Cerveira em Vigo

O romancista russo Ivan Turgueniev dizia que A arte de um povo é a sua alma viva, o seu pensamento, a sua língua no significado mais alto da palavra; quando atinge a sua expressão plena, torna-se património de toda a humanidade, quase mais do que a ciência, justamente porque a arte é a alma falante e pensante do homem, e a alma não morre, mas sobrevive à existência física do corpo e do povo.

Se quiserem dialogar com essas almas falantes de um povo, fiquem a saber que desde amanhã até ao dia 13 de janeiro poderem ver na sede do Centro Cultural Camões em Vigo uma seleção de 12 obras da Bienal Internacional de Arte de Cerveira. Elas são também 12 visões estéticas diferentes de artistas portugueses/as e espanhóis/espanholas (Acácio de Carvalho (PT), Alberto Vieira (PT), Álvaro Queirós (PT), Ana Vigidal (PT), Carlos Casteleira (PT/FR), Henrique do Vale (PT), Joana Rêgo (PT), Manuela Bronze (PT), Ricardo de Campos (PT), Rosa Ubeda (ES), Sobral Centeno (ES), Vasco Sá-Coutinho (ES)

O horário é de segunda a sexta-feira das 10h30 às 14h e das 16h às 18h30.

 



Teatro, Dança e Arte em ação no Gaiás

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De 28 de janeiro a 13 de fevereiro decorre o Festival “Escenas do cambio” (sic) no Gaiás. Já agora, não gosto do nome, mas gosto é (e vocês sabem) de ter a oportunidade de criar posts de temática muito diferente e este evento…dá muito jeito.
Há tempo que tenho a secção LusopatizArte às moscas e precisava mesmo de uma notícia assim. Não é só um festival interdisciplinar, mas também um catalisador de novas criações e artistas vindos de toda a parte.
O programa é muito completo e atraente. Selecionaremos, como é costume, as criações lusopatas para vocês:

  • 28 janeiro, 20h30: Jaguar, Marlene Monteiro Freitas. Jaguar é o nome que se dá a alguns cavalos, uma dança e um espetáculo de marionetas.

Marlene Monteiro Freitas, nascida em Cabo Verde, traz à dança a abertura, a impureza e a intensidade. A sua maneira de dançar tem seduzido públicos muito variados e antecipa um mundo futuro: caos, hipnose e velocidade.

  • 3 de fevereiro, 18h30, sala2: Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas, Joana Craveiro e Teatro do Vestido.

Anuncio-vos que esta é uma peça documental de 4h de duração. Ficaram apavorados? Não fiquem, há um jantar incluído no bilhete! Esta é a minha grande aposta: um documentário com testemunhos de pessoas comuns sobre as memórias oficiais e não-oficiais da ditadura salazarista e da revolução dos cravos.

Ganhadora do Festival de Almada 2015, (algum dia viverei lá), a peça coloca muitas questões: o silêncio, o silenciamento, a história oficial e a não-oficial.

  • 5 de fevereiro, Mordedores, Lucía Russo e Marcela Levi.

A coreógrafa carioca Marcela Levi e a coreógrafa argentina Lucía Russo criam no Rio de Janeiro um novo trabalho com o carimbo de Improvável Produções. A discórdia e a violência são os motores criativos e a pulsão que move cada corpo.

  • 6 de fevereiro, In-organic, Marcela Levi.

A performista carioca não descansa e traz para o festival uma peça a solo. Compostela será o marco para uma estreia europeia do espetáculo.

Uma peça sobre a autonomia, as ações rituais e domésticas e as pequenas violências das relações humanas. Conceito e brutalidade nunca estiveram longe. Uma performance inscrita na melhor tradição da arte brasileira, de Lygia Pape a Hélio Oiticica.

Então já têm eventos para marcar na agenda. Não esqueçam que “quem dança seus males espanta”

 

Videobrasil no MARCO

Gostamos imenso de voltar a escrever na categoria LusopatizARTE, que levava desde a exposição de Paula Rego na Corunha um tempo sem ser atualizada.

Desde o dia 11 de setembro até 7 de fevereiro poderemos ver em Vigo a exposição Videobrasil no museu MARCO.

05_Luiz de AbreuA coleção é um projeto da Associação Cultural Videobrasil, de São Paulo. Nasce como fruto do desejo de acolher institucionalmente um acervo crescente de obras e publicações, reunidas desde a primeira edição do Festival Videobrasil, em 1983. Desde então, a associação trabalha sistematicamente no sentido de ativar essa coleção, que reúne obras do Sul geopolítico do mundo – América Latina, África, Leste Europeu, Ásia e Oriente Médio –, clássicos da videoarte, produções próprias e uma vasta coleção de publicações sobre arte.

Pelo que ouvi no programa Diário Cultural, da mão de Natalia Poncela -a minha guru das artes- o vídeo é usado como ferramenta de crítica por forma a nos fazer refletir sobre os suportes da arte, o modo em que as galerias expõem as obras e é também um instrumento documental que ajuda a lembrar muitos episódios históricos. Poderemos ver pequenos filmes, instalações e performances.

A seleção que cá chegou tem como denominador comum a violência de estado, as fronteiras políticas, e o preconceito. Uma revisão da história do sul do planeta de um ponto de vista brasileiro para curar a nossa amnésia permanente.

Do barroco para o barroco

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A Casa da Parra, em Compostela, volta a ter criadores e criadoras lusófonas. Hoje, pelas 20h será inaugurada a exposição Do barroco para o barroco que conta com 18 artistas portugueses, brasileiros e argentinos que trazem o melhor da Bienal de Arte da Cerveira.

Todos estes criadores seguem conceitos e linguagens artísticas, usam registos e materiais diversos e posicionam-se em estéticas diversificadas no contexto sociocultural contemporâneo.  O facto que os une é terem desenvolvido projetos específicos para o Carpe Diem – Arte e Pesquisa (Lisboa).
Irão encontrar muita mistura de géneros artísticos, poucos limites entre as diversas disciplinas. Um interrogante que obriga um diálogo entre os autores e as pessoas que vemos as obras.

A mostra é itinerante, já esteve em Braga e agora chega até nós. Os curadores assinalam que o facto de chegar Compostela “propicia uma dinâmica privilegiada, atendendo às forças de pessoas num público vizinho e cúmplice. Servirá de motor para descobertas, por parte dos visitantes, oriundos de inúmeros países, todos os que afluem à cidade de Santiago de Compostela, tanto quanto para a comunidade local”

Deixo-vos com esta pequena amostra.

Esculturas inéditas de José Pedro Croft

josé pedro croft

“Três pontos não alinhados” é o nome da exposição que está patente no Palexco, na Corunha, desde 22 de fevereiro do artista portuense José Pedro Croft. No total são nove esculturas e a maioria inéditas, a exposição inclui ainda quinze desenhos que podem ser visitados até o próximo 19 de maio.

Inserida num programa de artes plásticas impulsionados pelo governo municipal da Corunha, organizado pelo pelouro da cultura, que em 2013 contou também com a obra do artista galego Vari Caramés. João Pedro Croft provoca o expectador fazendo-o deambular pelo espaço à procura de várias perspectivas das obras expostas. As várias perspectivas são criadas pelos diversos espelhos usados nas esculturas gerando zonas enigmáticas e fissuras perceptivas, em que tenta apreender essa realidade densa com o olhar.

Portuense, como já disse, representou Portugal na bienal de Veneza em 1995 e na bienal de São Paulo em 1987, a sua obra tem especial referência na arquitectura a través da organização do espaço formal e do conceito de monumento e deconstrução, tem já um estatuto no panorama artístico português, participando também em mostras internacionais e tendo realizado exposições individuais na Fundação Calouste Gulbenkian e no CCB.

Jose pedro croft

 

This is Brazil

arte brazil

É assim, em inglês, que se apresenta a exposição retrospectiva que nos traz à Corunha aquilo que de melhor se faz nas artes plásticas no Brasil. Desde 11 de Maio até 11 de Junho vão poder desfrutar de arte brasileira das duas últimas décadas no Kiosco Alfonso e no Palexco.

É uma exposição em dois espaços diferentes, mas perto um do outro, quem não seja cascarilheiro de gema que fique descansado, e no total vai contar com 67 obras de artistas cotados no Brasil e fora das fronteiras do país continental nos últimos vinte anos, de ai o mote 1990-2012. Tem como comissário a David Barro quem, coincidindo com o evento, publica um livro em co-autoria com o recentemente falecido Paulo Reis, que analisa a arte plástica do Brasil desde os anos sessenta até hoje.

Com 38 artistas, dá para descobrir as obras de Albano Afonso, Efrain Almeida, Tonico Lemos Auad, Brígida Baltar, Felipe Barbosa, José Bechara, Cabelo, Sandra Cinto, Paulo Climachauska, Marcos Chaves, José Damasceno, Dias & Riedweg, Detanico & Lain, Iran do Espírito Santo, Marcius Galan, Marco Giannotti, Fernanda Gomes, Cao Guimarães, Lucia Koch, Jarbas Lopes, Rubens Mano, Marepe, Raul Mourão, Vik Muniz, Ding Musa, Ernesto Neto, Rivane Neuenschwander, Mariana Palma, Caio Reisewitz, Rosana Ricalde, Mauro Restiffe, Thiago Rocha Pitta, Valeska Soares, José Spaniol, Adriana Varejão e Laura Vinci.

Em palavras do curador da exposição, a arte num país continental como o Brasil é muito difícil de definir e fazer as escolhas certas é uma dura tarefa, ao não haver apenas um Brasil, mas múltiplos. Tendo em consideração o poder político e económico do sudoeste o país, as figuras das artes plásticas partem sempre de São Paulo e do Rio, e nomeadamente da bienal de São Paulo, nesta exposição tenciona-se mostrar outros pontos de vista, a unir o considerado moderno e brasileiro com o regional.