Grândola na USC

Neste blogue temos falado sobre conexões históricas entre a Galiza e Portugal no 25 de Abril. Celeste Caeiro ou Durán Clemente ocupam muitas linhas dos nossos posts. Uma conexão histórica é também o facto de que o hino da revolução portuguesa fosse estreado na USC no ano 1972, e este é um dado que muitas pessoas desconhecem. Não é por acaso que tenhamos no coração do câmpus compostelano centros sociais e parques com o nome do cantor do Grândola.

Neste 2022 fazem-se 50 anos daquele concerto emblemático e nesta terça às 19h a Faculdade de Filologia da USC organiza uma homenagem. Deixo-vos cá o cartaz com o programa.

O ato tem duas partes. Como abertura haverá um colóquio entre diferentes testemunhas ou responsáveis daquele concerto do Zeca em Compostela. Zélia Afonso (viúva do cantor), Maite Angulo (fez parte do grupo de estudantes que organizou o concerto), Emilio Pérez Touriño (que apresentou aquele evento), Francisco Fanhais (presidente da AJA) e Suso Iglesias, jornalista que conduzirá o colóquio.

A parte mais festiva será apresentada pelo Carlos Blanco e contará com as vozes da Uxía, João Afonso (sobrinho do cantor), Nacho-Faia-Lar, Couple Coffee e Xico de Carinho.

Sempre Zeca na Ilha

O festival O mar numa flor não é sol de pouca dura, devagar devagarinho sagrou-se como um dos eventos lusopatas do verão na Ilha de Arouça.

Neste ano o espaço na programação para conteúdos lusófonos é bem maior dado que amanhã há uma homenagem ao Zeca com vários artistas da nossa comunidade linguística. Então, se derem um saltinho até ao Auditório às 21h, poderão lá ver o António Zambujo, Uxia, Carlos Blanco, Budiño, Couple Coffee, Sérgio Tannus, Quiné e João Gentil.

Como grande parte dos nomes em negrito são já habituais entre as nossas linhas, vou hoje apresentar o Quiné e o João Gentil porque estreio tag para eles.

Joaquim Manuel Ferreira Teles aka Quiné é um baterista e percussionista português. Talvez com o dado de ele ter feito parte de Brigada Víctor Jara o conheçam melhor. Tem colaborado numa data de projetos musicais que o levaram a conhecer muitos países e a atingir fama internacional. Atualmente dirige o projeto eletroacústico Da Côr da Madeira.

O João Gentil é de Cantanhede, mas muito cedo emigrou com os pais à Suiça, onde logo se sentiu magnetizado pelo poder da música. Lá em Lausanne integrou a ORCADE e no seu regresso a Portugal, com 11 anos, frequentou o Conservatório de Música e andou em ranchos folclóricos. Terminou por ser professor de acordeão e a sua carreira hoje tem um percurso internacional.

Ele identifica-se como acordeonista e músico, mas não se considera um virtuoso ou um homem de concursos e grandes exibições. Pode-se dizer que vive a música como lhe vai na alma.

Amanhã, vozes de cá e de lá para homenagear o nosso Zeca. Não percam!

Traz outro amigo também II


Cedeira iniciou o ano passado um caminho ao organizar o I Festival de música Galego-portuguesa Traz outro também. Colheram os frutos e semearam de novo porque este verão voltam com forças para a segunda edição. Durante três dias haverá palestras, ateliês e concertos.

No dia 15 de junho têm um ateliê de danças africanas e o concerto do Luiz Caracol.

No dia 16 há um ateliê de canto alentejano com Celina da Piedade e os concertos dos brasileiros Couple Coffee e da nossa Uxia.

No dia 17 temos já como colofão final o concerto da Celina da Piedade.

Vão lá e levem um amigo também!

Outubro ou nada, Estou lá

festival estou lá

cartaz do Estou lá

Como bem sabem os leitores deste nosso blogue, vai acontecer em Ourense o XVIII Colóquio da Lusofonia, e em paralelo com este evento, entre outras coisas temos um festival de música lusófona o Estou Lá. Essas músicas e letras que nos unem vão soar bem alto e para ser ouvidas, da África, Europa, Brasil e até da Palestina, a língua chega a todo lado.

O encontro é o sábado 6 de Outubro no Auditório Municipal de Ourense, e os bilhetes estão à venda e custam 12 euros. O festival enquadra-se dentro também da FITO, o festival internacional de teatro de Ourense e é fruto da parceria da AGLP, da Pró-AGLP, do pelouro da cultura da Câmara Municipal de Ourense (seja quem for a vereadora na altura que isto está feio mesmo) e também da Agal.

Entre os artistas temos algumas novidades para conhecer e os suspeitos do costume. Entre as novidades está a cantora guineense Eneida Marta, nascida na Guiné-Bissau mas radicada em Portugal, é uma das mais vibrantes vozes africanas dos dias de hoje. Eneida mistura a sua notável voz com ritmos como o Gumbé, Tina, Singa, Djanbadon, Afro-beat e cantando em Mandinga, Fula, Crioulo, Futa-Fula… combina as raízes da sua origem com a vibracidade dos arranjos de Juca Delgado, um dos mais importantes produtores de música africana em Portugal.

Najla Shami já é uma referência na Galiza, tive ocasião de a ver na versão reduzida dos Cantos da Maré em Ourense, com origens galegas e palestinianas, foi vocalista em distintas formações com uma grande variedade que abrange do jazz, à bossa nova e à musica experimental.

Os Couple Coffee são um duo brasileiro que já vi no Auriense, têm muita força e talento, a pesar do evidente handicap de contar apenas com voz e baixo. Fazem bons covers e os temas próprios são temperados com uma voz que acompanha e um baixo que canta. Deles não há vídeo que é muito vídeo para um post.

Ainda, e como estrelas da companhia, entrarão em palco Xoán Curiel e o João Afonso, vamos continuar à espreita.

Falso amigo: folga

Heróis precisam é de um dia de folga. Sempre de cá para acolá, a salvarem pessoas, sem tempo para baterem uma soneca ou namorarem. Que stresse! Mesmo o Super-homem quer folgar.

Se repararem bem, “folga” tem a mesma raiz que “folgança”, “folgado” ou “folgazão”. Um dia de folga é um dia de descanso, não tem nada a ver com um protesto.

Amanhã este blogue estará inativo não por folga, mas por greve. Armar-nos-emos em super-heróis para lutar contra os vampiros.