Chico César em Compostela

Conheci o som do Chico César nos anos da faculdade. Na altura, colecionava uns cds do Putumayo, uma seleção de músicas e ritmos worldmusic que me fazia descobrir novas culturas. Lembro-me perfeitamente, a minha primeira aquisição da coleção foi um disco que se chamava Brasileiro e foi comprado com dois objetivos claros: treinar português e conhecer novos artistas. Cheguei a casa, tirei o plástico protetor com emoção, li cada página do livrinho, coloquei o cd na aparelhagem (eram aqueles rituais)…e lá estava ele, Chico César, com o seu Mama África.

O consumo musical na década de ’00 era muito diferente e mais para alguém como eu, que fui das últimas pessoas do grupo em ter net em casa. Ainda me lembro de ir a um “Cyber” (uffffa, estas confissões fazem-me muito muito muito velha) para poder responder emails e ainda, se restasse tempo, ver algum vídeo musical.

U dia num cyber qualquer com computadores e Windows 97, todas aquelas cores da capa do Brasileiro pintadas pela Nicola Heindl tiveram um novo sentido. Fiquei de boca aberta quando vi o Mama África.

Chegariam depois novas oportunidades para definitivamente amar o Chico César, ainda que o meu foi um amor À primeira vista.

Graças a iniciativas como o Sons da Diversidade ou Cantos na Maré pude ver o cantor da Paraíba ao vivo e contagiar-me de toda essa energia que ele tem para dar.

No domingo, ainda no marco do programa das festas de Compostela, poderemos ver o seu show na Praça da Quintana às 22h. A não perder!

Cantos na Maré 2018

Há tempo que não falamos do Festival Cantos na Maré e não foi por nós não querermos. O evento esteve uns anos em pausa, mas este ano voltou em grande, com um formato de quatro dias e vários cenários.
Estive uns dias muito em baixo porque sabia que não poderia ir e ontem, coisas do destino, por uma mudança de planos inesperada, a vida abriu-me uma porta. Finalmente irei ao festival! E este é o meu ano porque no cartaz estão duas das minhas rappers mais queridas. Estou em pulgas!

Comento então o programa:

QUINTA 11

CENÁRIO ULTRAMARÉ. Auditório – 20.30H – Concerto Inaugural de Teresa Salgueiro (Portugal).

Penso que não faz falta nem dizer quem ela é. Ainda há pouco tivemos a oportunidade de vê-la no ciclo Nexos. Quem melhor que a cantora dos Madredeus para abrir este festival?

SEXTA 12

  • CENÁRIO BAIXAMARÉ: Sala de conferências – 20.00H Vudu (Galiza)
  • CÉNARIO ULTRAMARÉ: Auditório – 20.30H -Cesária Évora Orchestra com Lura, Lucibella e Elida Almeida (Cabo Verde)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ : Auditório – 22.00H – Capicua com Wöyza e Eva RapDiva (Portugal, Angola, Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ :23.30H – GARCÍA MC “Nación Quilombo” com Alejandro Vargas (Galiza)

Este é o meu dia, porque como sabem, eu amo rap. Mas antes disso, queria falar-vos de Lura, porque é uma dessas artistas, junto com a Cesária Évora, com a qual aprendi muitas coisas culturais de Cabo Verde.  Na Ri Na é uma dessas canções que sempre me animam.

Capicua e Eva RapDiva não faltam na minha lista de Spotify. Conheço a Capicua desde o seu primeiro cd e graças à canção “Feias, porcas e más”, uma declaração de intenções feminista, conheci também a Eva RapDiva. Enfim, toda a gente sabe do meu amor por elas. Da rapper do Porto falei-vos inúmeras vezes, mas a Eva RapDiva não se tinha deixado ver pela Galiza ainda. Bem-vinda, Eva! rainha nzinga do rap!

Estava na hora de o festival se abrir a novos ritmos, mais urbanos e mais ligados à realidade da juventude. Vi por aí que ainda há um grupo de kuduro no programa. Isto vai dar barraca!

SÁBADO 13

  • CENÁRIO BAIXAMARÉ: Sala de conferências – 20.00H Os Meninos (Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO -20.30H Selma Uamusse (Moçambique)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO -21.45H – Chico César (Brasil)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ : AUDITÓRIO – 23.15H – Mercedes Peón (Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO – 00.30H – Throes + The Shine (Portugal e Angola)

No sábado há grandes forças vivas: o brasileiro Chico César e a galega Mercedes Peón. A moçambicana Selma Uamusse já tinha vindo a Compostela no ano passado pelas festas. E os Throes and The Shine vieram ao Womex, naquela superedição quase lusófona de 2016. Estejam prontos para dançar, porque o kuduro vai chegar! Até que enfim! quero mais kuduro na Galiza em todas as pistas de danças.

DOMINGO 14

  • CENÁRIO ULTRAMARÉ. AUDITÓRIO – 20.30H – Concerto de fecho.
  • CANTARES DE ÉVORA, KEPA JUNKERA E UXÍA apresentam ATH-THURDÂ em CANTOS NA MARÉ.

A madrinha do evento, Uxia, fechará a festa com um concerto com o Kepa, apresentando Ath Thurdâ.

Já compraram o bilhete? estão à espera do quê?

PS. comentam-me que por motivos meteorológicos todas as atividades que iam ser fora, serão no auditório.

A condição: se, caso, no caso de

Nós somos as nossas escolhas. Nestes últimos tempos tenho andado a pensar, se realmente escolhemos alguma coisa na vida ou se fazemos coisas porque, na verdade, não há outra hipótese. De qualquer maneira, estamos ferrados/as. Penso que o livre arbítrio é uma ilusão e cada dia sou mais ciente disso.394072_10150503324143333_131689188332_9094143_1315720226_n Nós somos como esta vaquinha da direita, pensamos que escolhemos muita coisa, mas…acabamos no abatedouro na mesma.

Num nível gramatical, a escolha ou a hipótese é exprimida mediante as orações condicionais.

No português, como em muitas outras línguas, existe uma gradação na probabilidade da condição. Temos hipóteses prováveis e pouco prováveis. Mudando os tempos verbais é que percebemos esta possibilidade ou impossibilidade. Hoje vamos ver as orações condicionais prováveis com as conjunções e locuções Se, Caso e No caso de, há muitas outras maneiras de exprimir condição (com outras conjunções, por exemplo), mas com isto sobrevive uma pessoa.

Podemos exprimir condição provável com estes mecanismos:
SE+ Futuro do Conjuntivo+ Futuro Indicativo/Presente Indicativo:
se aprovar português, vou/irei a Lisboa de férias
se eu for milionária, dou/darei a volta ao mundo

CASO+ Presente do Conjuntivo+Presente Indicativo:
caso venhas, faço o jantar
caso consigas esse emprego, fazemos uma festa

NO CASO DE+ Infinitivo pessoal+ Presente Indicativo/Futuro Indicativo:
no caso de poderes sair cedo, vamos/iremos ao cinema
no caso de encontrares aquele livro, faz/farás o pedido

 

E se você viajar??

Cantos na maré

cantos na maréCantos na maré é hoje um dos principais festivais de música lusófonos. Um encontro a não perder para todos os amantes da música com vogais nasais. Este ano faz dez anos de existência e o Lusopatia vai lá festejar.

O objetivo deste festival, dirigido por Uxía, é espalhar a música feita na Galiza e no resto dos países lusófonos. Disto nasce um espetáculo cheio de variedade cultural, com artistas emergentes e artistas já com um nome internacional.

Este sábado dia 12 no Palácio da Cultura em Ponte Vedra poderemos ouvir as canções de Sés, Chico César, Rui Veloso e Cheny Wa Gune. Galiza, Brasil, Portugal e Moçambique unem-se numa só melodia: a língua que nos une.

A parte galega será representada por Sés, uma das revelações dos últimos tempos. Chico César, do Brasil, repete, pois já atuou na primeira edição. Não é por desmerecer os outros, mas esta é a minha aposta particular. Adoro Chico César!

Rui Veloso é um gigante da música por todos conhecido e batizado popularmente como o “pai” do rock português. Participou no segundo disco do Xabarín Club e isso já faz com que seja um bocado nosso. Nós nunca nos esquecemos dele.

Estamos em pulgas também por ouvir o Cheny Wa Gune, que vem pela primeira vez à Galiza com a sua timbila.

Venham a Ponte Vedra, Cantos na Maré impacta na primeira vista.