Lusopatia entrevista Capicua

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Hoje o Lusopatia está de parabéns! Conseguimos entrevistar a Capicua, a estrela do rap português. Tomara que este fosse o espoletar de muitas outras entrevistas!

Ela sobe a palco hoje às 20h no Teatro Principal. Estávamos curiosos/as com alguns aspetos da sua visita e aí foi que perguntamos…

  1. Lusopatia: Há tempo que o público galego estava à espera da chegada da Capicua aos nossos palcos. Qual foi a reação quando soube destes prémios?

Capicua: Fiquei muito feliz porque também eu estou há muito tempo à espera para tocar na Galiza! Estou ansiosa!

  1. L: Sabemos que é a primeira vez que a Capicua canta na Galiza. Tem alguma ideia a priori sobre nós?

C: Já fui à Galiza algumas vezes e a ideia que eu tenho é que não há grandes diferenças culturais entre os galegos e a gente do norte de Portugal. É um mesmo povo e portanto sinto-me sempre em casa quando aí estou.

  1. L: A Capicua identifica-se muitas vezes com a voz da mulher do norte. Como é que é essa mulher?

C: Em Portugal há esse mito da “mulher do norte”. Diz-se que as mulheres do norte são muito espontâneas, aguerridas e senhoras de si. Que são desbocadas, respondonas e dizem alguns palavrões… E como eu acho piada a essas características e acho que são muito aconselháveis a qualquer mulher, brinco muitas vezes com esse “rótulo”. Mas acredito que há “mulheres do norte” em todo o lado e isto acaba por ser mais uma brincadeira do que outra coisa!

  1. L: Fale-nos do Cantinho das Aromáticas e do seu último projeto, Mão Verde.

maoC: O “Mão Verde” é um disco de música para crianças que fiz em parceria com o Pedro Geraldes (guitarrista da banda Linda Martini). São 12 canções muito engraçadas, que falam sobre a natureza, alimentação, agricultura e ecologia. O disco vem acompanhado por um livro, com ilustrações da espanhola Maria Herreros e com algumas notas informativas, que explicam o conteúdo das canções e que foram feitas com a ajuda do Luís Alves (um agricultor do Porto que tem uma grande produção de ervas aromáticas). Essa quinta chama-se “Cantinho das Aromáticas” e, além de ser totalmente orgânica e muito premiada internacionalmente, está aberta ao público que a queira visitar!

  1. L: Esta é a primeira vez da Capicua na Galiza. Será que algum dia poderemos vê-la numa pequena digressão de concertos?

Espero que sim! Tudo depende dos convites que nos vão fazendo! Tenho mesmo muita vontade de percorrer a Galiza e partilhar a minha música com quem partilha do mesmo idioma e da mesma raiz cultural!

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Salas de concertos da Galiza, por favor, não percam a oportunidade de terem esta artista convosco. Música e intervenção numa mesma pessoa.

Gabriel o Pensador no Revenidas

cartel revenidas 2016 No início pensei que era simplesmente um boato, mas quando vi o cartaz…fiquei maravilhada.

Este é um verdadeiro Brinde à amizade, onde a Galiza, até que enfim, materializa-se no mundo lusófono. Obrigada, Revenidas.


Gabriel o Pensador, um dos rappers de referência da década de 90 no Brasil, virá à Galiza. E como a minha vida é uma contínua lei do desperdício, ele chega numas datas em que não poderei vê-lo. Não tenham dó de mim, esta que escreve já o viu em palco duas vezes: há dois anos no Festival o Sol da Caparica (Almada) e no ano passado no Festival Aveiro é Nosso.gabriel-o-pensador

A primeira vez que o vi era no mês de agosto, numa noite que qualquer mulher do Norte (por exemplo, eu) definiria como noite de calor. O homem estava a cantar vestido de kispo, não quero nem imaginar o frio que vai passar no Revenidas.

Quando eu comecei a gostar do Gabriel? bom, para alguém que estudou Filologia e andava nas noites compostelanas mais genuínas, Até quando? é um dos hinos do Avante e aí foi que a coisa começou para mim. Depois de tê-lo ouvido pela primeira vez, perguntei quem é que ele era, escrevi o nome num papel e fui no dia a seguir (ok, uns dias a seguir, que a noite também me destruía) a discos Gong para comprar um compilatório. Sim, eu comprava cd’s. E com todas estas informações, acabei de reparar na minha idade, já não sou criança. Hoje com um telemóvel na mão faria isto tudo muito mais rápido, mas na altura havia aquele charme das coisas não-imediatas, e tinhas que ir a uma loja, falar com o lojista e “namorar o cd”.

Depois do compilatório, vieram outros cd’s e letras. Músicas que ainda andam na minha app do telemóvel e que uso quase como temais motivacionais. Se tivesse que escolher uma (uma!) canção…qual escolhia? está difícil. Gosto muito de Solitário surfista (com o Jorge Ben Jor), Sem crise, Tás a ver, Linhas tortas, Assaltaram a gramática…todas têm alguma coisa que me faz refletir. Mas…eu fico com Muito orgulho, meu pai, porque é uma letra que me traz recordações muito boas. Fala de paternidade e dos ensinamentos que um pai deixa nos filhos e eu tenho um fraquinho por esse tema. Deixo-vos com o vídeo. Vejam e ouçam a letra porque é autobiográfica e aparecem o pai e o filho do Gabriel.

E como será vê-lo num palco galego? como falará? improvisará algumas músicas com Malandrómeda? contem-me tudo e brindemos à amizade!

Dia 19, às 22h, no palco Mahou. Revenidas!!!

Mundo Segundo (Dealema)

Nunca antes me tinha acontecido, confesso.

Como sabem, Compostela está em festa. Estes dias andei em concertos e atividades. Noutros anos não ligava muito à programação “oficial” da cidade e andava por espaços mais alternativos. Desta vez reparti melhor o meu tempo e deu para ver um pouco de tudo. Tenho que dizer que é a primeira vez que gosto mais da proposta do concelho do que das outras. Quero dar os parabéns por uma programação variada onde há espaço para muitas propostas estéticas.

Ontem na Quintana senti com os Linda Martini e Kumpania Algazarra que aquela era a minha sintonia, porque como dizia Adrião Solóvio, num dos nossos melhores bildunsroman, “ser galego, é ser universal”.

imagesMas isto não acaba ainda, amigos e amigas. Até para uma pessoa como eu, que adora rap e hip-hop, isto ainda está para começar!

Capicua, M7, Boss Ac, Bob da Rage Sense, Sam the Kid e Dealema são daqueles nomes do hip-hop que vale a pena decorarem.

Dealema é uma banda de Vila Nova de Gaia/Porto, uma área que deu ao panorama musical luso muitos artistas relacionados com este género urbano. É dos grupos mais antigos do hip-hop português, levam a “representar” desde 1996 demonstrando que também bom hip-hop pode ser feito na língua de Camões. Há 18 anos que se mantêm no ativo com a mesma formação e para quem estiver distraído esclareço que Mundo Segundo é um dos seus integrantes. MC e produtor é um dos mais antigos embaixadores do movimento. Sem abandonar a sua banda de filiação, também cria músicas a solo e colabora com outros artistas como Sam the Kid.

Amanhã, em Vite, pelas 20h chega Mundo dos Dealema para dar o seu melhor e mostrar o seu flow num entardecer de hip-hop.