Carolina Beatriz Ângelo

200px-Carolina_Beatriz_ÂngeloNo dia 8 de março faço sempre um especial sobre uma figura feminina de algum país da CPLP. Neste ano não ia ser diferente. Hoje quero falar da Carolina Beatriz Ângelo, uma lutadora, uma sufragista, a primeira mulher a votar em Portugal.

Carolina Beatriz Ângelo nasceu na Guarda em 1877, onde frequentou os estudos primários e secundários.
Na cidade de Lisboa foi à Escola Médico-Cirúrgica e tempo depois tornou-se a primeira médica cirurgiã portuguesa, também se dedicou à ginecologia. No seu trabalho conhece Januário Barreto e casa com ele. Em 1902, desse matrimónio resulta uma filha, mas aos 21 anos fica viúva.jornal

Sufragista e pertencente à maçonaria, junto a outras companheiras de luta formou o quarteto de liderança desta ala feminina da Maçonaria em Portugal, grupo que veio a assumir-se como elite de um certo feminismo republicano, nem sempre encontrando um espaço no  eco republicanismo português, na altura,  dominado por homens.

Carolina Beatriz Ângelo revelou-se uma das figuras mais carismáticas do feminismo e do republicanismo da primeira década do século XX. Em, 1911, Carolina Beatriz ao ler a lei prevista na Constituição de 1911 verificou que esta ao decretar quem tinha direito ao voto, não especificava o sexo e a perspicácia desta médica, levou-a a lutar pelo seu direito ao voto já que era uma cidadã portuguesa. Esta lei, ao definir quem seriam os cidadãos que poderiam votar, não distinguiu o sexo, dizendo apenas que quem poderia eleger o governo seriam os cidadãos portugueses. Carolina Beatriz apresentou um recurso em tribunal a fim de poder votar.

A 28 de maio de 1911 torna-se a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto, aproveitando a pouca claridade desta lei. Mas isto foi sol de pouca dura: a legislação é imediatamente mudada, especificando que só os homens poderiam votar. Contudo, o facto mereceu a cobertura de jornais de toda a Europa, admirados pela coragem desta mulher e pelo aparente rumo progressista da recém-criada República Portuguesa.

Carolina Beatriz Ângelo falece poucos meses depois. Não conseguiu ver as mudanças posteriores nas leis eleitorais, mas foi dessas mulheres que enveredaram um caminho novo, caminho que outras pudemos palmilhar. Obrigada, Carolina.

 

Vejam a reportagem da RTP.

 

Anne Sullivan e Helen Keller (e Roberto Cordovani!)

cartaz hellenLembro-me bem da primeira vez que eu vi uma peça de Roberto Cordovani. Eu estava na faculdade e tinha que fazer um trabalho sobre teatro galego, tinha que visualizar uma peça e fazer um comentário crítico, por outras palavras, meter-me na pele de um crítico de Broadway quase.

Não conhecia Roberto Cordovani, verdade seja dita. Só fui ver a peça porque tratava da Bela Otero e ela é uma figura que me toca na alma, por proximidade geográfica e por ser uma dessas vidas surpreendentes. O que eu menos imaginava era que o próprio Cordovani encarnava a diva de Valga e era por sua vez capaz de fazer outras tantas personagens com uns elementos cénicos mínimos: um farol e um banquinho.

Anne Sullivan e Helen Keller, a luta pela inclusão social, está inspirada na autobiografia de Helen Keller, lançada em 1902. A história é por todos e todas conhecida e foi levada também ao cinema.

A peça conta a vida da menina Helen, surda-cega, que vive num mundo de escuridão, incompreendida e tratada como doente pela família. Com a chegada da professora Anne Sullivan, a sua existência muda completamente, e as transformações significativas pelas quais ela passa acabam por afetar também a sua família. O espetáculo enfatiza a revolta que pode emergir de alguém que não compreende o mundo à sua volta e, além disso, enfrenta imensas dificuldades para se expressar, se comunicar, entender e ser entendido.

Uma obra de protagonismo feminino, de mulheres fortes que lutam pela vida e de valores de inclusão. Com ela podemos ver o mundo através de quem fala com a língua LGP (Língua Gestual Portuguesa) ou LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais)

Dias 20 e 21 de janeiro, no Teatro Principal às 20h30.