Salvador Sobral, Compostela e Lorca

O poeta Federico Garcia Lorca viajou muitas vezes à Galiza, até encenou La Barraca na Praça da Quintana. Há quem não saiba que compôs seis poemas na nossa língua, publicados pela editorial Nós e prologados por Blanco Amor. Alguns deles têm como localização Santiago de Compostela.

De um lado temos este poeta e do outro um pianista e músicos: assim é que encaixam todas as peças do puzzle Lorca namorado. O espírito de quem encenou La Barraca em 1932 volta à cidade em forma de espetáculo-homenagem.

O pianista Abe Rábade musicou estas composições do poeta de Fuente Vaqueros e amanhã, às 22h, poderemos ouvir ao vivo como é que ficaram esses arranjos. Vão ser misturados ritmos de música tradicional, jazz e flamenco assim como danças.

Alguns cantores da Galiza interpretaram estas letras. Temos o caso dos Luar na Lubre e o legado do Narf: as suas interpretações do Madrigal de Santiago são umas joias que ainda não sei se merecemos.

Amanhã, teremos as vozes do Salvador Sobral, Kiki Morente, Arcangel, Marcelo DoBode e Davide Salvado. Com efeito, o cantor português que já nos conquistou no Ari(t)mar interpretando poemas de Celso Emilio volta a Compostela e todos e todas estamos em pulgas para vê-lo! O lisboeta cantará o poema lorquiano dedicado a Rosalia. Fusão das boas. Lorca namorado! Atrevo-me com uma resposta também literária: e vou namorada.

Batida em Compostela

batidaBatida…como dizer…hummmm…é kuduro de intervenção. Mexer os pés pode ser também um passo para a justiça social e Pedro Coquenão sabe disso.

Pedro Coquenão é desses homens faz-tudo: produtor de rádio, vídeo e música. Podemos ver Batida no palco e pensar que o projeto são muitas pessoas, mas por trás disto está só ele. Nascido no Huambo é uma das vozes mais contestatárias com a situação política que Angola atravessa.

Eu não tive oportunidade de vê-lo no Womex em Compostela, mas sim que vi Batida no festival O Sol da Caparica, em Almada, e posso-vos dizer que foi uma das bandas que mais me surpreendeu: dança, imagem, performance e mensagem. Fiquei de boca aberta e com os pés a doer de tanto que dancei. Quando o vi subir a palco soube que aquele não iria ser só um concerto, seria um canto de liberdade política pelos presos angolanos. E foi mesmo isso.

Que bom que Batida venha a Compostela, que bom que seja com o Davide Salvado e que bom que seja de graça.

 

No dia 6 de maio, às 21h30 na Quintana, com o galego Davide Salvado.