Concerto de fado

A aprendizagem do português não só dá como fruto um bom domínio da gramática, quem já estudou numa EOI sabe disto. Cada turma é uma nova rede de amizades unida por um interesse comum, por outras palavras, cada turma é uma ilha lusópata.

Contaremos as coisas do início. Tudo começou quase como uma queixinha, sempre há quem dedure. O pessoal de básico de português da EOI de Compostela soube um dia que entre eles havia uma menina cantora de fados. Imaginem que grande sorte, estudar uma língua e ter essa oportunidade tão perto. Sara de Sousa tinha que cantar. Assim é que se inicia a ideia de fazer um concerto. De facto, o espetáculo é organizado pelo alunado da EOI.

Sara de Sousa, Paulo Gomes e António Reis conhecem-se de Meta-fado, projeto onde colaboram muitos fadistas galegos e portugueses. Uma ideia que visa derrubar muros culturais e espalhar o amor por este género musical, recentemente declarado património da humanidade. Os três têm uma dilatada experiência nos palcos por separado, mas só estão juntos há pouco, por isso não dispomos de material audiovisual da banda inteira, infelizmente.

O concerto será esta quarta, na Sala Capitol, pelas 21.30. Podem comprar os bilhetes (3 euros) na ReixaTenda.

Diz a canção que um “peito que canta o fado/tem sempre dois corações”. Façam contas esta quarta com a Sara.

Ugia e Fred no Santiautor

O segundo concerto da feliz união entre a Galiza e o Brasil, tendo como protagonistas a Ugia Pedreira e o Fred Martins, acontece dentro do festival compostelano Santiautor, no Pub SonaR de Compostela a quinta-feira 15 de Março pelas 22 horas, com bilhetes entre os 8 e os 10 euros. O festival já teve algumas edições anteriores e, como é hábito neste tipo de eventos musicais em inverno os concertos decorrem em diversos locais da capital nacional. O Santiautor começou com a actuação de Marwan e vai terminar dia 29 com Andrés Suárez, no meio, é o turno para Ugia Pedreira e Fred Martins que sentam como uma luva num evento que visa dar destaque a compositores e não bandas, sem voltar ao cliché antigo do “cantautor”. Para quem quiser ficar por dentro de tudo o que resta têm uma página no facebook, coisa que acho de mau gosto, pois é uma rede privativa na que não pode entrar toda a gente, é sempre melhor fazer um pequenito site, ou um blogue, haja menos preguiça.

Em relação ao nosso duo, muitos dos nossos lusópatas já conhecem e outros (certeza que mesmo quase todos) já os viram ao vivo, mas aconselho muito a repetir, fazem uma mistura entre música popular galega, bossa-nova e outros ritmos do Brasil, onde os sotaques, as palavras e os sons se confundem para fazer qualquer coisa de original que nos envolve logo à partida. Assistam porque é bem melhor ouvir que falar em música, ao que parece.

Pórtico do Paraíso

raquel alão

Para quem tiver o azar de não ser de Ourense, o Pórtico do Paraíso é um conjunto escultórico românico situado na entrada ocidental da Catedral de Ourense, que reproduz a estrutura da do compostelano Pórtico da Glória mas conservando mais hieratismo românico, apesar de ser posterior.

O nome do pórtico serve de mote para um festival de música internacional que desde 2008 traz a Ourense solistas e grupos de grande qualidade e que utiliza como cenários dos concertos locais menos habituais para receber estes eventos como a Sé, a igreja de Santa Maria Mãe, na de Santa Eufemia, no Liceu ou no Teatro Principal. Centrado na música sacra, acompanha ao festival uma série de eventos paralelos a não perder, como conferências e workshops.

O dia 6 de Março, terça-feira, na Igreja de Santa Eufemia do Centro, pelas 20:30 recebemos à soprano Raquel Alão e ao organista Daniel Oliveria. Raquel Alão estudou o curso de canto na Escola de Música do Conservatório Nacional e recebeu a nota de vinte valores em 2004.Ganhou o 3.º Prémio para Voz Feminina no Concurso Nacional de Canto Luísa Todi de 2007.Fez parte do Programa Jovens Intérpretes do Teatro Nacional de São Carlos, temporada de 2009/2010.Apresenta-se frequentemente em concerto, como solista, com diversos agrupamentos, orquestras e coros. Em Agosto de 2011 cantou a Rainha da Noite na ópera da Flauta Mágica de Mozart, no Seefestspiele Berlin.

Daniel Oliveira é licenciado em Musicologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.Estuda actualmente com João Vaz na Escola Superior de Música de Lisboa. Docente na Escola de Música de Torres Vedras, no agrupamento Visconde de Chanceleiros e no Atelier de Música Antiga de Alenquer. É actualmente organista titular do órgão histórico Bento Fontes da Igreja da Misericórdia em Torres Vedras e organista assistente na Basílica da Estrela em Lisboa. Apresenta-se frequentemente em concertos vários como solista ou em colaboração com vários agrupamentos e orquestras.

Cacimbo

Aline Frazão

Se estiveres a trabalhar num centro de ensino ou se tens a possibilidade de contactar, propor actividades na tua Câmara Municipal, numa associação cultural ou de moradores ou em qualquer sítio este é o teu post. Vamos apresentar um projecto protagonizado por uma das musas (ou a musa mesmo) do Lusopatia, Aline Frazão.

O projecto chama-se Cacimbo, e vem tender uma ponte entre a África e as nossas crianças. Cacimbo quer dizer inverno e é aí, na época do inverno angolano onde Aline encontra essa união inevitável entre as paisagens, a música, a fauna e a flora africanas e a nossa cultura. Cacimbo afinal é um workshop focado nas crianças entre os 9 e 12 anos, usando a variante da língua africana do português as crianças vão ficar mais próximas de uma outra realidade, que parece distante, mas que nos deixa com a certeza de que na nossa diversidade, as pessoas somos todas essencialmente iguais. Se quiseres contratar, ou conheceres alguém que possa estar interessado, contacta aqui.

E ainda com Aline, recordem que na 5ª 16 de Fevereiro, sobe a palco no Teatro Principal compostelano, desta vez, sozinha, e com um concerto só para ela vamos poder desfrutar do novo Clave Bantu, dentro do ciclo “Íntimo & Acústico” que organiza a Câmara Municipal da capital. Quem não morar em Compostela pode reservar bilhetes no info@culturaimperdible.com e para quem quiser comprar “ao vivo” os acessos estão à venda nos seguintes locais:

Teatro Principal (de terça a sábado, de 18h a 21h)
Casa das Crechas (Via Sacra, nº3)
A gentalha do Pichel (Santa Clara, nº21)
Trisquel (Acibechería, nº31)
Lilith (Rua Travessa, nº7)
M*Café e Copas (Fonte de Santo António)

Assinatura de Sal_ Aline Frazão from xavier belho on Vimeo.

The Gift

Antes de que a “Associação de Danificados pela Falta de Bilhetes de Concertos Anunciados no Lusopatia” nos ponha uma queixa-crime, vamos colocar um post sobre os The Gift, não porque seja uma das minhas bandas favoritas, mas porque na próxima quinta dia 2, de hoje a oito, têm concerto marcado no Teatro Principal de Compostela.

Pois é amigos, os The Gift voltam aos palcos nacionais depois de terem marcado presença o ano passado no Vigo Transforma. É bom não perder esta oportunidade, pois a banda de Alcobaça são junto como os Buraka Som Sistema, a formação de música popular mais cotada fora daquele rectângulo. Para quem não conheça eles fazem música pop-alternative e levam no activo desde 1994, embora só tenham saltado à ribalta portuguesa em 2004, quando a Antena 3 decidiu apostar em força no single “Driving You Slow”, foi todo um sucesso. Em 2006 chegou o seu primeiro grande hit cantado em português “fácil de entender”, nos últimos dois anos lançaram dois álbuns e o concerto vai estar dedicado na primeira parte ao “Explode” e a segunda ao “Primavera”, que foi gravado há pouco quase na íntegra no CCB.

Uma outra coisa boa para comentar é que a capa do Explode foi eleita na 27ª posição entre as capas de discos de 2011 pelo site Art Vinil, é linda mesmo, confira aqui.

Para quem não puder ir por ser uma quinta-feira, sim, ainda há pessoas que têm emprego, os nossos The Gift continuam digressão pelo mundo fora, dia 3 de Fevereiro em Arcos de Valdevez, 10 em Vila Real e 25 em Braga, por dizer locais bem aqui ao lado, não percam, são bons, garantidamente.

Sementes de música

Hoje vamos dar destaque a um concerto, mais um. Fica mesmo a calhar poder juntar o útil ao agradável, porque este não é um concerto como os outros, alguns dos mais cotados músicos do país, com uma trajectória que carece de apresentação, juntam-se a duas grandes contratações vindas do Brasil, mas que levam tempo, um tempão mesmo, entre nós.

Uxía Senlle, Ugia Pedreira, Guadi Galego e Guillerme Fernández sobem a palco esta sexta-feira, pelas 21 e meia, no Auditório da Galiza, para contracenar com os brasileiros Sérgio Tannus e Fred Martins. Não se juntam por acaso, os fundos angariados pela actuação vão na íntegra para o projecto Semente, uma escola de ensino em galego, promovida pela Gentalha do Pichel, que anda a dar os seus primeiros passos em Vista Alegre, na capital. A Escola Semente é uma iniciativa que visa educar os mais pequenos em galego, e com valores como o assemblearismo, a laicidade, o respeito pela natureza e pelo entorno social em que vivemos, é sempre mais difícil mas mais prático fazer coisas e não estar à espera delas acontecerem.

Como é por uma causa bem nobre, quem não puder vir (tenho mesmo pena) pode comprar o bilhete na mesma (há uma fila 0) e fica a fazer possível o sonho de ver crescer a Semente.

Deixo-vos com uma bela amostra do que se vai ouvir, pronúncias diferentes, uma língua e tudo à mistura dá em coisas lindas como esta, a curtir.