Compostela em festas

Em muitos países orientais ser impontual é uma coisa horrível. Eu também não gosto de pessoas que não chegam nas horas combinadas…pouco perdão tenho hoje. Queria há dias fazer um artigo sobre as festas em Compostela, mas umas férias improvisadas têm-me afastado do teclado por uns tempos.

Então, fiquem a saber que já não dá para eu falar de Selma Uamusse (Moçambique), Bixiga 70 (Brasil), Vânia Couto (Portugal) ou Celina da Piedade (Portugal). Andei nas nuvens…pelo menos ainda chego para vos dar três recomendações:

-dia 22, sábado, Maria Gadu (21h, Praça 8 de março). Quem não conhece o Shimbalaiê? Shimbalaiê é Maria Gadu. A cantora paulistana, criadora de grandes sucessos da MPB, virá a Compostela com um repertório de clássicos, mas também com o seu novo álbum no braço: Guelã.

-dia 24, segunda, The Gift (22h, Praça da Quintana). Necessitam qualquer apresentação? amamo-los e queremo-los sempre de volta. O grupo português com mais presença no mundo inteiro chega de Alcobaça à Quintana para fazer barulho e tocar teremim.

A máquina desta banda está bem azeitada e funciona muito bem. Altar é o seu novo trabalho e a verdade é que a canção Big Fish é dessas para dar pulinhos.

-dia 25, terça, Bifannah (22h, Praça da Quintana). Uma banda da Galiza sedeada em Londres com canções escritas na influência da poesia experimental portuguesa. Como não havia de falar deles? Maresia é o seu trabalho mais recente. Toques de psicodelia, atlantismo e tropicália.

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Cantos na Maré 2017

programa-completo

Chega um dos eventos mais importantes do nosso calendário: o Cantos na Maré. Este ano a edição vai ser, por assim dizer, uma homenagem e um reencontro com a África lusófona, depois de em 2016 termos perdido um dos grandes vultos da nossa cultura: Narf.

Cada vez que no Lusopatia aparecia o tag “Guiné”, confessemos, era por causa dele. O Narf era desses músicos com alma que foi capaz de fazer-nos ver que lá no fundo no fundo…a origem de todas as coisas é o continente africano. E assim chegaram a este blogue nomes como o de Manecas Costa, por exemplo.

Este vai ser um festival em grande. Amanhã começam uma série de atividades complementares que irão decorrer entre Compostela e Ponte Vedra:

  • dia 12: conversa e cantos com Manecas Costa (Guiné Bissau) na Casa das Crechas em Compostela às 22h30 (5 euros)
  • dia 13: oficina musical para escolares sobre cantos tradicionais brasileiros com Kátya Teixeira (Brasil) no Paço da Cultura de Ponte Vedra às 11h.
  • dia 13 também: Colóquio: O semba, matriz cultural de Angola com Paulo Flores (Angola) na livraria Paz em Ponte Vedra às 20h.
  • dia 14: oficina de canto alentejano com Celina da Piedade (Portugal) no Gramola em Ponte Vedra às 13h.

Como já falei das atividades…não sei se hei de falar do cartaz do sábado. Acho que conseguem adivinhar quem vai estar.

Com efeito: Manecas Costa, Paulo Flores, Kátya Teixeira, Celina da Piedade, as nossas Guadi Galego e Uxia e o músico espanhol Santiago Auserón. Todas estas pessoas atuaram na Galiza e temos por cá no blogue notícias suas que cheguem, é por isso que não vos quero aborrecer e vou apenas colocar uma canção, se me permitirem, do Narf com o Manecas, porque acho que é quase um dever.

Onde quer que estiveres…alô irmão “Narife”

Celina da Piedade

10659385_821264331271782_4215724443656072388_nAquelas pessoas que leem este blogue (ainda nem acredito que tenha leitores/as) sabem que há pouco fiz um artigo onde explicava o que era isso da Arca da Noe. Pronto, a Arca já sarpou, mas tem rumos novos cada mês.

Celina da Piedade estará em digressão em vários pontos da Galiza: Vigo, Compostela, Ribadeu…mas vamos pôr em destaque o concerto dela em Vilar de Santos, na Arca da Noe, por ser ele no rural e não numa cidade e toda a conquista cultural que isso significa.

Reconheço que sempre me senti um bocado atraída pelo som do acordeão. É um piano? é um fole? é engraçado. Para uma pé de chumbo, como eu sou, a ideia de coordenar dos dois braços é sempre um repto. Falo-vos de acordeão, porque a Celina da Piedade e este instrumento vivem em harmonia e numa fusão constante.

Ela leva a música de acordeão a toda a parte, até aos mais diferentes contextos. Transforma a música mais tradicional em melodias modernas e universais. Estudiosa da música tradicional alentejana, é uma acordeonista que conta com reconhecimento europeu. Como garantia de sucesso, podemos dizer que ela tem tocado na festa do Avante e no festival Andanças, colaborou com Rodrigo Leão e foi membro fundador de Uxu Kalhus.

Para além de concertos, a Celina dedica-se ao estudo e ensino da música tradicional. Está disponível para lecionar oficinas de canto tradicional, cante alentejano e danças.

Agora vamos deixar que a música fale. Ela conta histórias bem melhor do que eu…

Sábado, 25 de outubro, às 21h30 na Arca da Noe.