Tá-se, tá-se, tá-se “mui” bem

Recordo à perfeição o dia em que o soube.
Era o ano 1996 e entre sandes de Nutella e apontamentos de Ciências Naturais descobri-o. Foi uma tarde qualquer, como todas as outras tardes à saída das aulas na escola secundária. Seguia o meu ritual de fazer os trabalhos para casa enquanto via na TVG o Xabarín Club e assim, de roldão, começou a soar reggae. Nunca mais esqueci aquela música.

Pouco tempo depois recebi como prenda o CD de “A cantar con Xabarín” e após alguns anos, na Fnac do Chiado de Lisboa, comprei o compilatório daquela banda: Kussondulola. Conto isto muito literariamente, quase de um jeito épico, porque o dia da sandes de Nutella soube que a nossa língua era mundial. E “tava-se bem, muita bem” fazendo parte de um mundo grande.

Para quem não souber, estes meus ídolos (ganhadores de um prémio Blitz) residem em Portugal, mas a banda é angolana. Janelo da Costa é o líder que na década de 90 pôs Portugal a pular com canções e ritmos novos. Entre portugueses e africanos vindos dos Países Africanos de Língua Portuguesa, não há quem não conheça Kussondulola. Eles falam de histórias de um país longínquo, histórias de “kotas“, de guerras civis, de Jah e de cannabis.
Janelo da Costa e o grupo estarão este fim de semana no Festival a Rebusca. Decorem: amanhã pelas 23.00 em Maceda de Trives. Lá poderão ouvir grandes temas como Perigosa, Tá-se bem, Amor é bué, Guerrilheiro…

Rabadabadabadabadá!

Ondjaki em Compostela

Hoje apresentamos uma actividade diferente, é um encontro com um escritor, um escritor angolano por sinal. A Agal, em colaboração com a Rede de Bibliotecas da Galiza traz Ondjaki para falar da obra literária e, calculo, das outras disciplinas artísticas nas que também se tem destacado, como a actuação ou o cinema, será na biblioteca Anxel Casal de Compostela às 19:30 da quinta dia 2.

Ndalu de Almeida, conhecido como Ondjaki é um escritor, poeta e romancista, angolano, descendente de portugueses, angolanos e com um bisavô cônsul holandês para além de ser escritor também se destaca pela actuação teatral e pela pintura. Fez roteiros para o cinema e codirigiu em 2006 um documentário. No ano 2000 recebeu uma menção honrosa no prémio António Jacinto (Angola) pelo livro de poesia “actu sanguíneu”. Participou em antologias internacionais (Brasil e Uruguai) e também numa antologia portuguesa.É membro da União dos Escritores Angolanos.

Entre seus livros mais conhecidos estão o romance Bom Dia Camaradas, de 2001; a novela O Assobiador, de 2002; o livro de poesia Há Prendisajens com o Xão, de 2002; o infantil Ynari: A Menina das Cinco Tranças, de 2004, e o mais recente volume poético Materiais para confecção de um espanador de tristezas, de 2009.

Além de falar e conhecer o escritor, também vão estar à venda livros da imperdível loja on-line da Agal.

Outra vez não!! Aline Frazão

Hoje deito aqui um post no que não vamos ser isentos, em verdade a isenção só existe no mundo das ideias, mas a realidade e menos ainda a Aline se podem subsumir nela.

Foi já há uns bons anos que conhecemos a esta rapariga no local da saudosa Esmorga, em Ourense, e não foi uma vez só, na altura deixou-se cair três vezes (se bem me lembro), embora residisse em Barcelona, com o seu projecto “A minha Embala”. Todos ficamos a perceber que aquilo tinha pernas para andar, e andou. Desde aquele início a Aline já esteve em palcos em Lisboa, Madrid e ganhou o concurso Musicando Carvalho Calero, organizado pela Agal e pelo site Komunikando. Também esteve presente junto com grandes da lusofonia no último Cantos na Maré em Ponte Vedra.

Da última vez que a vi, já num novo projecto e com novos parceiros, foi no Festival dos Abraços (espero que continue mas não estou especialmente optimista) em Compostela, e adorei. Ela representa uma nova geração de música na que em resumo se mistura tudo, com a frescura que dá o talento e o trabalho bem feito e a dose certa de originalidade que só pode dar precisamente isso, juntar as raízes angolanas à Bossa Nova.

Esta semana temos dose dupla de Aline na que espero apresente o single “Clave Bantu”, do novo álbum que está quase para sair. Eu vou e espero que vocês apareçam, dia 30 de Novembro na Escola de Línguas de Ourense e dia 4 de Dezembro no Culturgal, no Paço da Cultura de Ponte Vedra, a gente vê-se lá.

Quem quiser saber mais deixo aqui links

Aline no Myspace http://www.myspace.com/alinefrazao
O blogue da Aline http://kukiela.wordpress.com/blog-da-cantora-angolana-aline-frazao/

Clave Bantu_Aline Frazão from xavier belho on Vimeo.