Ler contos com diferentes sabores da nossa língua II

Chega aí uma segunda edição do Ler contos com diferentes sabores da nossa língua. Lembram-se? no ano passado na biblioteca Ánxel Casal de Compostela houve uma iniciativa conjunta da AGAL e da própria biblioteca para achegar as literaturas lusófonas aos miúdos (e também aos graúdos). Felizmente, o evento conta com uma segunda edição que decorrerá amanhã às 18h30.2016_04_23_2ªedición_Ler-contos-com-diferentes-sabores-da-nossa-língua

As pessoas que vão pôr voz aos contos são:

  • Angola: Sara Vongula
  • Brasil: Márlio Barcelos
  • Galiza: Ángeles Goás
  • Portugal: João Ribeirete

Vão a esta atividade e sejam felizes como petizes!

José Luís Pires Laranjeira e Luandino Vieira na livraria Ciranda

10363320_594082537364463_6558917995559632089_nNesta semana no calendário brasileiro (20 de novembro) é comemorado o Dia da Consciência Negra. Também nesse dia teremos o estudioso José Luís Pires Laranjeira e o escritor Luandino Vieira na livraria Ciranda, que propõe uma tarde de quinta-feira próxima dos livros, da literatura angolana e da negritude.
Quando estudante, nas aulas de Literaturas africanas de língua portuguesa estes dois nomes ecoavam com frequência, portanto vai ser uma grande sorte tê-los em Compostela uma tarde.

Para quem não conhecer, José Luís Pires Laranjeira é professor associado da FLUC. Ele é uma das vozes mais reconhecidas na investigação no âmbito das literaturas africanas, já que é autor de obra vasta sobre a matéria, tendo dedicado boa parte de seu esforço de investigação à questão da negritude. Falar em negritude no Dia da Consciência Negra é um plano superbom.

José Luandino Vieira não é a primeira vez que vem à livraria compostelana, já nos tinha honrado com a sua presença em eventos anteriores, mas mesmo assim, vou fazer também um breve percurso biográfico.

Nascido em Portugal, viveu a infância e juventude em Angola, onde participou no movimento de libertação nacional.Trabalhou em diversas profissões até ser preso acusado de terrorismo e libertado depois de mais de 14 anos.

Em 2006 foi-lhe atribuído o Prémio Camões, o maior galardão literário da língua portuguesa. Luandino recusou o prémio alegando, segundo um comunicado de imprensa, «motivos íntimos e pessoais»
Hoje vive em Vila Nova da Cerveira, afastado da vida pública, mas muito ativo no tecido social com a Associação Porta XXIII e a Editora Nossomos.
Esta quinta-feira eles dois falarão sobre a nova poesia angolana. Dia 20 às 20h (fácil de recordar, não é?)

Womex feito para nós

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O Womex, segundo a UNESCO, é a mais importante feira de world music do mundo. Palestras, concertos, filmes…e música, claro. Dentro da etiqueta world music, cabem vários estilos: músicas da diáspora, tradicional, folk, étnica, alternativa…Portanto, é proibido dizerem que não gostam, com tanta variedade é impossível.

Este ano o encontro é na nossa capital nacional. Decorrerá em vários pontos da cidade entre as datas 22-26 de outubro, mas o grosso da feira da indústria musical estará no Gaiás, onde vários artistas terão a oportunidade de estabelecerem novos contactos.

Revisto o programa, estamos contentes porque…nunca fizemos um artigo tão longo! nossa! quanta programação! Num festival internacional, essa percentagem de língua portuguesa é muito boa! Apanhem um lápis, porque a memória não vai ser suficiente para tanto.

-Batida (Angola/Portugal): estará no dia 24, às 0h45 na Quintana. Batida é o projeto musical de Pedro Coquenão, metade angolano, metade português. Faz música eletrónica com clara raiz na música tradicional angolana. Nesta semana lançou um novo disco, que se chama Luxo. Será também um luxo contar com Batida em Compostela. Alegria!

-Cesária Évora Orchestra (Cabo  Verde): estarão no dia 23, pelas 21h30 no auditório de Abanca. Uma banda com base nos músicos que acompanharam a artista nos seus últimos dez anos. Os músicos da “diva dos pés descalços” dão uma segunda vida ao seu repertório.

Nestes últimos dias, tenho descoberto uma outra homenagem do Stromae para a Cesária e agora tenho também muito orgulho em que tudo o que ela criou continue. Ideal para quem sentir “sodade” da Cesária.

-Ed Motta (Brasil): estará no dia 23, no auditório de Abanca, às 0h30. Cantor, compositor e produtor nascido no Rio e sobrinho do Tim Maia é o artífice de uma das minhas canções preferidas: caso sério. Com influências do MPB, funk e reggae, sabe misturar como ninguém para criar coisas lindas.

-Lula Pena (Portugal): estará às 23h n no auditório de Abanca no dia 25. Cantora portuguesa com um som quase hipnótico, é uma das vozes mais aplaudidas da música Pasión de Rodrigo Leão. Artista de culto, em cada música dá a sua visão do fado.

No OffWomex:

-Paulo Flores (Angola): vai estar no Salón Teatro, no dia 24, às 21h45. Um dos cantores mais populares de Angola. Começou com o kizomba, mas não deixou de parte a denúncia social. Para quem pensar que Angola é apenas Anselmo Ralph, por favor, abram os ouvidos com ele.

Na secção Atlantic Connections:

-Custódio Castelo (Portugal): no dia 23 às 21h no Teatro Principal. Músico e compositor português, acompanhou Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, Camané, Mísia…Com sete anos construiu o seu primeiro instrumento musical e já não largou a música nunca.

Sertanília (Brasil): vindos da Bahia, regatam a tradição da sertaneza, a música do sertão. Podem vê-los no sábado, pelas 22h30 no Teatro Principal.

-Na DJ Summit: teremos a DJ Marfox uma autêntica lenda urbana, suburbana e do gueto lisboeta. Na Sala Capitol, na madrugada, pelas 3h30 fechando a noite do sábado.

Na cerimónia dos Womex awards (dia 26)será premiada a fadista Mariza em reconhecimento à sua carreira. Não imaginaria um final melhor!

Mais uma vez…Ondjaki

angolegoEstavam a pedir, estavam a desejar isto desde a última vez que o Ondjaki veio à livraria Ciranda. Parece que aquela apresentação do livro soube a pouco e agora vamos voltar a ter o Ondjaki connosco.

Amanhã na livraria compostelana Ciranda haverá uma mesa redonda com Felisa Rodríguez Prado, Carlos Quiroga e o escritor angolano de Os Transparentes. Angolano de nascença e angolego de coração (como diz este cartaz da FSCH), o escritor e os professores da USC conversarão com os assistentes sobre literatura angolana.

O ato está marcado às 20h, mas quem já estiver na experiência anterior, sabe bem como são as horas e o tempo para o nascido em Luanda. O melhor será a história criada para justificar a demora. Não conhecem ainda o Ondjaki e as histórias dele? impossível! Vejam como interage com os leitores e leitoras no mundo 2.0.

Conversas e amigos…todos bem recebidos no aconchegante local da Ciranda.

Projeto Angola

06MayExpoAngolaÉ com pouco tempo de antecedência que anunciamos isto, mas aí vai a atividade lusópata da semana: projeto Angola.

Até o dia 15 podem ver na Fundación Granell em Compostela uma exposição fotográfica que recolhe o olhar de Javier Otero, o fotógrafo e jornalista que passou 40 dias de viagem pelo país das palancas negras.

Projeto Angola é o nome dado à exposição que envolve imagens das iniciativas que leva a cabo a ONG Rescate Internacional na província angolana do Bié. O foco da obra são as vítimas dos conflitos armados e refugiados.

Com fotografias de carácter costumista, Javier Otero dá a sua visão desta região angolana. Não percam, que já restam poucos dias!

Play-doc: documentários em português em Tui

homePlay-doc é um festival de cinema atípico, com estilo próprio, que cria um ambiente íntimo. Há dez anos que em Tui fazem um evento dedicado ao cinema de não-ficção: os documentários.

Não faz falta que para fazer grandes coisas, estas sejam feitas em lugares grandes. Eis o exemplo, Tui, um município fronteiriço que organiza um festival que foi destacado em Nova Iorke como um dos dez melhores do mundo especializados no género.

Como este ano estão de aniversário, criaram um novo espaço: o LAP. Um laboratório de apontamentos fílmicos, um lugar para poder trocar ideias, fazer rascunhos de roteiros e dedicar tempo à reflexão sobre as artes, maravilhoso, não é?

De 2 de abril a 6, podem ver os documentários propostos pelo festival. O Lusopatia aconselha a secção de cinema português.

-Alvorada vermelha: um documentário sobre o Mercado Vermelho de Macau. As tonalidades vermelhas do sangue, da carne, dos baldes e até dos olhos dos peixes, transportam o espectador para um universo estranho e assustador mas, ao mesmo tempo, belo e intrigante. Dado o valor estratégico que Macau tem na atualidade, acho que a obra pode ser muito interessante.

-É na Terra não é na Lua: a ilha do Corvo, no arquipélago dos Açores é o objeto do documentário, que pode ser entendido como um caderno de bitácora. 440 habitantes, uma cratera e uma natureza selvagem.

-Terra de ninguém: bombástico! reparem na pequena sinopse que vou dar. O doc conta a história de um mercenário de um comando de elite na guerra colonial de Moçambique e depois de Angola, que depois do 25 de abril trabalhou como segurança em Portugal e mais tarde como assassino a soldo da CIA e dos GAL.

E para dar continuação a uma máxima do jornalismo, já explicamos o Que, já informamos do Como e do Onde, apenas resta o Quando. Consultem os horários nesta ligação.

Katembe project: kuduro em família

KP02As atividades de lazer para crianças ou as atividades para fazer em família já não são aquelas lamechadas antigas. Ainda bem, porque sinceramente eu odeio a música etiquetada de “infantil”: refrões sem sentido, animalinhos e onomatopeias sem fim…Para aquelas pessoas que crescimos com o Xabarín Club, coisas destas não fazem sentido.

2011_1_5_QPz08in9Bm1DfLCCnsve03Dentro do festival MOTI (Mostra Ourensana de Teatro Infantil) há um espetáculo musical de uma banda que eu idolatro, sou mesmo fã: Katembe Project. Eles trazem kuduro e música eletrónica de Angola, movimentos impossíveis de break dance com ritmos que não saem da cabeça. Já tive oportunidade de vê-los duas vezes e que bom vai ser vê-los uma terceira. Os Katembe fazem um dos melhores espetáculos de dança que eu tenha visto. Julgem:

A agenda cultural da cidade das burgas dá a chance de ir ver o espetáculo este domingo dia 29, pelas 19h30 no auditório por 4 euros. Será um espetáculo para crianças com kuduro, uma coisa nunca antes vista. Não percam essa maka, camarás!

Benevides Maurício na EOI de Compostela

Benevides Maurício, professor, leitor de português e cantor angolano, visitará hoje a EOI de Compostela.

Não é o primeiro contacto que ele tem connosco, Benevides e a Galiza levam anos de relacionamento, como podem ver neste artigo. Ele já esteve em associações culturais, na USC e na escola de ensino secundário Rosalia de Castro…

…e também no Émundial:

Hoje estará na EOI de Compostela para explicar a situação atual de Angola. Será na sala 5, pelas 18h. Esta segunda já lá esteve em horário de manhã e hoje repetirá a experiência. Quem estiver interessado no processo de paz angolano e nos índices de desenvolvimento deste país poderá ir à palestra. Uma ótima oportunidade para estreitar relações lusófonas.

Tá-se, tá-se, tá-se “mui” bem

Recordo à perfeição o dia em que o soube.
Era o ano 1996 e entre sandes de Nutella e apontamentos de Ciências Naturais descobri-o. Foi uma tarde qualquer, como todas as outras tardes à saída das aulas na escola secundária. Seguia o meu ritual de fazer os trabalhos para casa enquanto via na TVG o Xabarín Club e assim, de roldão, começou a soar reggae. Nunca mais esqueci aquela música.

Pouco tempo depois recebi como prenda o CD de “A cantar con Xabarín” e após alguns anos, na Fnac do Chiado de Lisboa, comprei o compilatório daquela banda: Kussondulola. Conto isto muito literariamente, quase de um jeito épico, porque o dia da sandes de Nutella soube que a nossa língua era mundial. E “tava-se bem, muita bem” fazendo parte de um mundo grande.

Para quem não souber, estes meus ídolos (ganhadores de um prémio Blitz) residem em Portugal, mas a banda é angolana. Janelo da Costa é o líder que na década de 90 pôs Portugal a pular com canções e ritmos novos. Entre portugueses e africanos vindos dos Países Africanos de Língua Portuguesa, não há quem não conheça Kussondulola. Eles falam de histórias de um país longínquo, histórias de “kotas“, de guerras civis, de Jah e de cannabis.
Janelo da Costa e o grupo estarão este fim de semana no Festival a Rebusca. Decorem: amanhã pelas 23.00 em Maceda de Trives. Lá poderão ouvir grandes temas como Perigosa, Tá-se bem, Amor é bué, Guerrilheiro…

Rabadabadabadabadá!

Ondjaki em Compostela

Hoje apresentamos uma actividade diferente, é um encontro com um escritor, um escritor angolano por sinal. A Agal, em colaboração com a Rede de Bibliotecas da Galiza traz Ondjaki para falar da obra literária e, calculo, das outras disciplinas artísticas nas que também se tem destacado, como a actuação ou o cinema, será na biblioteca Anxel Casal de Compostela às 19:30 da quinta dia 2.

Ndalu de Almeida, conhecido como Ondjaki é um escritor, poeta e romancista, angolano, descendente de portugueses, angolanos e com um bisavô cônsul holandês para além de ser escritor também se destaca pela actuação teatral e pela pintura. Fez roteiros para o cinema e codirigiu em 2006 um documentário. No ano 2000 recebeu uma menção honrosa no prémio António Jacinto (Angola) pelo livro de poesia “actu sanguíneu”. Participou em antologias internacionais (Brasil e Uruguai) e também numa antologia portuguesa.É membro da União dos Escritores Angolanos.

Entre seus livros mais conhecidos estão o romance Bom Dia Camaradas, de 2001; a novela O Assobiador, de 2002; o livro de poesia Há Prendisajens com o Xão, de 2002; o infantil Ynari: A Menina das Cinco Tranças, de 2004, e o mais recente volume poético Materiais para confecção de um espanador de tristezas, de 2009.

Além de falar e conhecer o escritor, também vão estar à venda livros da imperdível loja on-line da Agal.