Anirmau vem com muitas propostas de curtas de animação. A pouco tempo que dediquem a ver a programação, vão encontrar muitas propostas de filmes falados em português. No concurso oficial temos a produção galego-portuguesa “O sapateiro”, realizada por David Doutel e Vasco Sá, “Os olhos do Farol” de Pedro Serrazina e “Viagem a Cabo Verde” de Pedro Miguel Ribeiro – à que já tive ocasião de assistir no OUFF e realmente vale a pena. Mas não se fica por aqui, existe uma secção chamada curta-metragem educativa na que destacamos “A única vez” de Nuno Amorim, “Bats in the Belbry” de João Alves ou “Caixa” dos Brasileiros Paulo Muppet e Luciana Eguti. Mas há muitas mais nesta e na secção de multimédia.

Hoje podemos começar por ver um pequeno excerto de “O Sapateiro”, filme que resulta do trabalho em parceria das produtoras Sardinha em Lata e IB Cinema, que venceu a primeira edição do prémio SPA/Vasco Granja, da XI Monstra — Festival de Animação de Lisboa, que distingue o melhor filme de animação português de 2011. Os autores são portuenses e formados na Católica, o filme fala de um sapateiro embrulhado entre as memórias da sua vida e a sempre presente profissão, que vive um momento crucial na sua existência.

Não se esqueçam de 9 a 14 de Abril, nos cinemas Filmax de Lalim e no I.E.S. Aller Ulloa.