O artigo e as orações de relativo

O dia em que a Terra parou é um álbum de Raul Seixas, o fundador do rock no Brasil. Este disco marcou a estreia do cantor no panorama musical, porque contém a música “Maluco beleza”, título que lhe serviria de alcunha mais tarde, dado o enorme sucesso.

 No português existem várias formas de relativos:

-o qual, os quais, a qual, as quais (vão sempre precedidos de artigo)

-cujo, cujos, cuja, cujas (não levam artigo)

-quem (que não leva artigo, nem tem plural)

-quewef (se podemos substitui-lo por Qual, também não leva artigo)

Se repararem no título do álbum, O dia em que a Terra parou, podem se calhar elaborar com facilidade uma regra gramatical:  o relativo Que quando pode ser substituído por Qual e se encontra precedido de uma preposição, não leva artigo.
Portanto, estaria errado dizer O dia no que a Terra parou.

Como as as formas o/a, os/as podem ser em português, artigo definido e pronome pessoal, uma dificuldade acrescentada nas orações introduzidas por Que é saber quando o/a, os/as faz a função de pronome e quando a de artigo definido. Vejamos uns exemplos:

1. O livro de que te falei está em cima da mesa.

2. Não digas nada do que te falei ontem.

Em ambos os casos temos uma oração de relativo introduzida por um Que.  Na primeira temos uma oração que pode ser substituída por “o qual”= o livro do qual te falei, por isso não leva artigo segundo a regra gramatical anteriormente referida.

No segundo dos casos, temos um pronome “o”, que aparece em “do que” = “as coisas de que falei ontem”. É um pronome porque substitui uma coisa anteriormente dita.

Deixo-vos agora com este descendente de galegos, Raul Seixas, o maluco beleza.

 

 

 

O artigo e os nomes de pessoa

0Uma das marcas que mais impactam nos primeiros dias de aulas é o uso do artigo com o nome próprio. Quando falo com a turma, digo: o João, a Maria, o Daniel…nunca uso o pronome TU com eles e elas e é uma das primeiras incógnitas que aparecem.

Os alunos e alunas sempre me perguntam quando usar e quando não, porque infelizmente, o uso na Galiza é um bocado residual. Temos provas deste uso em músicas galegas (e portuguesas) como: a saia da Carolina tem um lagarto pintado, portanto, era uma fórmula que há relativamente pouco as pessoas usavam.

Diante de nomes de pessoas, usa-se artigo para indicar familiaridade ou afetividade. Por esta mesma razão, com pronomes de tratamento, nunca usamos artigo. Notem bem:

A Márcia estuda à noite vs. Engana-se Vossa Senhoria, disse o rapaz.

O uso do artigo com nomes de pessoa vem determinado pela familiaridade ou não do contexto. Como norma geral os nomes próprios levam artigo e este apenas desaparece em âmbitos considerados formais. Nos restantes casos, é considerado obrigatório.

Vejamos agora uma tabela que acho que explica muito bem cada caso:

Não é usado artigo

É usado

Quando usamos só o nome, só o apelido ou só a alcunha

O Manuel falou comigo.

Não viste  o Nogueira?

Quando usamos o nome completo, com apelidos

Xavier Pereira Santos tem de comparecer no meu gabinete amanhã.

Carmen Saborido tem um blogue em WordPress.

Quando usamos só o nome ou só o apelido com certo formalismo

Saramago escreveu mesmo no último ano de vida.

José não tinha medo da morte.

Quando usamos o nome completo, com apelidos, num ambiente descontraído.

Quem chegou antes? A Maria Cancelas ou o Pedro Barros?

(Tirei a tabela do livro de Eduardo Maragoto: Como ser reintegracionista sem que a família saiba)

Outros nomes próprios, que não são exatamente nomes de pessoa: empresas, partidos políticos, ONG, jornais, associações…também levam artigo. Se forem nomes estrangeiros e o nome já contém um artigo, este é sentido como parte do nome, não é traduzido e colocamos um artigo definido em português à frete: o The Guardian, o El País, o El Corte Inglés, a Greenpeace, a Amazon, o El Correo Gallego…

 

O artigo e os números

3d letter with panther skin texture - Oartigo dá para muitos post, porque também dá para muitos erros.

Os números, as datas, as percentagens…fazem parte da nossa vida e há coisas que podemos melhorar. Temos que dar atenção, porque há alguns erros que são tão pequeninos que nem damos por isso. Vejam algumas dicas interessantes:

a) a palavra Metade não leva artigo nunca: apenas metade dos alunos passaram no teste.

b) os numerais ordinais (primeiro, segundo, terceiro…) quando acompanhados da preposição Por, levam artigo: pela primeira vez, reconheceu o seu erro.images

c) com as percentagens (50%, 10%…) ou não usamos o artigo, ou usamos o artigo no plural: a empresa assume 20% dos riscos; concordo 100% contigo; os 80% dos portugueses gosta de bacalhau.

d) números que usamos para exprimir o tempo e as datas:

-os dias do mês e os anos também não levam artigo: eu nasci a 17 de junho de 1982, mas a minhã i15022012calendario003rmã nasceu a 12 de junho;

-as décadas também não levam:  o decénio de setenta foi o da guerra fria; em 80 as roupas eram mais criativas.

-as horas não levam artigo: Que horas são? são seis horas. Mas quando a expressão da hora tem uma preposição, a estrutura muda e sim usamos artigo: parto para o Porto no autocarro das sete e meia.

O artigo e os topónimos

Um capítulo novo da nossa coleção “o artigo”. Nesta nova “cruzada” falaremos sobre o artigo e os topónimos, isto é, o artigo e os nomes de lugar.

No português muitos nomes de lugar levam artigo, para nós isto não é uma coisa estranha: a Corunha, o Porrinho, o Carvalhinho…

Ribeira_do_porto

Ribeira do Porto

Quando um topónimo leva artigo, comporta-se como qualquer oura palavra que leve determinante. Vamos explicar como:

a) o artigo é obrigatório em qualquer contexto da frase: o Porto tem grande densidade de população.
b) são obrigatórias as contrações de artigo e contração: no Porto é muito conhecida a zona da ribeira.
c) as regras de maiúsculas e minúsculas, são as mesmas que noutros contextos: disse que a Guarda era longe.
d) a maior parte dos países levam um artigo antes (no Brasil, na Polónia, na Alemanha, na Argentina, no Peru, na França…) mas há alguns nomes de países que não levam artigo. Tomem nota de quais não: em Portugal, em Moçambique, em Angola, em Cabo Verde, em Timor, em Marrocos, em Castela, em Aragão.
No caso da Espanha, a França, a Itália e a Inglaterra podem ocorrer com ou sem artigo.

Em todos os casos anteriores, o artigo desaparece quando o topónimo está fora de uma frase: enumerações, listas, mapas, placas da estrada…


 



O artigo

aLeio cada dia composições de alunos e alunas, mensagens de pessoas no Facebook…e sempre me debruço com o mesmo: pequenos erros com o artigo em português que poderiam ser evitáveis.

Andei a analisar e corrigir textos durante anos (eu nasci para isso) e cheguei à conclusão de que o artigo é um grande saco de pancada para muitas pessoas. Vou fazer uma coleção de post que tratem este tema em profundidade. Hoje começamos pelo princípio, coisas muito básicas, mas coisas necessárias que podem deixar um texto muito mais limpo.

Artigo definido

Artigo indefinido

o, os

a, as

um, uns

uma, umas

Vejam aqui as formas. Não existe o artigo *UMS

Os grandes erros na forma que eu vejo, vêm com as contrações e a acentuação. Vou colocar outra tabela e assim dá para ver:

Artigos e contrações

DE

do, da, dos, das / de um, de uns, de uma, de umas

(Também existe a possibilidade de contrair: dum, duma…)

A

ao, à, aos, às

POR

pelo, pela, pelos, pelas

EM

no, na, nos, nas / num, nuns, numa, numas

(No Brasil também existe a possibilidade de não contrair na escrita: em um, em uma…)

COM

Não contrai na escrita, na fala sim.

De acordo com isto, não existe a forma Ó, nem Á. Notem bem, porque Ó em português é uma interjeição: Ó Maria, anda cá!

oTambém devemos evitar formas como *co, coas, cas, cuma…Uma coisa é a escrita e outra é a fala, são dois sistemas diferentes. Por exemplo, escrevemos “coroa”, mas dizemos “croa”, nisto é igual. Ninguém escreve como fala nem fala como escreve.

O acento da contração ÀS, À vai neste sentido (`) porque é um acento grave. O acento grave apenas vai sobre A quando esta letra faz parte de uma contração: à, às, àquele, àquela, àquilo, àqueles, àquelas. Por exemplo: vou à padaria; vou àquele café todos os dias.