O lugar da mulher em Moçambique

image-1 Cochol Gomane é um nome que já apareceu duas vezes no Lusopatia. A primeira vez foi na Semana Galega de Filosofia. Agora temos uma segunda e esperamos que não seja a última vez dele neste blogue.

Gostamos dele. Gostamos porque descentraliza o universo lusófono: é moçambicano; gostamos porque no Lusopatia nem tudo é fado: ele é filósofo e gostamos porque trata temas de género.

Oxalá tivesse que escrever notícias sobre eventos deste género mais vezes. Bem haja para a relação Cochol Gomane/Galiza!

Nesta segunda, dia 27 de abril, pelas 18h, dará uma palestra na Sala de Atos da EOI de Lugo para falar sobre a questão do género e o lugar da mulher em Moçambique. Quem me dera andar por Lugo!

Khanimambo, Cochol Gomane.

Victor/Victoria. O género

Acho que todos e todas conhecem este título cinematográfico, pois não? Vou refrescar memórias…
A história acontece em Paris em 1934. Victoria Grant é uma cantora lírica que está no desemprego e conhece Carroll Todd, um cantor homossexual que tinha sido recentemente demitido. Ela tem dificuldades económicas e por isso articula um plano com o Carroll: far-se-á passar por um homem. Mascara-se e adota o nome de Victor para trabalhar como transformista num cabaré. Mas a farsa corre o perigo de ser descoberta quando ela se apaixona por um gângster.
Victor/Victoria desenvolve uma ideia, para mim, muito atraente: a transgressão de género, de identidades, de regras…
A história retorce os limites entre homem e mulher e oferece uma visão nova: o género pode ser uma performance.

O género gramatical pode ser também transgredido. A incorporação da mulher a trabalhos anteriormente desempenhados só por homens fez abrir um debate não só laboral, mas também linguístico. Existe um masculino genérico? existe uma linguagem não sexista? Língua é pensamento e durante anos ocultamos a presença da mulher no discurso.

Vamos retomar o fio da meada. Como se forma o género gramatical? quero transgredir esta explicação, se me permitirem.
Tradicionalmente sempre explicamos como uma palavra é flexionada de masculino para feminino. Vou fazer ao contrário. Um truque de magia nunca antes visto: de feminino para masculino! obrigado obrigada

  • A regra principal é que as palavras que no feminino acabam em -a, no masculino acabam em -o: amiga/amigo. Vamos dar agora umas exceções à regra, como sempre!
  1. Existe um grupo de palavras que no feminino têm o final em -a, mas no masculino acabam em consoante: inglesa/inglês, senhora/senhor, boa/bom.
  2. As palavras que no feminino acabam em -eia, no masculino acabam em -eu: ateia/ateu. (exceções: ré/réu, judia/judeu)
  3. As palavras femininas em -ã, são em masculino em em -ão: capitã/capitão. Se estivermos a falar em aumentativos ou despetivos, isto muda: solteirONA/solteirão, mocetONA/mocetão.
  4. Existe um bloco de palavras, com irregularidades também, como em todas as línguas: galinha/galo, rainha/rei, duquesa/duque, fêmea/macho…
  5. E este é o grupo de palavras que vai por livre: as palavras invariáveis: ela está contente/ele está contente, ela está só/ele está só…