Gravidez e cuidados

Este artigo devia ser publicado antes do dia 18 de março, mas uma série de circunstâncias deixaram-no numa gaveta virtual. A primeira e óbvia, a situação de confinamento que nos abalou a todos; e a segunda -e mais importante para mim- o nascimento da minha filha, dez dias antes do previsto.

18 de março era a minha data suposta de parto, mas a Amara decidiu adiantar-se para assim família e amigos chegados terem a oportunidade de conhecê-la no hospital. Antes dessa data ia publicar um artigo sobre léxico relacionado com a gravidez e os cuidados que passarei a postar agora.

A motivação disto era clara. Durante estes meses tive muitas consultas médicas e vi que não é fácil saber dar nome a todas as novas realidades que lá vinham. Sobretudo porque elas chegavam a mim (todas) em castelhano. Então dediquei-me a inventariar, consultar, perguntar…

Antes de ficar grávida usava uma app para acompanhar o meu ciclo menstrual. A app chama-se FLO. É compatível com Android e IOS e achei muito útil porque dá dicas interessantes em forma de artigos. Depois podes mudar para “Modo gravidez” e o serviço é espetacular: tens informações sobre ti e o bebé cada semana. Agora até implementaram um chat.

FLO é gratuito e na nossa língua. Com isto aprendi muito vocabulário e expressões de maneira descontraída.

Caso não gostes de ter muitas apps no teu telemóvel, mas não queres renunciar a ter informações, aconselho-te estas duas páginas:

Mais tarde chegou o que eu considero a obra lexicográfica do ano: O dicionário visual da Através. Este é um livro ilustrado, uma espécie de dicionário vivo que me ajudou muito já logo no primeiro capítulo dedicado às crianças. Uma edição impecável que inclui exercícios para ativarmos a nossa aprendizagem.

Deixo-vos cá o resultado da minha pesquisa em forma de glossário.

A:

Alcofa

Aleitamento, Amamentar, Dar peito

Análises ao sangue, à urina…

Anestesia epidural

Anestesia espinhal

Almofada de amamentação ou almofada de gravidez

Arrotar

Azia

B:

Babete (Pt), Babador (Br)

Barriga

Bebé (Pt), Bebê (Br)

Berço

Biberão (Pt), Mamadeira (Br)

Body

Bomba de extração de leite

Bolsa amniótica ou Saco amniótico

C:

Cesariana

Chá de bebé, Chá de fraldas, Chá de cegonha, Chá de berço ou Babyshower

Chupeta, Chucha

Cocó, fazer cocó

Cólicas

Colo, dar colo

Colo do útero, Cérvix

Colostro

Consulta médica

Contração

Cordão umbilical

Crosta láctea

D:

Dar à luz

Depressão pós-parto

Desfraldar

Diarreia

Dói-dói

Doula

E:

Embalar, Canção de embalar

Enjoos

Episiotomia

Estrias

F:

Fadiga

Feto

Fórmula ou Leite de fórmula

Fraldas descartáveis vs Fraldas de algodão

Fraldário

G:

Gémeos

Grávida, Gravidez

I:

Inchaço

Insónia

L:

Líquido amniótico

Lóquios

M:

Macaco

Mamilos

Marsúpio

Matrescência, Matrescente

Musselina

N:

Nascer

Nascimento

Náuseas

Ninar

O:

o Obstetra, a Obstetra (Pt)/ o Obstetra, a Obstetriz (Br)

P:

Parteira

Parto

Placenta

Pomada para assaduras

Pós-parto

Prisão de ventre

Puerpério

R:

Retenção

Rolhão mucoso

S:

Sangramento de escape

Sling ou Wrap

Pavimento pélvico (Pt), Assoalho pélvico (Br)

Soluço, Soluçar

Sutiã de amamentação

T:

Toalhitas

Touquinha

Trajeto do parto

Transportar, fazer babywearing

Trocador

X:

xixi, fazer xixi/ chichi, fazer chichi

Para estes dias de confinamento e matrescência encontrei esta música. Espero que gostem.

Cantos na Maré 2018

Há tempo que não falamos do Festival Cantos na Maré e não foi por nós não querermos. O evento esteve uns anos em pausa, mas este ano voltou em grande, com um formato de quatro dias e vários cenários.
Estive uns dias muito em baixo porque sabia que não poderia ir e ontem, coisas do destino, por uma mudança de planos inesperada, a vida abriu-me uma porta. Finalmente irei ao festival! E este é o meu ano porque no cartaz estão duas das minhas rappers mais queridas. Estou em pulgas!

Comento então o programa:

QUINTA 11

CENÁRIO ULTRAMARÉ. Auditório – 20.30H – Concerto Inaugural de Teresa Salgueiro (Portugal).

Penso que não faz falta nem dizer quem ela é. Ainda há pouco tivemos a oportunidade de vê-la no ciclo Nexos. Quem melhor que a cantora dos Madredeus para abrir este festival?

SEXTA 12

  • CENÁRIO BAIXAMARÉ: Sala de conferências – 20.00H Vudu (Galiza)
  • CÉNARIO ULTRAMARÉ: Auditório – 20.30H -Cesária Évora Orchestra com Lura, Lucibella e Elida Almeida (Cabo Verde)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ : Auditório – 22.00H – Capicua com Wöyza e Eva RapDiva (Portugal, Angola, Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ :23.30H – GARCÍA MC “Nación Quilombo” com Alejandro Vargas (Galiza)

Este é o meu dia, porque como sabem, eu amo rap. Mas antes disso, queria falar-vos de Lura, porque é uma dessas artistas, junto com a Cesária Évora, com a qual aprendi muitas coisas culturais de Cabo Verde.  Na Ri Na é uma dessas canções que sempre me animam.

Capicua e Eva RapDiva não faltam na minha lista de Spotify. Conheço a Capicua desde o seu primeiro cd e graças à canção “Feias, porcas e más”, uma declaração de intenções feminista, conheci também a Eva RapDiva. Enfim, toda a gente sabe do meu amor por elas. Da rapper do Porto falei-vos inúmeras vezes, mas a Eva RapDiva não se tinha deixado ver pela Galiza ainda. Bem-vinda, Eva! rainha nzinga do rap!

Estava na hora de o festival se abrir a novos ritmos, mais urbanos e mais ligados à realidade da juventude. Vi por aí que ainda há um grupo de kuduro no programa. Isto vai dar barraca!

SÁBADO 13

  • CENÁRIO BAIXAMARÉ: Sala de conferências – 20.00H Os Meninos (Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO -20.30H Selma Uamusse (Moçambique)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO -21.45H – Chico César (Brasil)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ : AUDITÓRIO – 23.15H – Mercedes Peón (Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO – 00.30H – Throes + The Shine (Portugal e Angola)

No sábado há grandes forças vivas: o brasileiro Chico César e a galega Mercedes Peón. A moçambicana Selma Uamusse já tinha vindo a Compostela no ano passado pelas festas. E os Throes and The Shine vieram ao Womex, naquela superedição quase lusófona de 2016. Estejam prontos para dançar, porque o kuduro vai chegar! Até que enfim! quero mais kuduro na Galiza em todas as pistas de danças.

DOMINGO 14

  • CENÁRIO ULTRAMARÉ. AUDITÓRIO – 20.30H – Concerto de fecho.
  • CANTARES DE ÉVORA, KEPA JUNKERA E UXÍA apresentam ATH-THURDÂ em CANTOS NA MARÉ.

A madrinha do evento, Uxia, fechará a festa com um concerto com o Kepa, apresentando Ath Thurdâ.

Já compraram o bilhete? estão à espera do quê?

PS. comentam-me que por motivos meteorológicos todas as atividades que iam ser fora, serão no auditório.

Capicua e Pedro Giraldes em Compostela

Eu sabia que depois de terem ouvido Capicua no Aritmar 2016 os/as programadores/as culturais não iam demorar em contar com ela mais vezes.

Neste domingo dia 26, às 18h, a minha ídolo e Pedro Giraldes, guitarrista dos Linda Martini, chegarão a Compostela ao Centro Sociocultural de Santa Marta.

Compostela Miúda é um espaço que programa atividades para famílias e no marco da sua programação de concertos, estes músicos subirão a palco para encenarem as músicas do seu último trabalho conjunto: Mão Verde.

Não sei se sabiam, mas “Mão Verde” é aquilo que dizemos quando alguém é talentoso/a com a jardinagem. E nesta dupla talento é que não falta!

A Ana e o Pedro construiram um cd cheio de amor às plantas, à quinta, à ecologia e também às crianças. Este é, sim, um livro-cd para crianças que visa espalhar uma certa consciência ambientalista entre os mais novinhos. Mas (advirto) não se trata de um desses cd’s lamechas. Não, não é um Avô Cantigas nem uma Florbella a cantar. Em palavras dos autores: “é para crianças, mas não é infantil”.

Miúdos e graúdos podem gostar das músicas e desfrutá-las juntos, folheando cada página do livro, porque cá cada página é muito valiosa: ilustrações de Maria Herreros e pequenas notas do agricultor Luís Alves, para dar a conhecer os bichos e as plantas cantados, ao mesmo tempo que são explicados os significados de termos mais complicados como compostagem ou o aquecimento global. O ano passado comprei-o no concerto e eu, que já estou na casa dos -intas, ouço-o e olho para ele como um tesouro. A edição, os desenhos, as letras, os arranjos musicais…tudo está feito com o máximo cuidado.

 

Bora’! rap ecológico para todas as idades!

 

 

 

Aline Frazão regressa

Aline Frazão, a musa do Lusopatia, volta à Galiza.

Amanhã estará em Compostela, na Casa das Crechas às 21h e no domingo estará em Vilar de Santos, na Arca da Noe.
Insular é o terceiro trabalho a solo da cantora angolana. Fala daquelas ilhas imaginárias entre o Nós e o Nós-próprios, fala da Angola atual e conta com colaborações como a da rapper Capicua.

O disco é “isolamento, a solidão, o contraste entre o individual e o colectivo”, por outras palavras, as caraterísticas que definem uma ilha.

Lusopatia entrevista Capicua

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Hoje o Lusopatia está de parabéns! Conseguimos entrevistar a Capicua, a estrela do rap português. Tomara que este fosse o espoletar de muitas outras entrevistas!

Ela sobe a palco hoje às 20h no Teatro Principal. Estávamos curiosos/as com alguns aspetos da sua visita e aí foi que perguntamos…

  1. Lusopatia: Há tempo que o público galego estava à espera da chegada da Capicua aos nossos palcos. Qual foi a reação quando soube destes prémios?

Capicua: Fiquei muito feliz porque também eu estou há muito tempo à espera para tocar na Galiza! Estou ansiosa!

  1. L: Sabemos que é a primeira vez que a Capicua canta na Galiza. Tem alguma ideia a priori sobre nós?

C: Já fui à Galiza algumas vezes e a ideia que eu tenho é que não há grandes diferenças culturais entre os galegos e a gente do norte de Portugal. É um mesmo povo e portanto sinto-me sempre em casa quando aí estou.

  1. L: A Capicua identifica-se muitas vezes com a voz da mulher do norte. Como é que é essa mulher?

C: Em Portugal há esse mito da “mulher do norte”. Diz-se que as mulheres do norte são muito espontâneas, aguerridas e senhoras de si. Que são desbocadas, respondonas e dizem alguns palavrões… E como eu acho piada a essas características e acho que são muito aconselháveis a qualquer mulher, brinco muitas vezes com esse “rótulo”. Mas acredito que há “mulheres do norte” em todo o lado e isto acaba por ser mais uma brincadeira do que outra coisa!

  1. L: Fale-nos do Cantinho das Aromáticas e do seu último projeto, Mão Verde.

maoC: O “Mão Verde” é um disco de música para crianças que fiz em parceria com o Pedro Geraldes (guitarrista da banda Linda Martini). São 12 canções muito engraçadas, que falam sobre a natureza, alimentação, agricultura e ecologia. O disco vem acompanhado por um livro, com ilustrações da espanhola Maria Herreros e com algumas notas informativas, que explicam o conteúdo das canções e que foram feitas com a ajuda do Luís Alves (um agricultor do Porto que tem uma grande produção de ervas aromáticas). Essa quinta chama-se “Cantinho das Aromáticas” e, além de ser totalmente orgânica e muito premiada internacionalmente, está aberta ao público que a queira visitar!

  1. L: Esta é a primeira vez da Capicua na Galiza. Será que algum dia poderemos vê-la numa pequena digressão de concertos?

Espero que sim! Tudo depende dos convites que nos vão fazendo! Tenho mesmo muita vontade de percorrer a Galiza e partilhar a minha música com quem partilha do mesmo idioma e da mesma raiz cultural!

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Salas de concertos da Galiza, por favor, não percam a oportunidade de terem esta artista convosco. Música e intervenção numa mesma pessoa.

Ari(t)mar

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Há tanto tempo que quero fazer este artigo. Pensei tantas vezes em como iria começar, em como dar esta notícia…dei tantas voltas que agora o único que quero é que a emoção chegue aos meus dedos e estes me permitam escrever rapidamente.

Tudo nesta história é lindo. Tudo mesmo.

Ari(t)mar é um projeto nascido na EOI de Santiago de Compostela onde docentes e discentes selecionaram o melhor da música e da poesia de 2016 dos dois lados do Minho. Depois…umas votações, e agora uns resultados. Uns premiados e uma gala.
Essa seria a notícia objetiva. Mas por trás disso há um trabalho imenso de pesquisa. Ler e ouvir horas a fio. Uma vontade de aproximar mundos que sempre foram próximos e uma aprendizagem inconsciente para muitos e muitas.

De um ponto de vista pessoal, já disse que agora começava com o plano subjetivo, para mim não pode haver uma coisa melhor. Uma das premiadas no ramo musical é a Capicua. Nas três primeiras posições temos três mulheres e a primeira é ela. Capicua, o meu tótem, a minha rapper de referência. Como dizer: o meu ídolo, se me permitirem o regresso quase à idolatria adolescente.

capicua

Capicua é um palíndromo. Igual que Ana. Ana Matos é essa mulher do Norte que entra com força e diz as coisas tintim por tintim. E igual que os palíndromos, aquela mensagem não tem fim.

Num momento da minha vida em que eu estava mesmo de rastos…ir a um concerto dela foi um elixir mágico. A minha energia voltou dos pés à cabeça, da cabeça aos pés, dos pés…

A parte complicada agora? selecionar uma música. Só uma para esta notícia. Já postei milhares de vezes músicas dela, mas nunca para falar da sua chegada. Seria óbvio demais colocar a música vencedora (Medusa) e como para mim a sereia é um símbolo de muita coisa, vou deixar-vos com a Sereia Louca, por toda essa poesia contida.

Escreveria montes de coisas mais, mas não seria justa com o resto dos premiados, então vamos agora com o José Ricardo Nunes.

img_3066José Ricardo Nunes nasceu em Lisboa, mas mora em Caldas da Rainha. É licenciado em Direito e mestre em Cultura e Literatura Portuguesas. A Companhia das Ilhas editou o seu último livro de poemas “Três oito e setenta e cinco”. O final de um número de telefone? Os números da sorte grande? sabe-se lá. Essa é a magia da poesia, a coragem de nos fazer descobrir e pensar.

Com Tinta da China também publicou “Andar a par” e aí é onde poderemos ler o poema vencedor do Ari(t)mar deste ano: Não sei, minha filha.

Nesta festa da cultura, partilharão o mesmo espaço, igual que partilham a mesma língua, premiados galegos e portugueses, já sabem. Quem são os nossos? Na parte da literatura temos a María do Cebreiro com “O Corazón” e na parte da música o Xabier Díaz e as adufeiras do salitre com “Cantiga da montanha”.

O espetáculo será apresentado pela Isabel Risco e o Carlos Meixide.

Todas estas coisas boas vão acontecer amanhã às 20h, no Teatro Principal.

Colher, Apanhar, Pegar

Por castelhanismo, fazemos um uso hiperabundante do verbo Colher. No espanhol de Espanha o verbo Coger tem um sentido muito amplo, mas no português há usos mais específicos e verbos diferentes para o que no espanhol é um significante apenas.

Quando aprendemos português, muitas vezes fazemos uma tradução literal Coger=Colher e as coisas não são bem assim. Isto costuma criar dificuldades entre os meus alunos e alunas, então decidi dar umas pequenas indicações básicas. Para completarem informações, podem ler também este artigo no Ciberdúvidas.

  • COLHER: é “agarrar arrancando”. Derivado do verbo Colher está o substantivo Colheita, portanto, já podem imaginar que género de coisas é que se colhem: maçãs, peras, pimentos…995791_628321240525948_1687648998_n

Por outras palavras, Colher é para flores, ervas, frutos ou frutas tiradas das suas árvores (ou plantas) uma a uma. Ontem fui ao pomar colher maçãs.

De uma maneira metafórica também podemos ser colhidos por um carro, por um touro, pela morte…Isto é uma letra da Capicua: “Quero uma horta do outro lado da porta e quero a sorte de estar pronta quando a morte me colher”

Contudo, cada vez mais, o verbo Apanhar está a ganhar o espaço do verbo Colher.

  • APANHAR: tem vários usos, mas costuma implicar um movimento.1455044_692131974144874_983920073_n
    • Para agarrar coisas que estão no chão: apanha aí esse lápis que caiu.
    • Também como sinónimo de Capturar ou Atingir: apanhei-te numa mentira, aldrabão!
    • Para meios de transporte: apanhar um táxi.
  • PEGAR: é um verbo que faz impressão nas primeiras aulas, porque é um falso amigo também. Mas não, não podemos confundi-lo com Bater. Nunca pensei em agradecer nada à música Ai, se eu te pego, mas o pessoal ficou a saber um dos significados do verbo graças a ela.

Normalmente, as coisas que pegamos estão ao alcanço da nossa mão. A ação de Pegar não implica movimento. Pega nesse livro.

No português do Brasil este verbo é usado muito e para os meios de transporte também: pegar um táxi.