José Aníbal Beirão na Arca da Noe

A nova travessia da Arca da Noe em Vilar de Santos vem carregada de notícias lusopatas. Comecemos pelo concerto de hoje, mas não se esqueçam de conferir no nosso blogue os próximos posts em avanço para estarem a par de tudo.

José Aníbal Beirão, músico português, dá hoje um concerto lá. Tripeiro de gema, é contrabaixista e também compositor. Fez parte de formações como Palankalama ou Les Saint Armand a tocar contrabaixo, mas ao longo do tempo desenvolveu também o talento como cantautor.

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O seu primeiro disco, Baiumbadaiumbe, é quase um trabalho de patchwork, porque compila canções que ele foi compondo em momentos diferentes da sua vida: quando tocava no Pato Sentido, gravações que ele fez em casa e canções fundamentadas no contrabaixo e voz.

E como sempre me dizem que anuncio muitas bandas portuguesas que cantam em inglês…fiquem descansados e descansadas: as letras são na nossa língua, com toques de tropicalismo e jazz experimental.

Hoje às 22h30.

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Gabi Buarque na Arca da Noe

Em junho deste ano, a cantora brasileira Gabi Buarque visitava a Casa das Crechas.

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Quem aquele dia não conseguiu vê-la, pode ainda ter uma chance amanhã, às 22h, em Vilar de Santos, no nosso amado local: A Arca da Noe.

“Fiandeira” é o seu disco mais recente com participação de Jaques Morelenbaum, Marcos Sacramento e Socorro Lira. Este trabalho recebeu Menção Honrosa na Lista dos Melhores da Música Brasileira de 2014.

A cantora acredita que “Fiandeira” apresenta um resultado mais maduro em comparação ao “Deixo-me acontecer” (2011) – seu álbum de estreia. “É um CD com arranjos mais elaborados, traz a mesma diversidade sonora e rítmica do primeiro, mas harmonicamente as letras são mais elaboradas. A gente aprende muito com os anos, viajei muito com o primeiro álbum, e isso está no novo trabalho”, disse Gabi.

Cantamos?

Aline Frazão regressa

Aline Frazão, a musa do Lusopatia, volta à Galiza.

Amanhã estará em Compostela, na Casa das Crechas às 21h e no domingo estará em Vilar de Santos, na Arca da Noe.
Insular é o terceiro trabalho a solo da cantora angolana. Fala daquelas ilhas imaginárias entre o Nós e o Nós-próprios, fala da Angola atual e conta com colaborações como a da rapper Capicua.

O disco é “isolamento, a solidão, o contraste entre o individual e o colectivo”, por outras palavras, as caraterísticas que definem uma ilha.

A música portuguesa a gostar dela própria

Amanhã às 20h chega a Vilar de Santos, à Arca da Noe,  A música portuguesa a gostar dela própria.

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Aquelas pessoas que me conhecem bem sabem que sou uma pessoa que aborrece a música tradicional mesmo. Mas “A música portuguesa a gostar dela própria” vai mais além da tradição. Antes de mais, temos que dizer que o nome é já uma intencionalidade expressa, o projeto nasce com o intuito de valorizar aquelas formas de património vivo: as cantigas, os romances, os desafios…Aí já não há gosto ou não gosto pela minha parte, aí há um trabalho de anos que é necessário reconhecer.

Desde 2011 o realizador Tiago Pereira tem recolhido estas manifestações populares por todo o país vizinho. Acabei mesmo de entrar na página do Facebook deles e li agora uma afirmação que me fez muito feliz, por uma coisa que vos explicarei mais logo: “é urgente documentar, gravar e reutilizar fragmentos da memória de um povo“. O projeto já ultrapassou fronteiras, hoje estão em Vilar de Santos a gravar, portanto, quando falamos de “um povo” falamos de “um povo” maior do que os seus limites administrativos. E quem quiser ver, que veja.

Adelina da Límia, maravilha.

Todo este acervo cultural é material para o programa “O povo que ainda canta” que o Tiago dirige na Antena 1.

Amanhã às 20h podem então com este realizador, que vai apresentar o projeto na nossa taberna preferida.

 

Mamadu Baio na Galiza

Originário da Guiné Bissau, Mamadu Baio nasceu em Tabatô, uma aldeia em que todos são djidjius (trovadores). Quando praticamente todos os habitantes da tua aldeia são músicos, é difícil escapar àquela magia.

Esta aldeia é reconhecida como o berço de vários artistas afro-mandingas, descendentes do Império Mali, bem como da longa prática de construção de instrumentos tradicionais, como o balafon, os cora, o dundumbá ou neguilim. Todos estes instrumentos cantam à paz, à harmonia e à igualdade na sociedade.

O som do Mamadu tem uma visão contemporânea sobre a tradição musical a que pertence. A carreira musical dele começa no Mali, onde gravou um primeiro álbum com o seu grupo Super Camarimba, apadrinhado pelo músico internacionalmente reconhecido Salif Keita. Também co-escreveu a música do filme “A batalha de Tabatô” do realizador João Viana.

Vamos poder vê-lo nesta sexta em Alhariz e no sábado em Vilar de Santos. Confiram as horas no cartaz!

Em Vilar de Santos, na Arca da Noe, há jornada completa, porque António Alves também apresentará Guiné Bissau, Terra Sabi.

 

Rita Braga em Vilar de Santos

0004044125_10A Arca da Noe continua incansável com a programação de setembro.

Neste domingo irá a palco Rita Braga, uma lisboeta que podemos qualificar como de “mulher renascentista”.

Rita é dessas virtuosas que é capaz de interpretar músicas de Mozart, canções do faroeste ou Bollywood e aquilo, tudo junto nela, não nos é estranho no cenário. Licenciou-se em Ciências Musicais na Universidade Nova de Lisboa em 2009 e…por outras palavras, quem sabe, sabe.
Mas o talento da Rita Braga não fica por aí. Também é autora de bandas sonoras, deu voz a personagens de filmes de animação, música para publicidade e produziu cabarés imprevisíveis na cidade do Porto, onde reside atualmente.

Em 2011 lançou o seu álbum de estreia “Cherries That Went To The Police”, produzido por Bernardo Devlin, aclamado pela crítica e pelo público, após três EP’s de gravações caseiras low-fi.

Em 2012, durante a sua primeira tour no Brasil, Rita Braga formou a sua primeira banda de formação “rock” em São Paulo, que batizou de Indiozinhos Psicodélicos. A banda seguiu-a em tour nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2013 gravou o novo EP “Gringo in São Paulo” com temas originais compostos durante a estadia no Brasil com a participação destes e outros músicos de São Paulo.


Felipe Antunes (Vitrola Sintética)

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Uma das melhores coisas que este blogue me tem dado é conhecer novas bandas, estilos, músicas.

Costumo sempre dizer que é muito complicado uma banda indie chegar a fazer vários concertos na Galiza. Estou começando a me enganar, porque cada vez faço artigos sobre estilos de música mais variados. Estamos no caminho.

Felipe Antunes é um cantor brasileiro, voz e viola na banda Vitrola Sintética. Está nestes meses a fazer uma turné ibérica e a Galiza é um ponto marcado para alguns desses concertos.

Em 2010 Felipe foi entrevistado em Portugal, onde mostrou músicas do primeiro álbum, na rádio Aveiro FM, de onde posteriormente veio o convite para que tivesse uma coluna no jornal Diário de Aveiro, portanto, não é a sua primeira vez em terras europeias.

Desta vez apresenta sozinho e ao vivo trabalhos que tem feito ultimamente a solo, mas também aproveitará para tocar algumas das canções da sua banda paulista Vitrola Sintética. Já agora, gostei muito do nome da banda, achei muito hipster. Consegue unir o vintage (vitrola) com o moderno (sintético), numa sorte de trocadilho entre sintético/sintetizador.

Vai estar em Vigo e em Vilar de Santos:

-Vigo: dia 26, Charenton.

-Vilar de Santos: dia 27, Arca da Noe, 22h.

Leo Minax e Paulo Silva na Arca da Noe

k3z0hwvxr15rrx87c701O dia 13 de junho é o dia do Santo António. Sou super-fã daquele santinho. Encontra todo o tipo de coisas perdidas, amoricos… e é, por assim dizer, uma figura que junta muitas coisas que eu gosto: Portugal (Lisboa) e Itália (Pádua).

Se eu fosse presidenta da Galiza e me perguntassem qual seria o nosso dia nacional, diria o dia de Santo António ou o São João, porque há qualquer coisa no nosso ADN, rituais e outras coisas, que fazem toda a diferença. Longe de qualquer cristandade, a Galiza e Portugal festejam estes dias de santos populares de maneiras muito similares.

E para o dia do meu Santo Antoninho querido, tenho também uma proposta para vos oferecer: vão à Arca da Noe, em Vilar de Santos. Noemi V. Nogueiras, a programadora cultural da Arca, fez um programa carregado de atividades que podem ver nesta ligação. Um roteiro, uma feira, um colóquio, uma apresentação de licores e ainda uns concertos.

Pelas 22h30 Leo Minax e Paulo Silva darão o seu melhor para quem for lá ter.

Leo Minax começa a sua trajetória artística em 1986, quando decide viajar à Europa e abandonar definitivamente o seu trabalho como jornalista no Brasil.
Já publicou seis discos na Europa, comercializados por diferentes selos discográficos. Intérprete exigente, Leo desenvolve há muito o seu discurso musical. É um artista com linguagem própria, mas o seu trabalho evidencia e reivindica as suas origens.
Mantém viva a sua relação com a música brasileira, fazendo cada vez mais shows no seu país de origem. Também trabalha regularmente com artistas no Brasil ao longo de todos estes anos de carreira no exterior. Seja com os parceiros, ou com os colaboradores, a música deste artista está associada aos nomes de Vítor Ramil, Arnaldo Antunes, Jorge Drexler, Ana Belén, Kepa Junkera, Iván Ferreiro… e agora também Paulo Silva.

 

Celina da Piedade

10659385_821264331271782_4215724443656072388_nAquelas pessoas que leem este blogue (ainda nem acredito que tenha leitores/as) sabem que há pouco fiz um artigo onde explicava o que era isso da Arca da Noe. Pronto, a Arca já sarpou, mas tem rumos novos cada mês.

Celina da Piedade estará em digressão em vários pontos da Galiza: Vigo, Compostela, Ribadeu…mas vamos pôr em destaque o concerto dela em Vilar de Santos, na Arca da Noe, por ser ele no rural e não numa cidade e toda a conquista cultural que isso significa.

Reconheço que sempre me senti um bocado atraída pelo som do acordeão. É um piano? é um fole? é engraçado. Para uma pé de chumbo, como eu sou, a ideia de coordenar dos dois braços é sempre um repto. Falo-vos de acordeão, porque a Celina da Piedade e este instrumento vivem em harmonia e numa fusão constante.

Ela leva a música de acordeão a toda a parte, até aos mais diferentes contextos. Transforma a música mais tradicional em melodias modernas e universais. Estudiosa da música tradicional alentejana, é uma acordeonista que conta com reconhecimento europeu. Como garantia de sucesso, podemos dizer que ela tem tocado na festa do Avante e no festival Andanças, colaborou com Rodrigo Leão e foi membro fundador de Uxu Kalhus.

Para além de concertos, a Celina dedica-se ao estudo e ensino da música tradicional. Está disponível para lecionar oficinas de canto tradicional, cante alentejano e danças.

Agora vamos deixar que a música fale. Ela conta histórias bem melhor do que eu…

Sábado, 25 de outubro, às 21h30 na Arca da Noe.

 

 

Viagem ao Brasil tradicional

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Conhecer uma realidade é afastar-nos dos seus lugares comuns. O Brasil é um desses países que têm a mochila carregada deles. Sobram estereótipos nas cabeças das pessoas. Ao ouvirmos a palavra “Brasil” logo vêm às nossas mentes imagens de praias, futebol e tangas. Hoje temos uma cura.

Este curso que hoje anuncio nasce a partir da união de várias forças: primeiro a da CentralFolque e o seu amor pela música, depois a da vontade da investigadora brasileira Lia Marchi por mostrar uma visão diferente do país dela e, em último lugar, a da incombustível Noemi V. Nogueiras, alma mater de A Arca da Noe, um novo local de intervenção cultural em Vilar de Santos (Ourense).

Parte das notícias que neste espaço dou, são graças à Noemi. Ela leva anos no associativismo, no reintegracionismo e na programação cultural de muitas noites ourensanas. Agradeço que existam pessoas assim, que nutram as nossas vidas de conteúdos interessantes. Agora ela tem este novo projeto e ainda lhe devo uma visita. Uma taberna-cultural no rural, uma proposta empresarial levada por uma mulher e com temas como o que nos propõe para esta sexta-feira. Bem haja para a Arca da Noe! que venham muitos dilúvios culturais!

Uma das travessias que a Arca fará é este curso, uma viagem ao Brasil tradicional a partir das festas populares, bailes, cantos e danças para descobrir um país pouco conhecido.
A pesquisadora e cineasta brasileira Lia Marchi, regista há 17 anos a cultura popular brasileira e sua rica música de tradição. A partir de filmes realizados por ela, fotos, áudios e excertos dos seus livros, visitamos a diversidade da cultura brasileira em diferentes expressões.

Passando pelas festas, instrumentos, músicas e costumes de diferentes regiões, o curso é uma ponte para descobrir um Brasil pouco visitado, para conhecer melhor a realidade das comunidades tradicionais e dialogar sobre os desafios contemporâneos da tradição.

Esta sexta-feira às 21h em Vilar de Santos!