Adriana Calcanhotto em Compostela

Adriana Calcanhotto não precisa de ser apresentada. Talvez seja uma das artistas mais versáteis dentro da música brasileira. Além disso, não sei se sabem, atualmente está a dar aulas sobre “como escrever canções” na Universidade de Coimbra, pois ela é uma das embaixadoras desta entidade.

A descoberta de como escrever canções continua até 7 de maio mas, pelo meio… teremos um concerto único na Galiza, em Compostela.

Um conceito inspirado na “Mulher do Pau-Brasil”, movimento modernista brasileiro dos anos 20, com o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, a sua influência no Tropicalismo e toda a informação que chegava de fora do país a ser reinventada nos termos locais. A descolonização mental e cultural do Brasil foi resolvida assim, muito inteligentemente, em termos de antropofagia. O Brasil é uma nação capaz de apanhar produtos culturais europeus e “comé-los”, abrasileirá-los, fazer uma versão própria. Nós, muito pelo contrário, na Galiza resolvemos ser sempre comidos…

Deixo-vos o manifesto antropófago por se quiserem dar uma vista de olhos, porque é verdadeiramente interessante. Nele aparece o desenho do Abaporu, de Tarsila do Amaral, uma pintora que bem vale uns minutos de leitura sobre ela.

Podem ver o vídeo dela a recitar o manifesto em:

Amanhã em Compostela às 20h30 no auditório da Galiza.

Pagu, uma menina nada comportadinha

Patrícia Rehder Galvão (1910-1962), Pagu, queria uma maior participação das mulheres na vida pública e na política. Militante comunista, foi a primeira mulher brasileira do século XX que esteve no cativério pelas suas ideias políticas.
Foi a pedra no sapato da sociedade da época porque fumava na rua, usava blusas transparentes, tinha o cabelo curto e dizia palavrões.
A Pagu foi uma inteletual, jornalista e escritora. Embora se tenha tornado musa dos modernistas, não participou da Semana de Arte Moderna porque tinha apenas 12 anos em 1922, quando a Semana se realizou.
Com 19 anos conheceu o casal de modernistas Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral que a apresentaram ao movimento antropofágico e praticamente a “adotaram”.
Em 1930 Oswald separou-se de Tarsila e casou-se com Pagu que estava grávida do seu filho, Rudá. Isto foi um grande escândalo para a moral da época.
Três meses após o parto, Pagu viajou para Buenos Aires para participar de um festival de poesia. Quando voltou, estava já seduzida pelos ideais marxistas. Um ano depois foi presa como militante comunista, durante uma greve dos estivadores em Santos. Quando foi solta, a polícia de Getúlio Vargas obrigou-a a assinar um documento em que se declarava uma “agitadora individual, sensacionalista e inexperiente”.
Anos depois publica Parque Industrial e separa-se do Oswald para se casar com Geraldo Ferraz.
Foi animadora cultural, desenhadora, escritora de teatro e contos, tradutora…e também foi a primeira pessoa que introduziu as sementes de soja no Brasil. Ícone e símbolo de muitas expressões artísticas, após várias tentativas de suicídio, morre de cancro em 1962.