Ainda o último judeu e os outros

A Companhia de Teatro de Braga chega no dia 31 de outubro à Ramalhosa (Teu) às 21h.
Noutros posts falamos do projeto Troca por Troca e desta vez falaremos de Cena Ibérica. Essencialmente estas duas iniciativas procuram um contacto trans-fronteiriço de companhias entre a Galiza e Portugal. Assim sendo, os nossos Chévere foram com “Eroski Paraíso” a Braga e os bracarenses virão à Ramalhosa com “Ainda o último judeu e outros” do Abel Neves.

Tirei o argumento da peça da própria página do Theatro Circo, onde a companhia é residente, e a coisa é mais ou menos assim: “Daniel decide convocar a sua mãe, Judite, e o seu pai, João Victor, para um encontro num lugar nos arrabaldes da cidade, fora do conforto da casa. Núria, a sua namorada, segue-o. Obcecado desde sempre com a história trágica dos judeus – a sua avó, mãe de Judite e a viver na Holanda, sofreu, em criança, a perda dos pais, ambos judeus, numa situação que a marcou definitivamente, tendo eles sido depois assassinados no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau -, Daniel não descansa enquanto não confronta Judite com uma época que ela não aceita lembrar e, sobretudo, não quer assumir por via do sangue materno. João Victor tenta amenizar a disputa sem, no entanto, o conseguir. O lugar do encontro – um armazém sujo e abandonado por onde passam caçadores e ao qual chamam “Bosque Motel” – é visitado de passagem por Nelse e Arlete, um bem humorado casal, precisamente, de caçadores, que serão testemunhas da intensa e brutal situação, acabando involuntariamente por contribuir para um desfecho inesperado”

Segundo pude ler nas críticas, durante estes últimos quatro anos a criação artística da companhia centrou-se na questão da Liberdade e Solidão. Conhecemos já o Abel Neves por ter vindo representar também “Sabe Deus Pintar o Diabo”. Esta peça e a anterior tratam a rua e a cidade como itinerários de abandono, de desistência, de perda de dignidade e auto-estima. Religião, Liberdade e Nazismo são uma constante nesta última obra.

Um Picasso chega a Compostela

Não, não é que o Gernika faça o Caminho de Santiago. Um Picasso é um título teatral.

Adoro as intertextualidades e as misturas de disciplinas artísticas. Transgredir as fronteiras entre elas costuma dar resultados fascinantes.

Na próxima semana teremos no Salón Teatro em Compostela a peça teatral Um Picasso da Companhia de Teatro de Braga, uma companhia já habitual nos nossos palcos, felizmente.

índiceRui Madeira apresenta-nos uma história criada a partir de um original de Jeffrey Hatcher. A peça já foi encenada em vários pontos da Europa, chegou até à Ucrânia e agora vem para as nossas tábuas.

A ação de Um Picasso decorre na Paris ocupada durante a II Guerra Mundial e centra-se sobre o facto real de a Gestapo querer uma obra de Picasso para uma “vernissage“.

Daí que o pintor seja levado para um bunker onde conhece uma mulher loura (agente secreta) cuja missão é conseguir que o artista autentique pelo menos um de três autorretratos do pintor.

Sedução picassiana e intrigas de espiões são alguns dos ingredientes desta peça teatral.

Quarta-feira, dia 11, às 20h30 no Salón Teatro. Não esqueçam que se forem sócios e sócias da AGAL podem ter um descontinho no preço.

 

Sabe Deus pintar o diabo

Sabe Deus Pintar o Diabo-02-50Abel Neves vem amanhã a Compostela com a companhia do Teatro de Braga para encenar a peça Sabe Deus pintar o diabo.

Para aquelas pessoas que desejarem ir, fiquem a saber que é amanhã, às 20h30 no Salón Principal, em Compostela.

Na peça é representada a história de dois amigos de circunstância que se julgam “portadores de uma razão capaz de dar acerto ao mundo” e que se entenderam para jogar um “jogo de extermínio”. Eles fecham-se no último andar de um prédio e decidem ser os autores do fim do mundo. Conseguirão acabar com ele? só vão saber se lá forem.

Troca por troca

troco x troco

É assim como o povo diz quando quer dar uma coisa por outra,  sem que haja qualquer outra compensação, e é assim como o governo galego apresentou um projecto de circuito organizado de teatro entre a Galiza e Portugal, devia ser o natural, não devia ser notícia mas infelizmente é, e ainda bem. Quatro teatros galegos, quatro salas portuguesas e oito companhias de ambas as margens do Minho participam neste programa com 32 representações que decorrerão neste outono e ainda no primeiro semestre de 2014.

As companhias vão entrar em palco em Narón, Ourense, Compostela, Tui, Braga, Coimbra, Évora e no Porto. O protocolo foi já assinado entre a Agência Galega de Industrias Culturais, o Centro Dramático Galego e a Cena Lusófona- Associação Portuguesa para o intercâmbio teatral. Os eventos visam recuperar (se é que alguma vez houve) e normalizar as relações entre as cenas galega e portuguesa, para conseguir que o diálogo teatral possa transcender o âmbito exclusivamente profissional e envolva também o público.

Para além do acto institucional de apresentação no Salón Teatro da capital, no que nos diz respeito,  entre as companhias portuguesas que nos visitarão, destaque para a Companhia de Teatro de Braga que vai chegar à Galiza com as peças “Concerto “a la carte””, do dramaturgo alemão Franz Xaver Kroetz e “Sabe Deus Pintar o Diabo”, texto inédito do Abel Neves estrito de propósito para a Companhia de Teatro de Braga, e para a Seiva Trupe, a companhia portuense traz-nos “Adivinhe que vem para rezar”, do autor brasileiro Bid Carneiro Neto. As companhias A Escola da Noite e o Cendrev participarão no TrocoxTroco com espectáculos que serão estreado na próxima temporada teatral.

O projecto começou a ser desenhado no início deste ano, e desde um começo contou com uma participação muito activa dos oito teatros envolvidos numa iniciativa que, em tempos de grande depressão, procura a racionalização da gestão administrativa no âmbito da difusão e distribuição do teatro. Ainda falta um bocadinho para que cheguem mas façam marcação nas vossas agendas, confiram aqui locais, dias e horas.

Deixo aqui um pequeno excerto de uma das mais bem sucedidas peças da única companhia que já vi e recomendo, a Seiva Trupe.