O Festival Atlántica está de volta

Como sabe bem voltar a escrever artigos sobre eventos e termos novidades para anunciar. O Festival Atlántica é desses que já têm um espaço reservado no calendário lusopata. Para quem não souber, este é um evento internacional de narração oral, onde quase sempre alguém lusófono marca presença dentro do programa. Nesta ocasião temos dois narradores, um brasileiro e uma madeirense, esta última muito presente entre as nossas notícias sobre festivais deste género. Lembram-se da Sofia Maul? Se não me enganar esta será a quarta vez que nos visite. Agora, depois da minha experiência na Madeira, tenho ainda mais vontade de a ouvir. Com a Sofia chegam desta vez uns contos de arrepio virados para o público adolescente.

Dedicaremos então um bocado mais de tempo a falar do Thomas Bakk, porque é caloiro neste blogue. O Thomas nasceu no Rio de Janeiro, mas já quase podemos considerá-lo um português de gema, porque mora no país luso desde há mais de 20 anos. É formado em Arte Dramática. Entre os seus talentos está o canto, a interpretação, a poesia e o contar estórias, obviamente. Tem muitas obras publicadas como dramaturgo e até compôs com o artista brasileiro Lenine.

Ele leva estórias a escolas, hospitais, cárceres…e festivais de narração como este, onde poderemos vê-lo interpretar várias personagens em cena, porque é o seu selo interpretativo pessoal, por assim dizer.

Então, como já temos os nossos contadores apresentados, está na hora de falarmos da agenda. Marquem aí porque é uma oportunidade de ouvirem português fora dos ecrãs e isto há tempo que não acontece.

Thomas Bakk: Sexta 2 de julho, 11h30, Parque Eugenio Granell, Santiago de Compostela: contares que não calam, contos de bichos que falam. Público infantil +5 anos

Thomas Bakk com Marcelo Ndong: Sábado 3 de julho, 21h30, Parque de Bonaval, Santiago de Compostela: O que fazem os fang quando contam contos/ Contares doutras terras e mares (espanhol e português) Público adulto.

Sofia Maul: Domingo 4 de julho, 21h30, cemitério de Bonaval, Santiago de Compostela: Contos de arrepio. Público adolescente.

Consultem a página porque para alguns espetáculos é necessária uma reserva.

Sofia Maul e Susana Cecílio no 7 Falares

A narração oral terá como capital a cidade de Ponte Vedra os dias 7, 8, 9 e 10 de junho. Com a chegada da primavera somos muitos os e as lusopatas que esperamos este evento com incontida emoção.

O poder cativante das estórias é um íman para mim. Sempre gostei de ouvir a minha avó contar-me contos cada noite, alguns deles para me fazer adormecer, outros para me inculcar certas ideias religiosas…mas ela era uma rainha da narração. Suponho que teria gostado muito deste tipo de espetáculos.

Este ano o programa do 7 falares conta com a participação de países como os Camarões, Portugal e Espanha. Na parte galega temos o nosso Quico Cadaval e os Pavís Pavós a fazerem de anfitriões. Na parte lusa temos a contadora Sofia Maul, já conhecida por nós pelas suas participações no Festival Atlântica, e a Susana Celício, um nome novo entre as nossas linhas.

Sofia Maul, para quem não se recordar, é uma madeirense, terapeuta da fala, muito ligada aos projetos de narração oral Biblioteca Municipal de Oeiras, onde faz parte da sua “bolsa de contadores” e também ministra workshops.

Susana Cecílio é dessas pessoas que até parece que tem bicho- carpinteiro. Nunca para! Atriz, encenadora, contadora e palhaça nasceu em Lisboa no ano 1979 e é mestre em Estudos do Teatro pela FLUL. Vai ser a sua primeira colaboração na Galiza.

Então agora com estas informações todas façam o seu esqueminha de eventos do mês…que ainda restam muitas notícias culturais por dar!


Ler contos com diferentes sabores da nossa língua II

Chega aí uma segunda edição do Ler contos com diferentes sabores da nossa língua. Lembram-se? no ano passado na biblioteca Ánxel Casal de Compostela houve uma iniciativa conjunta da AGAL e da própria biblioteca para achegar as literaturas lusófonas aos miúdos (e também aos graúdos). Felizmente, o evento conta com uma segunda edição que decorrerá amanhã às 18h30.2016_04_23_2ªedición_Ler-contos-com-diferentes-sabores-da-nossa-língua

As pessoas que vão pôr voz aos contos são:

  • Angola: Sara Vongula
  • Brasil: Márlio Barcelos
  • Galiza: Ángeles Goás
  • Portugal: João Ribeirete

Vão a esta atividade e sejam felizes como petizes!

Ana Lage em digressão

ana lageAna Lage não é uma estranha para nós. Já falámos dela noutras ocasiões como no Festival Atlântica e gostamos muito de reescrever o seu nome nestas linhas.

Nesta semana fará uma mini-tour por escolas oficiais de idiomas da Galiza.

Amanhã estará na EOI de Vila Garcia às 20h e depois de amanhã na EOI de Ponte Vedra às 19h30. Quem perdeu a chance de vê-la em Compostela, agora tem a oportunidade de ouvi-la no seu melhor: com um público reduzido e entre alunos e alunas de português.

 

Ler contos com diferentes sabores da nossa língua

984296_646635455464390_1008701841489832732_nSermos duros de ouvido tem fácil remédio e uma deteção precoce.

No dia 26 de março na biblioteca Ánxel Casal em Compostela miúdos e graúdos poderão ouvir contos com diferentes sotaques lusófonos. Esta é uma iniciativa da AGAL e da própria biblioteca para achegar as literaturas, culturas e léxico lusófono ao público infantil.

Ás 17h30 na sala infantil pessoas de Angola, Portugal, Galiza e Brasil lerão histórias dos seus países para os mais pequeninos. Deixo-vos cá quem representa quem:

Angola: Sara Vongula
Brasil: Vivian Rangel e Márlio Barcelos
Portugal: Joana Martins

A parte galega ainda é um mistério bem guardado, mas tudo o que é bom faz-se esperar.

No final da atividade a Joana Martins fará um ateliê para aproximar o léxico galego-português das crianças, por forma a elas terem um maior conhecimento e familiaridade.

Festival Atlântica 2015

Storyteller, cuentero/a, cuentacuentos, contador/a, conteur…e outras múltiplas vozes que definem esta profissão reúnem-se novamente num festival de narração oral.

Dizemos Olá mais uma vez ao festival Atlântica que chega este ano com contadoras por nós conhecidas por terem participado noutras edições.

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De 12 a 19 de março narradores de todas as partes do globo trarão as suas histórias para dar-lhes vida na Galiza. Junto com os nossos contadores (Pepo de Suevos, Quico Cadaval, Avelino González, Paula Carballeira, Celso Sanmartín…) estarão também vozes vindas da lusofonia: Sofia Maul e Ana Lage. Desta feita apenas temos duas portuguesas, outros anos o cartaz vinha bem mais carregadinho, mas mesmo assim fico feliz por termos estes pontos de encontro.

Sofia Maul e Ana Lage dão circularidade à programação porque abrem e encerram, nomeadamente, o festival. Podem consultar o programa e ver os participantes nesta ligação.

maxresdefaultA madeirense Sofia Maul é já “aluna repetente” neste evento. Participou na anterior edição e trouxe aquele dom da mestiçagem. Vai contar a história Explicação do amor no De catro a catro, em Vigo, o dia 12 de março às 21h. Não sei se este é um desses contos de protagonismo marcadamente feminino onde fala de mulheres em lavadouros da Madeira. Ando curiosa…

ana lageAna Lage é uma voz nova para nós. Minhota de nascimento e lisboeta de adoção é perita em literatura infantil. Leva histórias a todos os contextos da vida e é por isto que conta com regularidade em bibliotecas, escolas, hospitais e cárceres. Jogos da vida é o título do seu conto na Nave de Vidán. Dia 19 de março, às 22h.

Deem ouvidos a todas as histórias que ouvirem. Acreditem, que a fantasia é para isso que foi criada.

 

 

Festival Atlântica: mulheres e lusofonia

Cláudia Fonseca, Sofia Maul e Clara Haddad são três vozes lusófonas que ouviremos na próxima edição Festival Atlântica. A partir do dia 11 de março começam as narrações orais, que poderemos ouvir em locais de Compostela, Teu e Vigo. Estou muito contente com a programação deste ano: mais lusofonia e mais mulheres. São visibilizadas e conjugadas duas inquietações minhas.

Para quem não souber, o Festival Atlântica é um encontro de storytellers, por outras palavras, o que na Galiza conhecemos como “contacontos”. O evento é muito especial, porque quebra fronteiras mentais e linguísticas: um espírito atlantista invade a cena. Pessoas de um e outro lado do Atlântico, falantes de galego internacional ou de galego local, contam histórias de cá e acolá. O Festival Atlântica é vanguardista e pioneiro em rachar estruturas mentais porque considera a Galiza como um porto de mil quinhentos quilómetros de cais, um porto onde atracam histórias e culturas. O programa envolve isto e nem só, porque também há espaço para o debate e o colóquio sobre a criação literária.

Qual é a nossa proposta lusópata? vão lá ouvir Cláudia Fonseca, Sofia Maul e Clara Haddad.

ft.-Clara-215x197Clara Haddad. É atriz , produtora cultural e narradora profissional luso-brasileira mas as suas raízes estão no Líbano.
Conhecida internacionalmente pelo seu estilo próprio de narrativa, que inclui por momentos o uso do livro, tapetes narrativos e música. Tem realizado performances em vários países como: Brasil, Portugal, Espanha, Bélgica, França, Peru, México e Venezuela.

Sofia_Maul_cadro-215x197Sofia Maul. Madeirense descendente de alemães, suecos, americanos e ingleses tem como bagagem todas estas culturas para criar histórias. A sua ligação às línguas e aos contos é clara e evidencia-se na sua carreira: tradutora e terapeuta da fala. Ela prefere histórias “que vêm da pequena ilha no meio do Atlântico, onde volto sempre que puder para abraçar família e amigos, para contar e apanhar histórias e também para plantar dragoeiros e fotografar muito”

Claudia_Fonseca_Cadro-215x197Cláudia Fonseca. Nascida no Rio, mas nordestina de coração, mora em Portugal há mais de vinte anos. “Meus contos são de ir e vir, navegam entre Brasil e Portugal, entre o Nordeste brasileiro onde estão as minhas raízes, o Rio de Janeiro, onde vivi tantas e boas histórias e estas terras lusitanas onde me fiz narradora. Tantas formas de contar em português…”

Agora só resta saberem onde e quando. Vejam o programa.

A contar no Festival Atlântica

jorge serafim

Os melhores spots de Santiago de Compostela vão ficar cheios de estórias, contadores de todo o mundo invadem a capital nacional no festival Atlântica. Com uma programação virada adultos e crianças, mas também para o debate e a reflexão sobre a criação literária e a leitura. Num país profundamente à beira-mar plantado, como o nosso, a tradição oral tem uma importância enorme, gostamos de ouvir contos e de contar, é sempre um momento tão necessário, neste tempos de tanto barulho, no que uma pessoa conta uma história e os outros ouvimos.

O festival vai acontecer de 26 de fevereiro até 16 de março em muitas das melhores salas de Compostela, e vai contar com a presença de duas figuras da lusofonia, uma é o Jorge Serafim, já tive ocasião de o ouvir na saudosa Esmorga, em Ourense, e foi realmente uma experiência surpreendente, espontaneidade, humor e inteligência à mistura não deixam ninguém indiferente, alentejano de Beja, contador, humorista em stand-up comedy e narrador é uma cara bem conhecida dos portugueses pelas suas participações no programa “Levanta-te e Ri” da RTP2, com as suas estórias carregadas de humor. Ele vai estar 14 de março no Modus Vivendi às 20h30, sozinho, e o dia 15 às 21h30 no auditório da Galiza acompanhado do grande, enorme, Quico Cadaval.

Clara Haddad

A outra presença lusófona será a brasileira residente em Portugal Clara Haddad, contadora profissional e actriz, tem representado em inúmeros países europeus e americanos, com muito senso de humor conta histórias que ouviu e reteve da sua avó libanesa e outras que angariou nas viagens dela pelo mundo em onze anos de trajectória profissional, portuense desde 2005 participa em projectos não apenas culturais mas também no âmbito empresarial, a não perder no Pub Atlântico o dia 14 de março às 20h30.

Malas de contos

Bom domingo a toda a gente, é um bom dia, domingo, no que estamos em off, mas é óptimo para marcar coisas boas a fazer no futuro imediato, fica aqui uma sugestão, de uma actividade diferente e certeza que muito divertida. Os professores da Escola de Línguas de Compostela, como é hábito, organizam um outro acto para ficarmos mais próximos da cultura lusófona, para que nos resultem mais familiares outras pronúncias e podermos assim derrubar alguns muros. Na terça-feira dia 27, pelas 18:30, na sala de leitura da Escola, podemos ouvir o que tem para dizer o contador de contos alentejano Carlos Marques.

O espectáculo chama-se Mala de Contos, e tem como protagonista a Carlos Marques, ele está a contar contos desde 2005, mas tem um dilatado percurso como actor, formado em Estudos Teatrais, depois de ganhar as habilidades requeridas para contar histórias, começou na Universidade de Évora a fazer espectáculos de rua, e a frequentar Workshops, fazendo espectáculos nos que experimentou técnicas de Bufões, Clown, Commedia dell´Arte, Novo Circo e Biomecânica. Dai deu o salto para o Institut del Teatre, na Catalunha e depois trabalhou, já de regresso a Portugal, no núcleo de actores A Escola da Noite continuando, já com uma trajectória individual, em várias companhias como actor e encenador. Não vos vou ralar mais com as inúmeras experiências de um currículo muito bem preenchido. Chegados a este ponto, só resta saber que o projecto da Mala de Contos visa o trabalho com todos aqueles que apreciam ouvir histórias, por ser uma tradição oral genuína, e por colocar ao contador e ao ouvinte numa partilha mais íntima e pessoal. Nesta sociedade completamente atafulhada de informação, que nos conta muita coisa de uma maneira nada isenta, e que pelo seu excesso e falta de profundidade nos idiotiza, era bom ter uns bons momentos para ouvir coisas que estão perto de nós, sinceras, sem mais artifícios do que os da arte de contar.