Grândola na USC

Neste blogue temos falado sobre conexões históricas entre a Galiza e Portugal no 25 de Abril. Celeste Caeiro ou Durán Clemente ocupam muitas linhas dos nossos posts. Uma conexão histórica é também o facto de que o hino da revolução portuguesa fosse estreado na USC no ano 1972, e este é um dado que muitas pessoas desconhecem. Não é por acaso que tenhamos no coração do câmpus compostelano centros sociais e parques com o nome do cantor do Grândola.

Neste 2022 fazem-se 50 anos daquele concerto emblemático e nesta terça às 19h a Faculdade de Filologia da USC organiza uma homenagem. Deixo-vos cá o cartaz com o programa.

O ato tem duas partes. Como abertura haverá um colóquio entre diferentes testemunhas ou responsáveis daquele concerto do Zeca em Compostela. Zélia Afonso (viúva do cantor), Maite Angulo (fez parte do grupo de estudantes que organizou o concerto), Emilio Pérez Touriño (que apresentou aquele evento), Francisco Fanhais (presidente da AJA) e Suso Iglesias, jornalista que conduzirá o colóquio.

A parte mais festiva será apresentada pelo Carlos Blanco e contará com as vozes da Uxía, João Afonso (sobrinho do cantor), Nacho-Faia-Lar, Couple Coffee e Xico de Carinho.

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Apóstolo 2018

As festas de Compostela são uma ocasião para vermos bons concertos de bandas emergentes ou grupos nem sempre conhecidos. E eu curto.

Outros anos, o programa de festas “não institucional”, isto é, aquele mais virado para o Dia da Galiza, feito também por diversos coletivos, supunha para mim uma lufada de ar fresco e mesmo tenho apontado que chegava a concorrer com o programa da câmara. Nestes dias vi todos os programas e confesso que não há coisas que me seduzam muito (falo eu, na primeira pessoa). Tem havido anos em que…nem sabia por onde começar a escrever este artigo, porque as ideias vinham a mim em rodopio, mas este ano para mim é um bocado fraco em número de artistas lusófonos.

Vamos lá com a proposta. Começamos por hoje às 22h, na Praça 8 de março. Compostela Território de Mulheres organiza um mini-festival de autoras, entre as quais estão as nossas divas do norte: as Batuko Tabanka. Como é que na Galiza tenhamos coisas tão boas e tenham tão pouca difusão? É incrível que desde 2015 não voltassem a aparecer entre as linhas deste blogue. In-crí-vel.

 

Estas doze mulheres de origem cabo-verdiana e radicadas em Burela trarão ritmo, alegria e morabeza sem igual à nossa cidade.

Vamos de Cabo Verde a Portugal, porque no sábado 21 temos o concerto do João Afonso e o Rogério Pires. Às 23h na Praça do Toural poderemos ver estes dois músicos no palco. Eles definem o seu espetáculo como um encontro entre amigos. Só vozes e guitarras elétricas é que criam essa atmosfera intimista.

João Afonso e Rogério Pires estão a fazer uma pequena digressão nestes meses com o seu disco Buganvília. De facto o João Afonso está no domingo em Vilar de Santos (Arca da Noe, 21h), por sinal.

Querem ainda novos destinos? temos mais: Moçambique. No dia 23, segunda-feira, poderemos ver o concerto dos Timbila Muzimba com Ogun Afrobeat. Os Timbila e o Cheny Wa Gune já tinham estado connosco graças ao Narf, mas posso fazer uma pequena biografia na mesma. Em 1997 um grupo de jovens músicos e bailarinos dos bairros de Maputo criou uma orquestra de timbilas, eles são uma conjunção entre a tradição e a modernidade.

 

Curtam das festas! A gente vê-se!

 

João Afonso em Compostela

João Afonso é um dos principais cantores de Portugal na atualidade. Nesta semana virá à Galiza apresentar o seu último trabalho “Sangue bom”, que tem, já agora, muito de lusopata.

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O disco é um desafio que o Mia Couto lançou ao cantor. É-vos estranho? Pouco tempo depois, João Afonso falava com um seu amigo dos tempos universitários e este aderiu ao projeto. O tal amigo era o José Agualusa. Em resumo, este trabalho produzido por Vítor Milhanas já estão a ver que tem letras feitas a partir dos melhores autores africanos de língua portuguesa.

As colaborações musicais também são especiais e reconhecíveis para nós: Stewart Sukuma e Costa Neto de Moçambique; a nossa musa Aline Frazão e também Mario Rui de Angola;  Quiné Teles, António Pinto, Miguel Fevereiro, João Lucas de Portugal;  o brasilego Fred Martins do Brasil; Kepa Junkera do País Basco e Anxo Pintos como representante da Galiza entre muitos outros nomes. Mesmo lusopata, pois não?

7 abril, 20h30 no Teatro Principal de Compostela

A festa do fim do mundo

corasons

Ah pois é amigalhaços! parece ser que o mundo vai acabar na sexta-feira, assim que desejo a todos um bom pré-Natal, porque Natal, ao Natal mesmo, acho que não vamos chegar. Já sei que há pessoas que não gostam de Natal, que chamam de Solstício e outras tangas, mas é a festa mais importante do ano na cultura europeia, é anterior ao cristianismo e eu gosto mesmo.

Esta quadra chega com muita boa coisa para lusópatas ferrenhos como a gente, na quinta-feira, no Teatro Colón da Corunha (eu já fui muito feliz nesse sítio) há uma festa, a Corasons, onde mais de vinte artistas do país, do Brasil, Portugal e Angola vão apresentar as músicas que nos unem, na sexta 21 e no sábado 22 a festa continua no auditório da Ramalhosa, no município de Teu. São mais de vinte artistas, ora nem mais, unidos na amizade e juntinhos por causa da grande Uxía Senlle, promotora do espectáculo. Mas a ideia surgiu da fotógrafa Isabel Leal, que no seu site Quem vê Corações recolhe textos e fotografias de “corações ao acaso” que se observam na natureza ou pintados. A Uxía propôs à Isabel Leal fazer uma exposição e surgiu a ideia de fazer um concerto de músicas que falam do coração.

Pois é isso que se pretende, falar do coração, já há um concerto gravado na Ilha de Arousa com estes artistas todos a fazer o seu melhor, e teremos um livro-disco que tenha também as fotografias e ainda um documental de Francisco Abelleira. E já agora, se o mundo não terminar na sexta, o lusopatia não se faz responsável.

Outubro ou nada, Estou lá

festival estou lá

cartaz do Estou lá

Como bem sabem os leitores deste nosso blogue, vai acontecer em Ourense o XVIII Colóquio da Lusofonia, e em paralelo com este evento, entre outras coisas temos um festival de música lusófona o Estou Lá. Essas músicas e letras que nos unem vão soar bem alto e para ser ouvidas, da África, Europa, Brasil e até da Palestina, a língua chega a todo lado.

O encontro é o sábado 6 de Outubro no Auditório Municipal de Ourense, e os bilhetes estão à venda e custam 12 euros. O festival enquadra-se dentro também da FITO, o festival internacional de teatro de Ourense e é fruto da parceria da AGLP, da Pró-AGLP, do pelouro da cultura da Câmara Municipal de Ourense (seja quem for a vereadora na altura que isto está feio mesmo) e também da Agal.

Entre os artistas temos algumas novidades para conhecer e os suspeitos do costume. Entre as novidades está a cantora guineense Eneida Marta, nascida na Guiné-Bissau mas radicada em Portugal, é uma das mais vibrantes vozes africanas dos dias de hoje. Eneida mistura a sua notável voz com ritmos como o Gumbé, Tina, Singa, Djanbadon, Afro-beat e cantando em Mandinga, Fula, Crioulo, Futa-Fula… combina as raízes da sua origem com a vibracidade dos arranjos de Juca Delgado, um dos mais importantes produtores de música africana em Portugal.

Najla Shami já é uma referência na Galiza, tive ocasião de a ver na versão reduzida dos Cantos da Maré em Ourense, com origens galegas e palestinianas, foi vocalista em distintas formações com uma grande variedade que abrange do jazz, à bossa nova e à musica experimental.

Os Couple Coffee são um duo brasileiro que já vi no Auriense, têm muita força e talento, a pesar do evidente handicap de contar apenas com voz e baixo. Fazem bons covers e os temas próprios são temperados com uma voz que acompanha e um baixo que canta. Deles não há vídeo que é muito vídeo para um post.

Ainda, e como estrelas da companhia, entrarão em palco Xoán Curiel e o João Afonso, vamos continuar à espreita.

João Afonso e Fred Martins em digressão


Já começou, não vai ser surpresa para muitos, mas para as pessoas que, como eu, só se apercebem das coisas depois delas terem acontecido, fiquem a saber que ainda vão a tempo de assistir a um dos concertos que o João Afonso e o Fred Martins vão dar pelo país fora. O dia 23 estiveram na Casa das Crechas em Compostela, a quinta dia 2, estão no Ultramarinos, também na capital nacional, o dia 4 no bar Liceum do Porrinho e o 5 de Maio ruma o João Afonso sozinho para o Clavicémbalo, em Lugo.

Datas não faltam, vontade também não, e ainda que nunca fui apreciador de canção de autor, quem gostar, tem aqui uma bela oportunidade com uma das vozes mais importantes de Portugal, João Afonso. Na verdade o seu primeiro e último nomes são João Lima, mas ele nunca quis desertar do nome do meio, o materno, e esconder que é sobrinho do José, o Zeca, um ícone e Portugal e não só. Depois de começar carreira em 1996, não parece que seja preciso ir à sobra de ninguém, nem de ser submetido a injustas e arbitrárias comparações. Com uma sonoridade corajosa, que arrisca misturar clarinete, guitarras eléctricas e cavaquinhos o resultado é uma música própria, do João Afonso. Ainda por cima podemos desfrutar dele a contracenar com o “nosso” Fred Martins, um brasilego que não por ter aparecido muito por este blogue vamos deixar de recomendar.