Curtocircuito 2016

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O regresso às aulas é definitivo, mas estamos a viver uma época um bocado estranha. Está um calor de morrer em Compostela e aquela visão outoniça da locomotiva das castanhas ainda não apareceu. O guarda-chuvas continua no bengaleiro e os casacos…pronto, os casacos nem vê-los!

Ainda bem que voltou o Curtocircuito para nos lembrar a realidade: outubro está mesmo pertinho. Entre 3 e 9 do corrente mês teremos uma boa seleção de filmes para ver.

Como é costume, faço-vos uma seleção das curta-metragens lusófonas.

Nas secções que vão a concurso, temos:

  • Radar 1, 3 de outubro, Teatro Principal, às 20h15.

Excursões, Portugal-Canadá. Uma curta sobre guias turísticos, Lisboa e encontros por acaso.

O pássaro da noite, Portugal-França. A curta-metragem mais esperada por mim. Cada vez que visito Lisboa tento ir ao Finalmente, um local onde atua Fernando a.k.a. Deborah Krystal. Esta curta fala-nos da sua vida e metamorfoses.

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  • Radar 4, 7 de outubro, Teatro Principal, 20h15.

NYC 1991, Portugal. Filmada em super 8 na cidade de Nova York em 1991, poderemos ver graças a esta curta todos os passos que a nossa sociedade deu.

  • Radar 5, 8 outubro, Teatro Principal, 20h15.

A brief story of a Princess X, França-Portugal-Reino Unido. Trata-se de uma breve história sobre a escultura do mesmo nome, Princess X, do escultor Constantin Brancusi. Vejam a foto…não, não vou dizer mais nada.

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Nas secções fora do concurso, temos também:

  • Explora 2, 4 de outubro, Teatro Principal, às 18h30.

Cabeça d’asno, Portugal. Um exercício experimental que mistura a narrativa de um diário com um ensaio sobre a natureza das imagens.

  • Explora 3, 5 de outubro, Teatro Principal, 18h30.

Exodus, Portugal- Países Baixos. Uma evocação da paisagem e das viagens onde Provost parece andar. A técnica é quase como a de uma apresentação de slides.

An aviation field, Portugal, Brasil, EUA. A história de um campo de aviação na periferia de algum lugar desconhecido.

 

Em secções paralelas temos toda uma seção dedicada à brasileira Ana Vaz, que já apareceu pela Galiza com motivo do Play-Doc. O Curtocircuito recolhe em duas sessões a obra completa da brasiliense, sempre em volta de duas linhas temáticas: o ambientalismo e o colonialismo.

Assinalo-vos aqui as obras onde o Brasil ou Portugal é produtor.

  • Púlsar Ana Vaz 1, 5 de outubro, Numax, 22h.

Sacris Pulso: baseada no texto Brasília de Clarice Lispector, a curta-metragem dá conta do positivo e negativo da história da cidade, sempre a caminho entre a memória e o esquecimento.

A Idade da Pedra, França-Brasil. Uma viagem ao extremo ocidental do Brasil leva-nos a uma estrutura monumental. Curta-metragem inspirado na construção épica da cidade de Brasília.

  • Púlsar Ana Vaz 2, 7 de outubro, Numax, 22h

Occidente, França-Portugal. Este foi o documentário que passaram no Play-Doc. Podem ler o argumento cá.

Amérika, Bahía de las Flechas, Brasil- República Dominicana. Uma história ambientalista do marco da baía de Samaná aonde, pelos vistos, Colombo chegou e foi recebido por montes de setas enviadas por índios taínos. O antes e o depois com a câmara como flecha.

 

Noutras secções especiais haverá um espaço para o português Pedro Maia onde poderemos ver toda a filmografia dele.

No Numax no dia 6 de outubro às 20h haverá uma sessão inteira dedicada ao autor para ver: Memory, Arise (Zona), Plant in my head, Love & Light, Dare-Gale, Inventário, You and I, e Drowned in the water light.

Outra das secções especiais é SexTapes, onde são exibidos filmes que visam fazer-nos refletir. Dentro disto, está Spunk do português António da Silva. Trata-se de uma obra experimental onde os protagonistas realizam as suas fantasias sexuais. Poderemos ver esta obra no Numax o dia 5 às 20h.

 

Mas o Curtocircuito não é apenas cinema, é também música e eventos.

Equations é uma banda que já esteve connosco no ano passado no Wosinc. Esta vez os portuenses repetem, voltam a Compostela para tocar o seu  space rock e pop psicadélico. Podem ouvi-los no dia 8 na Sala Capitol às 21h30.

inkomodoNo dia 7 de outubro, no Riquela Club, poderemos ir ao concerto dos Dragão Inkómodo. O coletivo La Melona volta ao ataque e traz esta banda de Lisboa. No seu Bandcamp, é notório o uso (des)equilibrado de colagens de som, algum plunderphonics e muito nonsense.

Começam a tocar na meia-noite.

O Vila do Conde Soundsistem é um evento que tratá o melhor da música do festival de cinema de Vila do Conde ao Riquela Club da rua do Preguntoiro. Miguel Dias e Sérgio Gomes espalharão os ritmos do ghetto-funk, glitch-hop e future beats o sábado 8 às 02h30.

 

Depois disto…não falem de aborrecimento. Apaguem essa palavra do vosso vocabulário!

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Wosinc…também lusófono

imagesWosinc é um encontro anual com caráter interdisciplinar que visa ser um epicentro da vanguarda, um espelho onde muitas tendências são refletidas. Neste corrente mês Compostela vai irradiar música, ideias e novos conceitos entre os dias 11 e 13.

Que um encontro como este tenha também um cantinho para a lusofonia é uma marca de país. Se o Wosinc fosse em Múrcia…acham que haveria este interesse? estes (re)encontros indicam uma sensibilidade muito própria e uma necessidade que na Galiza é cada vez maior: o contacto com os países de fala portuguesa.

ficha_wos_LLParte da lusofilia deste festival é devida a Lovers and Lollypops. Eles são um pequeno selo discográfico e também uma promotora musical sediada em Barcelos, uma cidade que cada vez me dá mais surpresas quanto ao seu valor dinâmico e cultural. Não, Barcelos não é apenas galos.

Lovers and Lollypops criaram o Milhões de Festa e têm ajudado muitos artistas lusos a iniciarem um caminho e terem  projeção, sempre da ótica da criação independente. Para este evento eles trazem um showcase para festejarem os seus 10 anos em andamento e outras muitas bandas do seu selo discográfico que resenho nestas linhas.

  • Vamos com a calendarização de concertos, que é o que interessa.

-Sexta-feira 11, Pega monstro, Fundação Granell, 19h: tocaram no nosso festival de Poesia no Condado, na  Festa do ficha_wos_pegaAvante e agora voltam à Galiza porque deve ser que nós sabemos tratar bem das visitas. Já lhes tínhamos dedicado umas linhas por causa da sua aterragem em Salvaterra, mas para vos refrescar as ideias diremos que são duas irmãs lisboetas com músicas bombásticas que cada vez estão a ocupar um lugar maior no garage internacional. Um projeto auto-editado e empoderado.

No mesmo dia na Fundação SGAE a promotora portuguesa Lovers and Lollypops traz todas estas bandas, algumas delas já conhecidas para nós, outras uma nova descoberta:

-00h30, Filho da mãe & Ricardo Martins: falar de Rui Carvalho e Ricardo Martins é falar de coisa séria. Eles não são ficha_wos_FFuns Zé-ninguém no panorama independente em Portugal. Cada um deles andava em vários projetos musicais e decidiram experimentar, reunir-se e o resultado foi Revolve, um disco singular. Querem saber mais? não percam a performance que eles têm no showcase de Lovers and Lollypops.

-01h20, Equations: depois da estreia com o álbum Frozen Caravels (L&L, 2012), Equations, uma garage-band de integrantesficha_wos_EQUATIONS novinhos, faz um volte-face e começa de novo. Medo do segundo disco? não acho, porque não ficaram a falar com os seus botões e Hightower (L&L, 2014) é a porta de entrada ao synth pop, ao rock espacial de Amon Düul II. Este último trabalho tem selo também de Lovers and Lollypops e ajudinha do Moullinex.

-02h10, Black Bombaim: falámos deles com motivo do festival Osa do Mar e frisamos que a banda de Barcelos dá um BB-por-Joana-Castelo1toque de charme, modernidade e vanguarda à cidade, que cada vez ocupa um lugar maior e mais relevante entre as nossas linhas. Barcelos é…ouro, ouro de mina.

Raros dentro do panorama luso, por fazerem rock instrumental, contam com horas e horas em palcos e estradas. Os Black Bombaim ainda estão com energia depois de quatro discos. Far Out (2014, L&L) é o seu último lançamento.

-03h, L&L soundsistem é a banda dos Lovers and Lollypops qua vão fazer um show com motivo dos seus 10 anos nos palcos.

Ouçam este depoimento e adivinhem o que agora está por vir…

  • No vasto programa do evento também há palestras. No sábado dia 11, às 13h no CGAC começa o colóquio Por amor à arte. Quatro promotoras independentes entre as quais está Lovers and Lollypops (Joaquim Durães) debatem e analisam as chaves que levam a transformar uma ideia num projeto criativo.

Depois não digam que com setembro acaba o verão…