Roupa velha

Este não é um artigo sobre modas, não. Vou falar em culinária.

Não sei vocês, mas eu tenho a casa cheia de sobras da consoada. A minha irmã levou uma marmita de comida para a sua casa e eu…ainda tenho reservas lá na cozinha.

Cada povo tinha antigamente muitas receitas para aproveitar a comida. As fajitas no México, os croquetes em Espanha, a empada na Galiza…e hoje queria falar-vos da roupa velha. Esta obra mestra da cozinha é o triunfo da racionalidade e do aproveitamento de recursos. Dantes pouco ou nada ia ao lixo.

Em Cuba e outros países latinoamericanos existe a ropa vieja que é um prato típico com carnes. Na Galiza também temos (ou tínhamos) a roupa velha que aproveita os excessos do lacão ou cozido. Já no norte de Portugal, o prato do mesmo nome tem como ingrediente a matéria prima de tantos pratos portugueses: o bacalhau. Se repararem, a receita do Bacalhau à Brás tem uma filosofia muito parecida, porque era um prato de “cozinha heroica”: a culinária dos pobres que não tinham muitos recursos para comprarem grandes postas de peixe.

A roupa velha portuguesa é um prato típico feito com as sobras do bacalhau da consoada e era uma coisa ligada às famílias mais pobres. Era comido no dia mesmo do Natal. Hoje isto já não é assim e o prato funciona como entrada, antes de comer o prato de carne (peru, cabrito…)

Por acaso, o bacalhau com couve é ainda uma tradição na consoada na minha casa. E nas vossas?

Esta receita do Pingo Doce é facílima e usa os mesmos ingredientes que a minha mãe coloca no bacalhau. Económico e simples. Vejam logo.

Nós em casa regamos com vinagre, temperamos com pimenta e salteamos. Antes de servir adicionamos azeite, azeitonas e salsa picadinha. Está uma delícia e sempre se poupa.

E agora foi que me lembrei também desta canção do Fausto, se acompanharem a letra, podem ver que fala disto mesmo.

Bom apetite!

Eu viajo de comboio

Sou uma pessoa que não tem carta de condução e, mais ou menos, consegue viver. Pode parecer utópico, mas consigo viver.

Num dos desenhos animados da minha infância: a Volta ao mundo em 80 dias, o Sr. Sullivan desafiava o cavalheiro do Clube da Reforma Londrina chamado Willy Fog a dar a volta ao mundo em só 80 dias. E ele aceitava.
Eu tenho desafios bem menores, mas não deixam de ser desafios. Ando de autocarro e de comboio para chegar a algures. Grandes jornadas metida em transportes públicos fizeram com que amasse os arquivos em mp3 e as páginas para ler. De qualquer jeito, aproveito a ocasião para agradecer todas as boleias que o pessoal me dá. Mas é assim, uma viagem de transportes é uma situação perfeita para começar uma leitura ou ouvir um CD inteiro (já agora, há quanto tempo não fazem isso?)

No campo semántico dos meios de transporte dão-se algumas diferenças entre o português europeu e o brasileiro.
*Ir/viajar/andar:
-a pé
-de bicicleta
-de mota
-de carro
-de balão
-de barco
-de avião
-(Pt) de autocarro/ (Br) de ônibus
-(Pt) de comboio/ (Br) de trem
-(Pt) de elétrico/ (Br) de bonde
-(Pt) de camião/ (Br) de caminhão

Já viram que com os meios de transporte usamos a preposição DE: “eu viajo de barco”, menos nas expressões “ir a pé” e “ir à boleia”. No entanto, quando falamos de horários usamos a preposição EM: “vou no comboio das 16h30”

Se quiserem, podem descarregar um ficheiro PDF com o vocabulário dos transportes e outras dicas:
meios de transporte
Para consolidarem o aprendido é bom jogar este jogo com nomes e imagens.

Deixo uma canção: Comboio Malandro, do Fausto. E agora vou apanhar o meu. Chegarei a horas?