Falso amigo: coche

Estou nestes dias, meus amigos e amigas, a tirar a carta de condução e na minha cabeça só andam estes conceitos: embraiagem, alavanca, travão, espelhos…Que tensão, que nervos!
Isto tudo seria bem mais fácil se eu guiasse um coche. Um coche com cavalos! Mas a vida moderna exige-me um carro, com o seu motor barulhento e todas as suas complicações.
A fada madrinha fez de uma abóbora um coche para a Cinderela; sabe-se lá, talvez a minha me dê talento para a condução…tomara!
Há pouco li uma pequena história sobre a introdução do primeiro carro em Portugal. O primeiro automóvel a chegar a Portugal foi importado de Paris pelo 4.º Conde de Avilez, em 1895. Na alfândega de Lisboa, ao decidirem a taxa a aplicar, hesitaram entre considerar aquele estranho objeto máquina agrícola ou máquina movida a vapor. Acabaram por se decidir por esta última.
Paradoxalmente, este veículo ficaria também para a história por um acontecimento insólito: logo na sua primeira viagem, entre Lisboa e Santiago do Cacém, ocorreria o primeiro acidente de viação em Portugal, tendo por vítima um burro, atropelado a meio do percurso.
Eu estou com medo de conduzir e estas cenas não ajudam. Devia era deixar de pesquisar estas coisas na net.

Notem bem: nós conservamos a palavra “carro” para a designação de “automóvel”. Partilhamos raiz com o inglês “car” e adaptamos o significado mais tradicional desta palavra (carro de bois) para usá-lo num contexto moderno.

“Coche”, palavra de origem húngara (kocsi), ficou como sinónimo de “carruagem”.

Já agora, se gostarem de coches, podem um dia dar um saltinho a Lisboa, à zona de Belém, e ver o Museu Nacional dos Coches, o museu da rede pública mais visitado de Portugal. Nenhuma destas carruagens acaba por ser uma abóbora na meia-noite.

Despeço-me por hoje com este trailer do filme Carros2 da Disney-Pixar. Ninguém morre, ninguém se aleija. Curtam!