Apóstolo 2018

As festas de Compostela são uma ocasião para vermos bons concertos de bandas emergentes ou grupos nem sempre conhecidos. E eu curto.

Outros anos, o programa de festas “não institucional”, isto é, aquele mais virado para o Dia da Galiza, feito também por diversos coletivos, supunha para mim uma lufada de ar fresco e mesmo tenho apontado que chegava a concorrer com o programa da câmara. Nestes dias vi todos os programas e confesso que não há coisas que me seduzam muito (falo eu, na primeira pessoa). Tem havido anos em que…nem sabia por onde começar a escrever este artigo, porque as ideias vinham a mim em rodopio, mas este ano para mim é um bocado fraco em número de artistas lusófonos.

Vamos lá com a proposta. Começamos por hoje às 22h, na Praça 8 de março. Compostela Território de Mulheres organiza um mini-festival de autoras, entre as quais estão as nossas divas do norte: as Batuko Tabanka. Como é que na Galiza tenhamos coisas tão boas e tenham tão pouca difusão? É incrível que desde 2015 não voltassem a aparecer entre as linhas deste blogue. In-crí-vel.

 

Estas doze mulheres de origem cabo-verdiana e radicadas em Burela trarão ritmo, alegria e morabeza sem igual à nossa cidade.

Vamos de Cabo Verde a Portugal, porque no sábado 21 temos o concerto do João Afonso e o Rogério Pires. Às 23h na Praça do Toural poderemos ver estes dois músicos no palco. Eles definem o seu espetáculo como um encontro entre amigos. Só vozes e guitarras elétricas é que criam essa atmosfera intimista.

João Afonso e Rogério Pires estão a fazer uma pequena digressão nestes meses com o seu disco Buganvília. De facto o João Afonso está no domingo em Vilar de Santos (Arca da Noe, 21h), por sinal.

Querem ainda novos destinos? temos mais: Moçambique. No dia 23, segunda-feira, poderemos ver o concerto dos Timbila Muzimba com Ogun Afrobeat. Os Timbila e o Cheny Wa Gune já tinham estado connosco graças ao Narf, mas posso fazer uma pequena biografia na mesma. Em 1997 um grupo de jovens músicos e bailarinos dos bairros de Maputo criou uma orquestra de timbilas, eles são uma conjunção entre a tradição e a modernidade.

 

Curtam das festas! A gente vê-se!

 

Compostela em festas

Em muitos países orientais ser impontual é uma coisa horrível. Eu também não gosto de pessoas que não chegam nas horas combinadas…pouco perdão tenho hoje. Queria há dias fazer um artigo sobre as festas em Compostela, mas umas férias improvisadas têm-me afastado do teclado por uns tempos.

Então, fiquem a saber que já não dá para eu falar de Selma Uamusse (Moçambique), Bixiga 70 (Brasil), Vânia Couto (Portugal) ou Celina da Piedade (Portugal). Andei nas nuvens…pelo menos ainda chego para vos dar três recomendações:

-dia 22, sábado, Maria Gadu (21h, Praça 8 de março). Quem não conhece o Shimbalaiê? Shimbalaiê é Maria Gadu. A cantora paulistana, criadora de grandes sucessos da MPB, virá a Compostela com um repertório de clássicos, mas também com o seu novo álbum no braço: Guelã.

-dia 24, segunda, The Gift (22h, Praça da Quintana). Necessitam qualquer apresentação? amamo-los e queremo-los sempre de volta. O grupo português com mais presença no mundo inteiro chega de Alcobaça à Quintana para fazer barulho e tocar teremim.

A máquina desta banda está bem azeitada e funciona muito bem. Altar é o seu novo trabalho e a verdade é que a canção Big Fish é dessas para dar pulinhos.

-dia 25, terça, Bifannah (22h, Praça da Quintana). Uma banda da Galiza sedeada em Londres com canções escritas na influência da poesia experimental portuguesa. Como não havia de falar deles? Maresia é o seu trabalho mais recente. Toques de psicodelia, atlantismo e tropicália.

Mais uma vez…Deolinda

O Clube de fãs dos Deolinda na Galiza está de parabéns. Os Deolinda estão de volta, sim. E reafirmo-me nisso de De volta porque já vi muitos sites que andam para aí a dizer que é a primeira vez deles na Galiza. Amigos e amigas, vai-vos crescer o nariz.

Deolinda-são-os-grandes-convidados-da-primeira-gala.jpg

Houve um ano, acho que foi 2011, que eles tocaram muitas vezes na Galiza. Ponte Vedra, Ferrol, Ourense…Num Festigal também sei que tinham atuado e agora voltam para apresentar ao público galego os novos temas entre os quais está uma das minhas canções (hinos) de praia. Pode haver canção que exprima melhor a minha frustração estival? acho que não. Corzinha de verão é já um símbolo para quem anda a trabalhar nos dias de calor ou vai de férias e só calham dias de chuva.

O vídeo é…cinco estrelas. Podem crer.

Mundo pequenino e Outras histórias são os últimos trabalhos da banda, um bocado mais afastados da visão musical de trabalhos anteriores, mas com as letras criativas de sempre.

Esta sexta-feira, em Compostela, às 23h30.

 

Kumpania Algazarra voltam à Galiza!

Uma das grandes satisfações para alguém que não é de uma cidade é ver como uma das bandas que gosta tocou antes na aldeia. Tem qualquer coisa de bairrista isto, eu sei.

Depois de terem o seu primeiro contacto com o público galego em Taragonha, como diz o Julio Iglesias “terra do meu paiiii”, os Kumpania Algazarra voltam à Galiza para tocar na capital.

A banda de Sintra mistura música cigana, folk, ska e ritmos balcânicos e não me passa pelo goto uma proposta melhor. Ritmo e ambiente de festa para uma sessão de 24 de julho em que eles vão ser a cereja no bolo. Depois de apresentar-nos em Taragonha o seu sucesso Super Cali, agora poderemos ouvir A festa continua…porque em Compostela, a festa não para!

Isto no dia 24 à noite vai dar barraca!

Depois dos Linda Martini, na Quintana, às 00h

Linda Martini

Linda-Martini3Uma das coisas bizarras que eu faço (e tenho muitas bizarradas) é colecionar músicas que falem de olhos no título. Nessa lista que tenho no Spotify e que guardo como um tesouro, há músicas como My father’s eyes, Dois olhos negros, Aquellos ojos verdes…Tenho mais de 120 canções.

Um dia, tentando engrossar essa coleção, dei com um álbum: Olhos de Mongol, de Linda Martini e aí…tive que criar uma nova playlist só para esta banda.

Linda Martini pertence ao novo rock português. De tempos em tempos surgem bandas como esta que evidenciam que a música portuguesa é um projeto aberto, grande e experimental que é capaz de envolver muitos estilos. Eles têm a força trovadora dos Toranja, as guitarras pungentes dos The Vicious Five e o experimentalismo dos Paus.

Longe das comparações que a crítica faz com os Ornatos Violeta, o tema Amor Combate foi um habitué das horas de música da Antena 3, estação que já agora, recomendo vivamente para estarem a par de todas as tendências e festivais.

No dia 24, na Quintana às 22h Dá-me a tua melhor faca e Dez tostões.