Dom La Nena no Gaiás

“Atardecer no Gaiás” é já um dos planos do verão para qualquer “picheleiro/a” de gema.

A Cidade da Cultura é desses elefantes que as cidades têm infrautilizados e assim pelo menos, nem que seja a praça principal, ainda tem uma utilidade. Prós: vermos o entardecer lá é incrível. Contras: se não tiveres carro, como eu, estás lixado/a, porque as conexões de transportes são péssimas. Mas esta é uma dessas situações em que os prós vencem os contras.

Amanhã às 21h, na praça principal, teremos o concerto da brasileira Dominique Pinto aka Dom La Nena.

A jovem violoncelista de Porto Alegre sentiu a necessidade de homenagear os artistas que mais admirava durante a sua gira com o disco Soyo em 2015. Começou assim como quem não quer nada a fazer covers nos seus concertos e daí saiu o seu EP Cantando, com músicas em português, inglês, francês e espanhol gravadas com a sua voz e um mínimo acompanhamento: o violoncelo.

Delicadeza, minimalismo e poesia para uma tarde de verão.

Anúncios

Teresa Salgueiro no Nexos

Eu não sou uma influencer. O tema do meu blogue não é tão maioritário como para eu ter milhares de fãs que me leiam e tentem seguir as minhas indicações. Quem me dera a mim criar modas!

Suponho que os e as influencers medem o seu sucesso com o número de followers. Eu sou obrigada a contar as pequenas vitórias doutra maneira.

Um dos meus momentos estrela no Twitter foi há pouco, no ano passado, quando a Teresa Salgueiro retwittou uma notícia minha. Logo disso…vieram coisas que ninguém lê e tweets aborrecidos, mas, olhem…já consegui um bocadinho de atenção por parte de alguém talentoso.

A Teresa volta à Galiza no marco do ciclo Nexos que decorre em Compostela, na Cidade da Cultura, este sábado às 12h. Se no ano anterior foram abordados temas arquitetónicos, esta será a vez da música.

Sam the Kid, na sua canção Poetas de Karaoke, faz algumas críticas à visão que o pessoal tem sobre a música portuguesa dentro do próprio país. Concordo com ele, até acrescentaria à sua opinião a ideia completamente vaga que nós temos sobre o que lá é produzido musicalmente. O país vizinho é mais do que fado e rancho folclórico e isto é uma teima constante no meu blogue, já sabem. Neste ciclo Nexos falar-se-á sobre fado, nova canção portuguesa, jazz, worldmusic…enfim, o vasto panorama musical que Portugal oferece. Tomemos como exemplo os Madredeus, a antiga banda da Teresa Salgueiro, faziam worldmusic em português e acho que são um dos grupos que mais têm repercutido internacionalmente nos últimos anos.

Dentro do programa do Nexos está agendada às 12h uma entrevista sobre estes temas com a cantora e às 13h há um concerto “surpresa”. Adivinhem só…

Se tiverem crianças podem ir com elas porque o ciclo propõe uma versão infantil com pequenos ateliês para os miúdos.

Apenas vou dizer duas coisas: preparem os 3 euros para o bilhete e…faz-me retweet, Teresa!

 

 

 

António e Cleópatra de Tiago Rodrigues

Começando fevereiro temos no Gaiás o festival Escenas do Cambio, um evento que normalmente une os melhores dançarinos e performistas das duas margens. Desta feita, o diretor e escritor português Tiago Rodrigues leva a palco à dupla de  coreógrafos Sofia Dias e Vítor Roriz com o espetáculo António e Cleópatra. Já conhecíamos o Tiago de anteriores edições deste festival, por causa da sua peça By Heart.

Tiago Rodrigues reescreve em forma de performance uma das tragédias amorosas históricas mais conhecidas, a do romance entre a rainha do Egito e o general Marco António, já escrita por Shakespeare.

Depois de ter triunfado em Avignon, Tiago Rodrigues traz esta peça a Compostela hoje às 20h30 no Gaiás.

Podem ver como é que foram os ensaios.

Oficina de danças galego-portuguesas

No dia 29 de abril, dia internacional da dança, temos por aí uma atividade linda para fazer.pes de lan

Na Cidade da Cultura há oficina de danças galego-portuguesas com motivo do dia internacional da dança e também…da chegada da primavera. É isso aí! primavera é luz, alegria e dança.

Quem disse que começar uma coisa pelos pés era uma má ideia? que melhor para conhecer uma língua que achegar-se a uma cultura.

Para participarem da oficina devem fazer antes uma inscrição. Façam. Façam e dancem. Quem dança seus males espanta.

Teatro, Dança e Arte em ação no Gaiás

escenas015_cabe_web2

De 28 de janeiro a 13 de fevereiro decorre o Festival “Escenas do cambio” (sic) no Gaiás. Já agora, não gosto do nome, mas gosto é (e vocês sabem) de ter a oportunidade de criar posts de temática muito diferente e este evento…dá muito jeito.
Há tempo que tenho a secção LusopatizArte às moscas e precisava mesmo de uma notícia assim. Não é só um festival interdisciplinar, mas também um catalisador de novas criações e artistas vindos de toda a parte.
O programa é muito completo e atraente. Selecionaremos, como é costume, as criações lusopatas para vocês:

  • 28 janeiro, 20h30: Jaguar, Marlene Monteiro Freitas. Jaguar é o nome que se dá a alguns cavalos, uma dança e um espetáculo de marionetas.

Marlene Monteiro Freitas, nascida em Cabo Verde, traz à dança a abertura, a impureza e a intensidade. A sua maneira de dançar tem seduzido públicos muito variados e antecipa um mundo futuro: caos, hipnose e velocidade.

  • 3 de fevereiro, 18h30, sala2: Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas, Joana Craveiro e Teatro do Vestido.

Anuncio-vos que esta é uma peça documental de 4h de duração. Ficaram apavorados? Não fiquem, há um jantar incluído no bilhete! Esta é a minha grande aposta: um documentário com testemunhos de pessoas comuns sobre as memórias oficiais e não-oficiais da ditadura salazarista e da revolução dos cravos.

Ganhadora do Festival de Almada 2015, (algum dia viverei lá), a peça coloca muitas questões: o silêncio, o silenciamento, a história oficial e a não-oficial.

  • 5 de fevereiro, Mordedores, Lucía Russo e Marcela Levi.

A coreógrafa carioca Marcela Levi e a coreógrafa argentina Lucía Russo criam no Rio de Janeiro um novo trabalho com o carimbo de Improvável Produções. A discórdia e a violência são os motores criativos e a pulsão que move cada corpo.

  • 6 de fevereiro, In-organic, Marcela Levi.

A performista carioca não descansa e traz para o festival uma peça a solo. Compostela será o marco para uma estreia europeia do espetáculo.

Uma peça sobre a autonomia, as ações rituais e domésticas e as pequenas violências das relações humanas. Conceito e brutalidade nunca estiveram longe. Uma performance inscrita na melhor tradição da arte brasileira, de Lygia Pape a Hélio Oiticica.

Então já têm eventos para marcar na agenda. Não esqueçam que “quem dança seus males espanta”

 

A literatura portuguesa depois da revista Orpheu

Nexos016_OrpheuUm século de literatura a debate. O que foi feito na literatura portuguesa depois do Orpheu?

Amanhã revisitaremos as melhores páginas. Três momentos literários à volta da língua portuguesa: o Orpheu, com Pessoa e Sá Carneiro; Herberto Helder e a sua poesia e as novelas de Lídia Jorge.

A sessão será na Biblioteca da Galiza, no Gaiás amanhã a meio-dia e está co-organizada pelo Instituto Camões. Nela vão participar os investigadores António Cardiello (Casa Fernando Pessoa) e Rosa Maria Martelo (Universidade do Porto), além da própria Lídia Jorge, que nos explicará in situ a sua obra.

O professor Carlos Quiroga recitará também textos selecionados.

Como complemento temos outra atividade, uma projeção cinematográfica: As deambulações do mensageiro alado (1969). Edgar Gonçalves Preto cria um filme onde surge Herberto Helder, que mimetiza títulos de algumas das suas obras, num contexto em que é posta em causa a sociedade portuguesa da época, sob a ditadura.

 

By heart, de Tiago Rodrigues

by heart

Aprender coisas de cor é um valor bastante socrático que se perde na atualidade.

Sócrates foi um grande filósofo que trabalhava com a memória, pensava que a escrita podia aparvalhar as pessoas, porque com ela não se exercitava o cérebro. Este recordado filósofo não deixou nada escrito, não sabia ler nem escrever.

Dentro do marco da programação do Gaiás Escenas do cambio, poderemos ver amanhã a peça de Tiago Rodrigues, de Mundo Perfeito.

By heart é uma expressão anglófona que significa “de cor”, “de memória”. A expressão em inglês e português tem a mesma origem e o significado etimológico seria “aprender de coração” porque para os romanos era mesmo aí que as recordações moravam.

By heart é mais uma peça de participação pública, tal como aconteceu com outras que vinham no programa deste inverno. Dez participantes terão que decorar um soneto de Shakespeare e declamá-lo no palco. Misturando histórias da sua família com narrativas reais e ficcionais, Tiago Rodrigues recorda-nos a importância de saber textos de cor.

Amanhã, pelas 20h30 no Gaiás. Não escrevam isto num papel, simplesmente decorem-no.