Cristina Branco com a Filarmónica da Galiza

A Real Filarmónica da Galiza e a fadista portuguesa Cristina Branco farão um espetáculo em parceria nos dias 14 e 15 do corrente mês. No dia 14 estarão em Compostela no Auditório da Galiza e no dia a seguir na Corunha no Teatro Colón. Os dois passes são à mesma hora, 20h30.

Para quem não souber, a Cristina Branco é uma das celebridades do Museu do Fado. Sim, a canção de Lisboa tem um museu. A cantora ribatejana tinha em Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Elis Regina os seus referentes até que um dia o seu avô lhe oferece um disco da Amália Rodrigues. A partir desse momento, começou a sua amaliomania.

Conta ela própria que uma noite atreveu-se a cantar fado de maneira descontraída, como quem não quer nada, e isso mudou a sua vida para sempre. Um dos músicos convidou-a continuar e assim a sua carreira começou.

Podem consultar o repertório de canções nas ligações que deixei lá cima. Não percam esta oportunidade de ouvir fado com os melhores músicos e uma das vozes mais cotadas da música lisboeta.

Esse surdo, esse sonoro

Antes de mais, temos que saber que o português é uma língua que sesseia. Não vamos encontrar nunca o som // que aparece no espanhol de Espanha de circo, centeno, marzo, zarpa…etc.
Como acontece no inglês, no catalão, no italiano, no francês…no português existem dois tipos de esses: o esse surdo e o esse sonoro. Dizemos isto porque quando pronunciamos silêncio (que tem dois esses surdos) e pomos a mão na garganta, as nossas cordas vocais ficam paradas, é um som surdo. Quando pronunciamos casa, música, onze, doze, treze…e fazemos a mesma prova, as nossas cordas vibram, porque é um esse sonoro.
Este é um som muito caraterístico e que diferencia palavras. Sem ele…até podemos meter-nos em maus lençóis. Um exemplo de problema é pronunciarmos isto à espanhola: pizza.
Não é a mesma coisa: casar/caçar; doze/doce; cinco/zinco…
Como pronunciamos o esse sonoro?
Podemos tentar imitar o voo que faz uma mosca ou uma abelha: Zzzz, zzzz, zzzzzzz. Esse é o som! É um zunido!
Os dentes precisam estar juntos, a boca semiaberta, e a ponta da língua deve tocá-los. O ar sai como fazendo umas cócegas na nossa língua.
E o esse sonoro em que contextos aparece?
Vamos lá ver um esquema dos dois esses.
Esse surdo /s/

-Nas palavras (sílabas) que começam por s-: sol, sapato, sumo, sentir…
-Com ç: caçar, poço, açúcar
-Com as sílabas CE e CI: cem, cinco, circo, parvoíce…
-Com -SS-: pássaro, passar, passagem, massa, massagem… Este dígrafo não é como no italiano, escrevermos dois esses não significa que o som dure mais, simplesmente é uma maneira de indicar que este som é surdo. Ouçam isto.

Esse sonoro /z/
-Nas palavras (sílabas) que começam por z-: zunido, zebra, zambiano…
-Com -z- no meio de duas vogais: fortaleza, gentileza, certeza… Ouçam isto.
-Com -s- no meio de duas vogais: música, física, casa, portuguesa… Ouçam isto.

Ainda com dúvidas? um rapaz alemão escreveu ao Ciberdúvidas, vejam a resposta.

E vamos com um clássico para aprendermos isto, não me ocorre outra música melhor!

Dulce Pontes em concerto

dulceA primeira vez que eu tive um disco de música portuguesa nas mãos eu devia ter uns onze ou doze anos. A minha irmã tinha uma fase de ouvir fados vezes sem conta e tínhamos um cd de Dulce Pontes ao vivo no Coliseu do Porto como banda sonora em casa. Eu dizia para ela que não gostava, mas quando ela não estava em casa eu ouvia o disco na nossa aparelhagem (uma aparelhagem daquelas da década de noventa que ocupava o espaço de um estaleiro do grande que era).

E foi assim, entre o Xabarín Club, o Xou da Xuxa e a Dulce Pontes que comecei a sentir a atração de um íman que nunca me abandonou. Depois viriam muitas outras coisas…

Como quem volta a casa depois de muito tempo e sente o cheiro do conhecido e familiar, assim é voltar a ouvir Dulce Pontes para mim. A artista portuguesa estará na Galiza o próximo mês em dois concertos:

-7 de novembro, 21h. Auditório Palácio de Congressos Mar de Vigo. Vigo.

-8 de novembro, 21h. Palácio da Ópera. Corunha.

Fados, pop e folclore unidos numa cantora só. Não percam a oportunidade de reviver músicas do Ennio Morricone, Zeca Afonso, Amália Rodrigues ou rememorar o hit Canção do mar.

Deixo-vos com a canção que eu cantava em segredo, com ela foi a Dulce ao Eurovision Song Contest. Para mim esta artista era uma Witney Houston, com a vantagem de que eu percebia a letra toda da canção. Laca, brincos enormes e aparelhagens que bem podiam ser uma coluna dórica, era a década de 90.