Wosinc…também lusófono

imagesWosinc é um encontro anual com caráter interdisciplinar que visa ser um epicentro da vanguarda, um espelho onde muitas tendências são refletidas. Neste corrente mês Compostela vai irradiar música, ideias e novos conceitos entre os dias 11 e 13.

Que um encontro como este tenha também um cantinho para a lusofonia é uma marca de país. Se o Wosinc fosse em Múrcia…acham que haveria este interesse? estes (re)encontros indicam uma sensibilidade muito própria e uma necessidade que na Galiza é cada vez maior: o contacto com os países de fala portuguesa.

ficha_wos_LLParte da lusofilia deste festival é devida a Lovers and Lollypops. Eles são um pequeno selo discográfico e também uma promotora musical sediada em Barcelos, uma cidade que cada vez me dá mais surpresas quanto ao seu valor dinâmico e cultural. Não, Barcelos não é apenas galos.

Lovers and Lollypops criaram o Milhões de Festa e têm ajudado muitos artistas lusos a iniciarem um caminho e terem  projeção, sempre da ótica da criação independente. Para este evento eles trazem um showcase para festejarem os seus 10 anos em andamento e outras muitas bandas do seu selo discográfico que resenho nestas linhas.

  • Vamos com a calendarização de concertos, que é o que interessa.

-Sexta-feira 11, Pega monstro, Fundação Granell, 19h: tocaram no nosso festival de Poesia no Condado, na  Festa do ficha_wos_pegaAvante e agora voltam à Galiza porque deve ser que nós sabemos tratar bem das visitas. Já lhes tínhamos dedicado umas linhas por causa da sua aterragem em Salvaterra, mas para vos refrescar as ideias diremos que são duas irmãs lisboetas com músicas bombásticas que cada vez estão a ocupar um lugar maior no garage internacional. Um projeto auto-editado e empoderado.

No mesmo dia na Fundação SGAE a promotora portuguesa Lovers and Lollypops traz todas estas bandas, algumas delas já conhecidas para nós, outras uma nova descoberta:

-00h30, Filho da mãe & Ricardo Martins: falar de Rui Carvalho e Ricardo Martins é falar de coisa séria. Eles não são ficha_wos_FFuns Zé-ninguém no panorama independente em Portugal. Cada um deles andava em vários projetos musicais e decidiram experimentar, reunir-se e o resultado foi Revolve, um disco singular. Querem saber mais? não percam a performance que eles têm no showcase de Lovers and Lollypops.

-01h20, Equations: depois da estreia com o álbum Frozen Caravels (L&L, 2012), Equations, uma garage-band de integrantesficha_wos_EQUATIONS novinhos, faz um volte-face e começa de novo. Medo do segundo disco? não acho, porque não ficaram a falar com os seus botões e Hightower (L&L, 2014) é a porta de entrada ao synth pop, ao rock espacial de Amon Düul II. Este último trabalho tem selo também de Lovers and Lollypops e ajudinha do Moullinex.

-02h10, Black Bombaim: falámos deles com motivo do festival Osa do Mar e frisamos que a banda de Barcelos dá um BB-por-Joana-Castelo1toque de charme, modernidade e vanguarda à cidade, que cada vez ocupa um lugar maior e mais relevante entre as nossas linhas. Barcelos é…ouro, ouro de mina.

Raros dentro do panorama luso, por fazerem rock instrumental, contam com horas e horas em palcos e estradas. Os Black Bombaim ainda estão com energia depois de quatro discos. Far Out (2014, L&L) é o seu último lançamento.

-03h, L&L soundsistem é a banda dos Lovers and Lollypops qua vão fazer um show com motivo dos seus 10 anos nos palcos.

Ouçam este depoimento e adivinhem o que agora está por vir…

  • No vasto programa do evento também há palestras. No sábado dia 11, às 13h no CGAC começa o colóquio Por amor à arte. Quatro promotoras independentes entre as quais está Lovers and Lollypops (Joaquim Durães) debatem e analisam as chaves que levam a transformar uma ideia num projeto criativo.

Depois não digam que com setembro acaba o verão…

Festival Osa do Mar

Poesia, reggae e ainda outras propostas musicais mais hipsters é que se concentram neste fim de semana primeiro de setembro. Não há desculpas para ficarmos em casa. Do Festival de Poesia no Condado ao Minhoreggae, e do Minhoreggae ao Osa do Mar.

cartaz-osa-do-mar-2015

A praia da Marosa em Burela tem uma carga muito afetiva para mim. Burela inteira foi o meu abrigo num ano em que eu tinha estado em Lisboa e voltava cheia de saudades.

Neste município comecei a dar os meus primeiros passos na docência, conheci professores e professoras que me marcaram muito. Também vivi uma realidade multicultural muito rica, que foi o melhor paraquedas para alguém que chega de Lisboa.

Quando vi que havia um festival nesta praia…não pensei mais, tinha que ver qual era o programa.

O Festival Osa do Mar é daqueles que não esquecem o bom gosto. E friso isto porque infelizmente acho que na Galiza por vezes deixamos de parte o bom gosto entre a reivindicação e o folclore. Entrem na própria página da organização e façam a prova: um visual moderno e em galego. Não preciso de mais palavras.

Temos proposta lusopata? Temos, com certeza! Entre as minhas pesquisas, consegui saber destas bandas. Peço desculpa se me esqueço de alguma, mas as informações que pude arranjar não eram muitas.

  • No dia 4, Black Bombaim, às 21h. Um trio de Barcelos de rock psicadélico: o Tojó toca baixo e faz muros, o Senra toca bateria e faz calçado, e o Ricardo toca guitarra e serve cafés e também faz grandes sandes de presunto. Quem o diz é o road manager deles. São um grupo instrumental – a única voz que se ouve num dos temas é de Adolfo, dos Mão Morta – e gostam de músicas longas. São esse género de rapazes que na escola não gostavam de jogar futebol…e criaram uma banda.
  • No sábado 5:

-Na praia da Marosa às 17h, Batuko Tabanka. As Batuko são a bandeira de Burela. 12 mulheres de origem cabo-verdiana que levam o nome do município pelo mundo afora. Alegria, força e morabeza. Tocam o batuko, um instrumento tradicional de percussão que é um pano pregado colocado entre as pernas. Burela…Sabi, sabi!

Mas não é apenas isto que Burela tem para oferecer. No palco as Batuko estarão com os Nistra, numa sorte de fusão: Nistra Batuko Exploration. Afrobeat galego é possível? É! Pelo amor de Deus…como é que temos coisas tão boas na Galiza e não sabemos? vejam este documentário porque é BRU-TAL!

Sequin, às 02h, no recinto da festa. Sob a produção de Moullinex, banda que adoro, não pode haver nada de má qualidade.

Sequin, pseudónimo de Ana Miró, é uma cantora nascida em Évora. Como outras cantoras-compositoras da era pós-Internet, manuseia tecnologia para expor um universo íntimo, seja a partir de movimentos rítmicos que convidam à sugestão dançante, como a partir da criação de ambientes de escuta doméstica.

Sequin não é elegante, Sequin é a elegância.

Mais Osas do Mar, mais, mais!