Primavera do cine em Vigo

primavera

Amanhã começa o Festival Primavera do Cine em Vigo e o Centro Cultural Camões acolherá uma mostra de curtas lusófonas durante estes dias. No Auditório Municipal de Vigo temos duas longas, uma delas Cartas da guerra, que eu recomendo vivamente pela sua relação com a literatura.

Infelizmente, soube neste momento que houve há dias uma mostra prévia de cinema brasileiro…já não chegamos. De qualquer maneira, coloco cá o programa por se estiverem interessados/as noutras atividades.
Debruço-me sobre as informações e confesso que não está fácil escrever este artigo. Há tantos filmes de que vos tenho que falar que nem sei por onde começar! Pronto, como todas as coisas… inventarei um princípio, mesmo que seja caótico.

  • curtas:

O forasteiro, Diogo Cronemberger. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. É a história de Carraimundo, que, no sertão do Piauí, Brasil, luta contra o obsessivo mundo cíclico da violência em que está preso.

Flores, Vado Vergara e Henrique Bruch. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. É uma curta produzida por alunos/as e diplomados/as do curso de Produção Audiovisual (Teccine), da Escola de Comunicação, Artes e Design, está a marcar presença em festivais internacionais. A curta aborda o crescimento de grandes centros urbanos e mercado imobiliário enquanto pessoas são despejadas destes espaços que estavam ociosos e acompanha o dia de dois jovens que buscam compreender a relação afetiva que os une. Um deles, artista visual, partilha a casa ocupada com uma mulher trans de 70 anos viciada em drogas e busca a realização profissional noutra cidade.

Deusa, Bruna Callegari. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Deusa trabalha como funcionária cobrando impostos na ilha onde mora. Habituada a ver o movimento dos viajantes, nunca tinha pensado na sua própria vida até que uma baleia encalha na praia. Deusa observa a baleia e acha nisto uma metáfora de si mesma.

Em algum lugar, amanhã, André Siqueira. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Um encontro entre dois estranhos e as fantasias ocultas que os permeiam. Ela, uma mulher infeliz no casamento. Ele, o dono de uma alfarrabista, um homem sensível e poético. A curta retrata a relação de pessoas que mal se conhecem, mas que, inexplicavelmente, se sentem subitamente atraídos um pelo outro. Um filme que fala sobre as escolhas que fazemos a cada momento e como elas podem influenciar nossa vida para sempre.

O menino e o louco, Júlia Ferreira. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Um menino viaja e reencontra-se com duas amigas gémeas. Começa a visitar a casa delas para tentar protegê-las do seu pai doido.

Vidas cinzas, Leonardo Martinelli. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. Trata-se de um falso documentário que denuncia a atual crise no Brasil.

Mãe querida, João Silva Santos. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Matilda é uma adolescente assombrada pela morte do pai e maltratada pela sua mãe alcoólica, Susana. Um dia, decide pedir ajuda a uma bruxa.
Esta curta tem o Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2017.

A gente nasce só de mãe, Caru Roelis. (Brasil). Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Emilly, uma rapariga de 17 anos vive num bairro na periferia com dois irmãos mais novos e o filho recém-nascido. O filme segue algumas horas na vida da jovem, mostrando-nos as delicadas e complexas relações de família e de poder que atravessam o quotidiano da jovem, cuja vida é devastada por uma tragédia que se aproxima.

Katharsis, Mirela Kruel (Brasil). Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Abatida pela amnésia, Clarice entra num teatro para fazer um teste. Hermes, diretor da peça, ldiz-lhe que é preciso mais do que atuação para interpretar tal papel. Na visão dele, ela precisa sentir que é a personagem. Confundindo a ficção que a atriz pensa estar a viver no palco, ela começa a se lembrar de fragmentos da sua própria história.

O vestido de Myriam, Lucas H. Rossi. (Brasil) Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Em meio a uma casa pacata no interior rural do estado do Rio de Janeiro, um casal de idosos convive com as limitações da velhice. Divaldo compartilha a sua solidão com Myriam. Ela morre durante o sono. Após o enterro, ele manifesta o luto de forma peculiar.

  • curtas de animação:

Estilhaços, José Miguel Ribeiro. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Um filme sobre a forma como a Guerra se instala no corpo das pessoas que a vivem olhos nos olhos. E, depois, a milhares de quilómetros e dezenas de anos decorridos, contamina, como um vírus, outros seres humanos.

Água mole, Laura Gonçalves e Ale­xan­dra Rami­res. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Os últimos moradores de uma aldeia resistem-se a serem esquecidos. O progresso avança…conseguirão ficar na aldeia? Água mole em pedra dura…

Solito, Gabriel Mayer. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Um morador de rua caminha pela cidade com a sua única companhia, a Solidão, um monstro fantasmagórico que o segue por todo a parte.

Tocadora, Joana Imaginário. (Portugal) Exibições: 10 de maio, 18h00. Por equívoco, ela bebe a água de lavar os pincéis e transforma-se em desenho. A partir daí o mundo do quotidiano e o mundo da criação dançam à roda de um armário. Lá dentro, cada momento, cada memória e cada ação tornam-se únicos. Enquanto um livro cresce e se torna real, seguimos a Tocadora no seu processo criativo como percurso imaginado.

-É preciso que eu diminua, Pedro Serrazina. (Portugal) Exibições:10 de maio, 18h00. É o clip de vídeo do novo single de Samuel Úria. Que bom voltar encontrar o Pedro entre as nossas linhas!

Surpresa, Paulo Patrício. (Portugal) Exibições: 10 de maio, 18h00. Surpresa é uma curta animação documental feita usando uma conversa gravada (isto é, sem ação, não ensaiada, não roteirizada) entre uma mãe, Joana, e sua filha de três anos, Alice, que se está a recuperar de um cancro renal. Ambas falam – abertamente e francamente – sobre a doença, a suas atuais circunstâncias, lutas e sucessos.

-The voyager, João González. (Portugal) Exibições:10 de maio, 18h00. Um pianista vive numa grande cidade e sofre de agorafobia. Ele é confrontado com a necessidade de sair de casa para se reabastecer de medicamentos.

  • longas

Cabra, marcado para morrer, Eduardo Coutinho (Brasil). Exibição: 9 de maio, 19h30, no Auditório Municipal de Vigo. Este documentário tem a honra de abrir o festival, a obra fala de um líder camponês, João Pedro Teixeira, que é assassinado por ordem dos latifundários do Nordeste.

Cartas da guerra, Ivo Ferreira (Portugal). Exibição: 11 de maio às 22h no Auditório Municipal de Vigo. Baseada no livro homónimo de Lobo Antunes que recolhe as cartas que um jovem soldado português enviou de Angola à sua mulher entre os anos 1971 e 1973 durante a Guerra Colonial.

O filme tem muitos prémios e reconhecimentos nacionais e internacionais. Um luxo.

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Sessão de curtas em Vigo

Não sei bem o que foi feito daquele festival de animação que havia em Lalim, o Anirmau, alguém se lembra? O facto é que já estava com saudades de uma boa coleção de curtas. Desde o Curtocircuito não voltei mais com isto.

No dia 13, isto é, esta quinta, o Centro Cultural Camões de Vigo vai projetar em colaboração com a Portuguese Short Film Agency várias curtas metragens portuguesas de animação. Também estará lá a realizadora da curta Três semanas em dezembro, Laura Gonçalves.
Não precisam de apanhar bilhete nenhum, portanto, quem por lá estiver pode aproveitar e ficar a par da situação das curtas da 25ª edição do Festival de Curtas de Vila do Conde, pois isto é uma amostra desse evento.

Fic Bueu

fic-bueu-2014Adoro fazer artigos que são a consequência de ter descoberto uma coisa nova. Este é um deles. Até há uns dias não sabia que em Bueu havia também um festival internacional de curta-metragens. A alegria foi ainda maior quando vi que entre as peças selecionadas também havia propostas lusófonas.

O Fic Bueu conta com sete edições (ok, sim, soube que existia muito tarde mesmo) e esta parece ser a de mais sucesso, porque chegaram 930 filmes à fase de pré-seleção. A proposta é pois culturalmente muito diversa.

De 8 a 13 de setembro poderão ver curtas muito variadas, com o compromisso de que cada dia há pelo menos uma curta de animação. Mas há que destacar um facto: muitas das curta-metragens que chegaram representam dramas e dramas protagonizados por miúdos, talvez isto possa servir para fazer-nos refletir.

Na brochura que o festival reparte, podemos ver os horários e o elenco de fitas que vão passar. Confiram aqui.

E assim, em curtas doses, o Lusopatia propõe três curtas de Portugal e Brasil que não vão deixar ninguém indiferente. De temas sociais a temas intimistas, cá está a nossa aposta lusópata:

  • amanhã, dia 8, Brasil: A Fábrica, um drama de Aly Muritiba. O filme retrata o dia-a-dia de um preso (Metruti) e a intenção de convencer a sua própria mãe (Lindalva) a burlar a segurança local para lhe trazer um telemóvel.

<p><a href=”http://vimeo.com/26964792″>A Fábrica (with english sub)</a> from <a href=”http://vimeo.com/grafoaudiovisual”>GRAFO Audiovisual</a> on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

  • terça, dia 9, Brasil: Meu amigo Nietzsche, uma comédia de Fáuston da Silva. Conta história de um menino (Lucas) que encontra num aterro sanitário da periferia de Brasília um livro do filósofo alemão do século XIX Friedrich Nietzsche (Assim Falava Zaratustra) que faz uma mudança radical em toda sua vida revolucionando a sua mente, a sua vida a da sua família e dos seus amigos. Ao final ele não será mais um menino, será uma dinamite!

Esta foi a proposta que mais gostava eu de ver pelo argumento, que achei fora do comum.

<p><a href=”http://vimeo.com/79532028″>Meu amigo Nietzsche</a> from <a href=”http://vimeo.com/edivandjs”>Edivan</a&gt; on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

  • sexta, dia 12, Portugal-Roménia: Luminita, drama de André Marques. Dois irmãos que não se comunicam há anos encontram-se no funeral da sua mãe, onde têm de lidar com a sua família de luto, as suas obrigações enquanto filhos e os seus próprios sentimentos de perda.

Não percam a oportunidade de ver estas curtas com o som do mar de fundo!

Anirmau

Não é fácil encontrar um festival de animação, ainda menos de curtas de animação, mas eles existem. Hoje queremos dar conta do Anirmau, uma iniciativa cultural de grande destaque, numa cidade pequena como Lalim, e organizada ainda por um Liceu, o Aller Ulloa. O Anirmau, mais do que um festival, define-se como uma iniciativa de pedagogia, que visa fomentar os conteúdos de audiovisual no ensino secundário.

Este ano, porque ainda que não sabíamos já é um festival bem situado na programação cultural da zona de Lalim, o Anirmau vem com muitas propostas de curtas de animação. A pouco tempo que dediquem a ver a programação, vão encontrar muitas propostas de filmes falados em português. No concurso oficial temos a produção galego-portuguesa “O sapateiro”, realizada por David Doutel e Vasco Sá, “Os olhos do Farol” de Pedro Serrazina e “Viagem a Cabo Verde” de Pedro Miguel Ribeiro – à que já tive ocasião de assistir no OUFF e realmente vale a pena. Mas não se fica por aqui, existe uma secção chamada curta-metragem educativa na que destacamos “A única vez” de Nuno Amorim, “Bats in the Belbry” de João Alves ou “Caixa” dos Brasileiros Paulo Muppet e Luciana Eguti. Mas há muitas mais nesta e na secção de multimédia.

Hoje podemos começar por ver um pequeno excerto de “O Sapateiro”, filme que resulta do trabalho em parceria das produtoras Sardinha em Lata e IB Cinema, que venceu a primeira edição do prémio SPA/Vasco Granja, da XI Monstra — Festival de Animação de Lisboa, que distingue o melhor filme de animação português de 2011. Os autores são portuenses e formados na Católica, o filme fala de um sapateiro embrulhado entre as memórias da sua vida e a sempre presente profissão, que vive um momento crucial na sua existência.

Não se esqueçam de 9 a 14 de Abril, nos cinemas Filmax de Lalim e no I.E.S. Aller Ulloa.