Cerveira em Vigo

O romancista russo Ivan Turgueniev dizia que A arte de um povo é a sua alma viva, o seu pensamento, a sua língua no significado mais alto da palavra; quando atinge a sua expressão plena, torna-se património de toda a humanidade, quase mais do que a ciência, justamente porque a arte é a alma falante e pensante do homem, e a alma não morre, mas sobrevive à existência física do corpo e do povo.

Se quiserem dialogar com essas almas falantes de um povo, fiquem a saber que desde amanhã até ao dia 13 de janeiro poderem ver na sede do Centro Cultural Camões em Vigo uma seleção de 12 obras da Bienal Internacional de Arte de Cerveira. Elas são também 12 visões estéticas diferentes de artistas portugueses/as e espanhóis/espanholas (Acácio de Carvalho (PT), Alberto Vieira (PT), Álvaro Queirós (PT), Ana Vigidal (PT), Carlos Casteleira (PT/FR), Henrique do Vale (PT), Joana Rêgo (PT), Manuela Bronze (PT), Ricardo de Campos (PT), Rosa Ubeda (ES), Sobral Centeno (ES), Vasco Sá-Coutinho (ES)

O horário é de segunda a sexta-feira das 10h30 às 14h e das 16h às 18h30.

 



O melhor do festival de curtas de Vila do Conde

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O melhor do Festival de curtas de Vila do Conde do ano passado chegará a Vigo na próxima semana. No dia 4 às 20h teremos a oportunidade de ver seis curtas premiadas no Centro Cultural Camões.

Posso dar-vos informações sobre algumas delas graças a algumas pesquisas da net:

  • Madness, João Viana. Fita ganhadora na categoria de documentário. Trata-se de uma curta-metragem a preto e branco que conta a história de uma jovem mulher, uma paciente de um hospital psiquiátrico em Moçambique, que está na procura do filho. A mentira de um trabalhador, que afirma não ter visto a criança, numa das poucas linhas do filme é que desencadeia uma série de atos de rebelião de Lucy, a mãe, reforçando assim a aparente necessidade de mantê-la confinada.
  • Fry Day, Laura Moss. Ganhadora na categoria de ficção. Conta a história de uma adolescente dos EUA que vende fotos Polaroid na véspera da execução do serial killer Ted Bundy. Com esse evento macabro como pano de fundo, a realizadora cria, segundo a crítica, “uma aventura de amadurecimento muito tensa, tristemente triste”.
  • Min Borda (The burden), Niki Linddroth. Foi o prémio do público em 2017. Andei a procurar e verdadeiramente confesso que gostei muito do visual. É um musical sombrio encenado num mercado moderno, situado ao lado de uma grande rodovia. Os funcionários dos vários espaços comerciais lidam com o tédio e com a ansiedade existencial ao realizar alegres giros musicais. O apocalipse é um libertador tentador.
  • A brief history of Princess X, Gabriel Abrantes. Vi esta curta no ano passado (ou há dois?) no Curtociruito. Recomendo vivamente. É dessas cenas inquietantes e que fazem refletir sobre a arte. Um olhar sobre a história da “Princesa X”, um falo futurista dourado de Brâncusi, esculpido em bronze, que é na verdade um busto da sobrinha-neta de Napoleão, Marie Bonaparte. Parece mentira, mas não é.
  • A glória de fazer cinema em Portugal, Manuel Mozos. Um filme produzido propriamente pela produtora do festival. É, por assim dizer, uma homenagem aos realizadores e profissionais da sétima arte que passaram, nos últimos anos, pelo festival.

Vamos fazer de Vigo uma cidade das luzes, das luzes da cultura, não do Natal!

Senza no Agosto na Ria

O vinho está na moda e ligar o vinho à música parece que ainda mais, porque a cena de fazer “festivais” em adegas, caves, navios ou durante degustações de vinhos está a crescer. Upa, upa, puxador, como naquele vídeo dos Gato Fedorento. E até…talvez estas coisas todas sejam kunami. Sabe-se lá.

Pronto, digo isto porque uma marca de vinhos organiza um festival, Agosto na ria, que decorre todo o mês dentro de uma goleta que sulca a Ria de Vigo com música ao vivo, mariscos e vinhos.

Em parceria com Instituto Camões e Marqués de Vizhoja, a empresa Bluscus traz amanhã os Senza, que já tivemos a oportunidade de vê-los no Feito a Man.

Esta banda de músicos viajantes e formados na Índia deve mesmo sentir-se como peixe na água com um espetáculo literalmente em movimento.

Vejam como é que foi a experiência da dupla de Aveiro em Goa.

Amanhã, dia 31, às 20h!

Podem comprar os bilhetes e ter mais informações nesta ligação.

PoemaRia com participação portuguesa

poemaria Entre hoje, amanhã e depois de amanhã poderemos entrar em contacto com a lírica atual de vários países da Europa. Este é o terceiro ano consecutivo para o festival PoemaRia em Vigo, um projeto ainda muito jovem que pode chegar a ser um referente como o já muito conceituado Festival de Poesia no Condado ou outras propostas de dimensões mais modestas, tipo o Festivalo de Manselhe, em Dodro.

Qual é o toque distintivo do PoemaRia? a resposta não poderia ser mais atual e mais justa: dar um espaço às vozes líricas femininas.

Se forem procurar informações sobre o evento em jornais galegos ou locais, verão que durante parágrafos só se fala de literatura hispânica. Achei isso bastante sintomático, sendo Dores Tembrás quase a anfitriã e tendo como espaços para o festival a Praça do Abanico, o Instituto Camões e a Casa Galega da Cultura. Em fim…comecei a escrever o artigo com uma finalidade, que é dizer-vos que haverá participação portuguesa.

Andreia C. Faria e Elisabete Marques marcarão presença amanhã e toda a gente pode ir lá ter, porque a entrada é livre. A primeira fará uma leitura a dois com a escritora irlandesa Anamaria Crowe Serrano no Centro Camões às 21h30.

Andreia C. Faria nasceu no Porto, em 1984. Publicou em 2008 o seu primeiro livro de poemas, De haver relento (Cosmorama Edições), em 2013 Flúor (Textura Edições) e em 2015 Um pouco acima do lugar onde melhor se escuta o coração (Edições Artefacto)

A Elisabete Marques lerá no mesmo dia na Praça do Abanico às 22h30 textos com a galega Miriam Ferradáns, na secção Poetas através do Minho. Pelo que cheguei a saber na net, a poeta portuguesa vem definida como uma lufada de ar fresco na nova geração de poetas e o seu lirismo tem uma estética muito pessoal e singular. Publicou Cisco (Mariposa Azual) e Animais de Sangue Frio (Língua Morta). Neste último poemário faz uma alegoria do mundo e da fauna que o povoa.

Vão lá e apoiem a literatura em feminino!

 

 

As raízes de Pessoa na Galiza

No Dia da Língua Portuguesa não há nada melhor do que revisitarmos a nossa história e ligações culturais.

A Ginjinha, Inês de Castro, o galo de Barcelos e, agora também Pessoa, têm antecedentes na Galiza. E se a nossa história fosse contada doutra maneira?

O professor de Literaturas Lusófonas, Carlos Quiroga, prova neste livro a árvore genealógica galega do poeta, a origem do heterónimo Alberto Caeiro e a relação que isto tem com Alfredo Guisado, poeta galego esquecido da Geração Orpheu.

Hoje, no Centro Cultural Camões de Vigo, às 20h.

Street Art Street Photo

foto urbana

De 30 de outubro a 13 de dezembro poderemos ver uma exposição fotográfica de artistas ibéricos/as no Centro Cultural Camões de Vigo.

Street Art Street Photo reune fotógrafos/as espanhóis e portugueses que tiveram no seu objetivo a arte urbana de Vigo. A nota mais inovadora desta exposição é que todos os autores são por sua vez instagrammers e foram nesta rede escolhidos para o projeto. Se tiverem conta no Instagram podem acompanhar a obra destes artistas, eu já mergulhei nessas fotografias e foi uma experiência muito positiva. Tomem nota:  @rodrymendonca, @kitato, @joao.bernardino @diogolage, @lemleite, @raquelcalvino, @passtiche, @mjpereira, @mevisualartist @patriromero, @jorgelens e @rober.delatorre

Da mesma maneira que a arte urbana é efémera, modificável e podemos ser partícipes dela, a arte urbana que é carregada nas redes reune todos este valores para além de mostrar as obras para um público mais extenso e poder ter um feedback mais direto.

Instagram pode não ser apenas uma rede para carregar duck faces, também é um foco irradiador da arte.

 

Sessão de curtas em Vigo

Não sei bem o que foi feito daquele festival de animação que havia em Lalim, o Anirmau, alguém se lembra? O facto é que já estava com saudades de uma boa coleção de curtas. Desde o Curtocircuito não voltei mais com isto.

No dia 13, isto é, esta quinta, o Centro Cultural Camões de Vigo vai projetar em colaboração com a Portuguese Short Film Agency várias curtas metragens portuguesas de animação. Também estará lá a realizadora da curta Três semanas em dezembro, Laura Gonçalves.
Não precisam de apanhar bilhete nenhum, portanto, quem por lá estiver pode aproveitar e ficar a par da situação das curtas da 25ª edição do Festival de Curtas de Vila do Conde, pois isto é uma amostra desse evento.

Luísa Costa Gomes em digressão

luísa costaPor vezes todas as coisas se conectam. Acontece. Há vezes que não ouvimos um nome em meses e outras que parece que aquele nome ou aquela palavra nova que acabámos de aprender nos acompanham.

Aconteceu-me nestes dias com Luísa Costa Gomes. Estou a ler Cláudio e Constantino no meu clube de leitura e agora sei que ela faz uma espécie de digressão por faculdades e escolas de idiomas da Galiza. Podem conferir no cartaz que ilustra este post para verem a data e lugar que mais lhes convier.

Costa Gomes é uma escritora, tradutora, professora e dramaturga portuguesa nascida em Lisboa. Publicou 5 romances, 6 volumes de contos, 2 librettos e 10 peças de teatro.

Sem abandonar a atividade docente, ela faz também oficinas de escrita e monitoriza clubes de leitura no ensino secundário.

Foi responsável também pela edição da revista Ficções, que tinha por objetivo a divulgação do conto universal e local. Publicava textos clássicos da tradição contística, textos inéditos de autores estrangeiros, encomendava inéditos a autores portugueses consagrados e dava a conhecer inéditos de novos autores portugueses.

Nesta semana andará pela Galiza para dar o seu ponto de vista sobre os caminhos da literatura portuguesa nas nossas terras e também para trocar opiniões a propósito do seu último romance, Cláudio e Constantino. 

Corunha, Betanços, Compostela, Vigo e Ponte Vedra…marquem presença!