Playlist do Lusopatia para uma viagem africana

O Lusopatia vai seguir os passos de Bartolomeu Dias. No verão falávamos neste artigo da frase dobrar o Cabo das Tormentas e é isso que nós vamos fazer. Visitaremos a África do Sul, chegaremos ao Cabo da Boa Esperança e conversaremos com o Adamastor, se ele estiver bem disposto.

índice

Veremos terras na África do Sul que ainda têm nome na nossa língua como o Cabo das Agulhas. O cabo é assim chamado porque sendo aí nula a declinação magnética, a agulha da bússola orientava-se segundo a linha norte-sul geográficos. Vai ser especial ver onde se juntam os dois oceanos.

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Queremos acompanhar esta viagem com músicas de artistas lusófonos. Eis a nossa seleção. Espero que gostem!

 

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Luiz Caracol em Vilar de Santos

O verão não acabou ainda e menos em Vilar de Santos, onde na Arca da Noe há sempre coisas para fazer. Amanhã embarca neste navio milenário o músico português Luiz Caracol.

A história deste homem é parecida com a de muitos portugueses. Nasceu em Portugal, mas cresceu num ambiente muito multicultural e com referentes africanos por causa de a sua família ter vivido em Angola. Podemos ver isso na sua música, porque ele faz uma mestiçagem muito própria entre sons de Lisboa e a Africa de que sempre se sentiu parte. Se olhamos as suas colaborações, podemos confirmar isto mesmo: Sara Tavares, Aline Frazão, Jorge Palma, Uxia, Zeca Baleiro…

Luiz Caracol apresentou o seu último trabalho, Metade e meia, este ano na Casa da Música e no Cinema São Jorge. o seu primeiro álbum chamou-se Devagar e não era uma brincadeira com o seu nome, este último título remete para as várias metades que sempre estiveram presentes na vida dele: Europa e África. Este disco supôs para ele uma nova forma de criar: primeiro compunha a letra e depois a melodia; e também foi um processo mais exigente do que outros, porque calhou com a sua recente paternidade.

https://youtu.be/wauGkEgzjIc

Amanhã às 21h na Arca.

Cheny Wa Gune nas Crechas

A programação da Casa das Crechas não para de nos dar motivos para escrever neste mês e nós gostamos muito do desafio.
Hoje às 21h temos o Cheny Wa Gune em concerto. Conheci este artista por causa do Cantos na Maré de 2013 e, também, graças ao Narf. Fran Pérez foi uma auténtica ponte entre a Galiza e os países africanos de língua portuguesa. Os Timbila Muzimba foram uma peça mais dessa ponte com a qual viajamos a Moçambique. O último concerto que o Narf deu na Galiza foi aquele do Womex com os Timbila e onde também estava o Cheny…lá estávamos todos/as unidos num único sentimento.
Se depois desta intro ainda não perceberam bem quem é que é o Cheny Wa Gune, vai valer mais a pena começarmos pelo princípio. Ele nasceu em Maputo em 1980. Desde cedo sentiu curiosidade pela música, aprendendo os conhecimentos da música chopi aos 5 anos. É membro fundador da OrquestraBanda Timbila Muzimba desde 1996 e com ela participou em vários festivais internacionais divulgando a música moçambicana, em particular a timbila, em diversos países.

Não consegui resistir e tive que postar esta cover de Billy Jean na timbila…simplesmente maravilhosa. Vão perder?

Mamadu Baio na Galiza

Originário da Guiné Bissau, Mamadu Baio nasceu em Tabatô, uma aldeia em que todos são djidjius (trovadores). Quando praticamente todos os habitantes da tua aldeia são músicos, é difícil escapar àquela magia.

Esta aldeia é reconhecida como o berço de vários artistas afro-mandingas, descendentes do Império Mali, bem como da longa prática de construção de instrumentos tradicionais, como o balafon, os cora, o dundumbá ou neguilim. Todos estes instrumentos cantam à paz, à harmonia e à igualdade na sociedade.

O som do Mamadu tem uma visão contemporânea sobre a tradição musical a que pertence. A carreira musical dele começa no Mali, onde gravou um primeiro álbum com o seu grupo Super Camarimba, apadrinhado pelo músico internacionalmente reconhecido Salif Keita. Também co-escreveu a música do filme “A batalha de Tabatô” do realizador João Viana.

Vamos poder vê-lo nesta sexta em Alhariz e no sábado em Vilar de Santos. Confiram as horas no cartaz!

Em Vilar de Santos, na Arca da Noe, há jornada completa, porque António Alves também apresentará Guiné Bissau, Terra Sabi.

 

Falua

12091291_1638015349802193_2405051816550918217_oJá está na hora de ouvir tradição fadista na Gentalha do Pichel.

Falua é o nome de uma embarcação tradicional de carga usada no Tejo. Igual que as águas chegam aos oceanos, a música chega aos corações e aos ouvidos mais duros.

Sara de Sousa e Gom de Abadim formam uma dupla única na Galiza. Com voz e guitarra acústica conseguem fazer-nos caminhar imaginariamente por roteiros ora esquecidos, ora longínquos, porque o seu repertório combina músicas de raiz galega, portuguesa e lusoafricana. Sem abandonarem a tradição fadista, dão novos ares a temas já clássicos.

No dia 16, às 22h30, na Gentalha do Pichel.

Semana galega de filosofia: religião africana e sexualidade feminina a debate

cartel_XXXIIDe 6 a 10 de abril temos evento marcado na agenda como cada ano. A Semana Galega de Filosofia, organizada pela Aula Castelao, volta com um tema novo. Depois do ano anterior tratar as relações entre filosofia e revolução, neste ano falar-se-á sobre sexualidade.

Manuel Cochole Paulo Gomane, professor do Departamento de Filosofia da delegação da Maxixe (Inhambane, Moçambique) , chegará a Ponte Vedra para falar da conceção da filosofia e da religião africana sobre sexualidade feminina: mitos ou factos.

Sexualidade e mulher são hoje, felizmente, temas a debate. Graças a este filósofo poderemos conhecer qual é o papel da mulher africana e como é encarada a sexualidade em Moçambique. O estudo que Manuel Cochole Paulo Gomane realizou terminou por recomendar formas de se extrair, dentro da filosofia e da religião africana, elementos emancipatórios que possam ser utilizados no combate contra a discriminação de género.

Dia 9, às 20h, no Teatro Principal de Ponte Vedra.