Galiza com o 25 de abril

Não podia ser doutra maneira. A Associação José Afonso – Galiza organiza um programa de atividades muito completo para comemorar o 25 de abril.

Desde ontem até o dia 28 do corrente mês vamos ter eventos para poder aprender e ter mais conhecimento sobre a cultura portuguesa e o seu episódio mais destacado.

Hoje, na Faculdade de Geografia e História de Compostela, na sala 10 às 19h30, temos a palestra “Os dias da liberdade”, com Camilo Mortágua, capitão de abril, e Margarita Ledo, que na altura viveu exiliada em Portugal.

Amanhã, no feriado mesmo, inicia-se uma exposição de cartazes sobre a revolução no Auditório Municipal de Rianjo e em Compostela, às 21h, sairá da Praça de Cervantes um bloco a cantar o Grândola. Aquelas pessoas que quiserem podem unir-se.

No dia 28 haverá um concerto de graça (“Abril sempre”) às 19 na Praça de Cervantes com José Manuel Esse Trio e Manuel Teixeira & António Rosa.

Vão perder?

O Zeca Afonso volta à sua pátria espiritual

Um dos grandes precursores musicais do vínculo Galiza-Portugal foi, sem dúvida, o Zeca Afonso.

A Associação José Afonso terá a partir de agora uma seção na Galiza. Ela será apresentada formalmente este sábado à tarde, com uma palestra, exposições e um concerto. Mas hoje já temos algumas coisitas na agenda para fazer, por exemplo, ir à exposição fotográfica na Casa das Crechas intitulada: Zeca: O que foi, O que é.

Podemos dizer que nós tínhamos uma dívida com o cantor luso. Devemos-lhe tanta coisa! abriu tantos caminhos na música e na cultura que não sei se há no mundo eventos que cheguem para agradecer, mas vamos tentar.

AJA juntará amigos galegos para recordar a herança que Zeca deixou. Frases como “A Galiza é para mim uma espécie de Pátria espiritual. Foi uma experiência maravilhosa. Algo especial. Talvez ninguém me entendesse como na Galiza ” ou “estou farto de dizer por todo o lado que a Galiza não é Espanha” demonstram que ele teve cá uma segunda casa e uma forte identificação cultural.

É impossível não relacionarmos o músico com Grândola vila morena. Talvez quem cá lê não saiba que esta canção foi tocada pela primeira vez em Compostela, no Burgo das Nações. Ele escolheu Compostela e para ver como a música funcionava e não foi por acaso.

Se quiserem comemorar a herança que ele nos deixou, não percam as atividades. O programa começa formalmente amanhã às 18h há uma palestra na Gentalha do Pichel sobre o «Triângulo mágico na vida e obra de José Afonso: África-Portugal-Galiza». Depois, às 22h, um concerto de homenagem ao Zeca na Sala Malatesta com artistas das duas margens: Uxia, Francisco Fanhais, Nao, Cais da Saudade, Falua, Tiago Fernandes, Banda das Crechas, Do fondo do peto, Chico de Carinho & Manolo Bacalhau.

E não, não é mentira nem exagero esse amor que o Zeca tinha pela Galiza. Ouçam só esta adaptação que ele fez de uma das nossas músicas populares. Sempre Zeca!

Traz um amigo também

AJA_GALIZA-480x753O fraquinho do José Afonso pela Galiza não é segredo nenhum. “A garrafa vazia de Manuel Maria” e “achega-te a mim, Maruja” são alguns exemplos do intercâmbio musical criado entre a Galiza e Portugal graças a ele.

Embaixador não oficial das terras galegas, exportou uma outra imagem de nós. Além e aquém Minho é recordado como um símbolo de esperança.

Amanhã, pelas 19h na Faculdade de Filosofia em Compostela haverá um ato para apresentar a Associação José Afonso (AJA) na Galiza.

Poderemos ver um documentário sobre o cantor e depois haverá uma palestra-colóquio com o Paulo Esperança (vice-presidente da AJA), Judite Almeida, Joana Afonso e Xico de Carinho (todos eles membros da AJA).

Uma intervenção poético-musical encerrará o ato. Mónica de Nut e Uxia Senlle interpretarão melodias de esperança, de lembrança e de liberdade.