Cristina Branco com a Filarmónica da Galiza

A Real Filarmónica da Galiza e a fadista portuguesa Cristina Branco farão um espetáculo em parceria nos dias 14 e 15 do corrente mês. No dia 14 estarão em Compostela no Auditório da Galiza e no dia a seguir na Corunha no Teatro Colón. Os dois passes são à mesma hora, 20h30.

Para quem não souber, a Cristina Branco é uma das celebridades do Museu do Fado. Sim, a canção de Lisboa tem um museu. A cantora ribatejana tinha em Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Elis Regina os seus referentes até que um dia o seu avô lhe oferece um disco da Amália Rodrigues. A partir desse momento, começou a sua amaliomania.

Conta ela própria que uma noite atreveu-se a cantar fado de maneira descontraída, como quem não quer nada, e isso mudou a sua vida para sempre. Um dos músicos convidou-a continuar e assim a sua carreira começou.

Podem consultar o repertório de canções nas ligações que deixei lá cima. Não percam esta oportunidade de ouvir fado com os melhores músicos e uma das vozes mais cotadas da música lisboeta.

Ana Moura em digressão

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Compostela não descansa e hoje teremos o concerto da fadista de Coruche, Ana Moura. Para aquelas pessoas que ainda não arranjaram bilhetes…há também oportunidade de vê-la em Vigo no Auditório do Mar no dia 25 deste mês.

Pronto, já sabem que eu não sou grande apreciadora de fados e talvez por isso Deolinda, António Zambujo e Ana Moura sejam os exemplos de fados que eu mais gosto, porque são vozes novas que dão uma nova linguagem ao género musical português.indice

Ana Moura é dessas artista é que conheceu a vocação de uma maneira muito precoce. Os pais já cantavam e portanto ela sempre teve um convívio muito natural com a música. Em écopas liceais esteve em várias bandas de covers e até cantou rock, mas a boca da fadista resolveu terminar por cantar fado, porque é assim, as bocas fogem para a verdade.

Desfado, o seu último disco, é quase uma declaração de intenções. Um disco integramente composto por temas originais que a levou a cantar em grandes palcos por todo o mundo.

O single do mesmo nome, Desfado, é uma ferida ainda aberta para mim. Numa das viradas da minha vida, alguém que nunca mais vi despediu-se de mim com esta canção. A letra tem, a meu parecer, a beleza do gume de uma navalha.

Hoje não tenho saudades. As coisas acontecem e sempre são para melhor.

Hoje em Compostela, no Auditório da Galiza às 21h e…depois em Vigo!

 

António Zambujo…volta à Galiza

Para lembrar o que era isso do verão, nestes últimos dias tenho estado em Lisboa de férias. Fui em Almada a um festival e apaixonei-me pela margem Sul. Fantasiei na última semana com que o destino me levasse lá, porque sonhar acordada é também uma bela viagem.

índiceEm Almada estive no festival O Sol da Caparica. Era a primeira edição e tenho que dizer que fiquei maravilhada: as bandas, a organização, as pessoas e toda a magia que lá se respirava. Compreendi que é o festival com músicas na nossa língua melhor que já tenha visto. Se a Galiza tivesse representação (talvez na segunda edição) ainda seria melhor, mas reconforta-me saber que havia um pedacinho da Galiza na voz da “angolega” Aline Frazão.

GNR, Peste e Sida, Expensive Soul, Aline Frazão, Capicua, Sensi e o António Zambujo, entre outros, deram o seu melhor num palco cheio de ritmos envolventes e de heranças musicais diferentes. Gostava que houvesse um festival assim na Galiza, onde todos os estilos fossem bem-vindos.

Ainda voltei no domingo e o primeiro que vi em Compostela ao chegar foi um cartaz de um concerto do António Zambujo (andamos os mesmos caminhos). O fadista subirá a palco o próximo dia 27 de setembro no Auditório da Galiza,  no marco do ciclo Sons Trânsitos como prelúdio.

Não é a primeira vez que ele nos visita, eu já tive oportunidade de vê-lo num concerto íntimo na Casa das Crechas. Com a voz e as letras…é capaz de tocar com o dedo aquela espinha que cada um de nós tem no coração. Qualquer coisa abala quando o ouvimos. Por isso, não percam este concerto. Ouçam a melodia…porque eu…repetia tudo novamente.