Música na Rua 8

Gosto muito do verão porque os dias ficam maiores e o tempo permite muitas atividades culturais ao ar livre. É desses períodos do ano em que aprendo muita coisa sobre festivais e aprender faz-me sentir muito viva.

Não sei se sabem (eu não sabia) que existe um festival em Escairón, organizado pela Sala Avenida, que leva desde 2011 apostando em músicas independentes e emergentes. Chama-se Música na Rua e traz um leque de estilos variado e moderno: trap, punk, eletrónica, djs…com bandas galegas e também internacionais. Da parte galega aconselho os Boyanka Kostova e também quero que estejam de olho nos Esteban y Manuel. Acho que são dois produtos culturais bem necessários para a nossa normalização. Já disse uma vez que não sei porquê a nossa construção nacional esqueceu um dia que a música era divertida. Estas duas bandas vêm para fazer-nos um lembrete: dancem. Mais autotune, por favor.

Da parte lusa, três grupos musicais. Dois já anunciados anteriormente e um novo: Killimanjaro, Stone Dead e Fuzzil.

Os Killimanjaro são uma banda de Barcelos com selo da Lovers and Lollypops. Passaram pelo Milhões de Festa e o Paredes de Coura e mostraram ao mundo como é que o rock do norte de Portugal é feito.

Eles são almas livres, búfalos a galope. E quando vocês, galegos e galegas, entrarem nessa lamúria de “os portugueses nada conhecem da Galiza” (que pouca pachorra tenho já para esses discursos) leiam estas dicas dos Killimanjaro e abram mentes. Talvez os vossos (e meus) referentes tenham de ser mudados.

Stone Dead foi uma surpresa para mim. Vi-os num Terrazeando no ano passado e passei-me com a qualidade musical destes gajos. Eles são…altamente! Estive até falando com algum membro do grupo no final do espetáculo e foi um encontro mesmo bom. Se me estiverem a ler, mando-vos um Olá e um Viva Montalegre!

Fuzzil misturam fuzz com ondas psicadélicas. Vêm de Alcobaça e, pelo que fiquei a saber, publicaram já três trabalhos Boiling Pot, Worms e Molten Pi.

Isto começa hoje, meus e minhas! Vejam horários na fotografia.

Isto não é o Milhões de Festa

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Milhões de Festa é um dos festivais portugueses do verão. Como já vos disse vezes sem conta Barcelos não é só uma cidadezinha com artesanato e galos: fervem nas vielas e ruas dessa terra uma criatividade ímpar e como prova estão aí o carimbo discográfico Lovers&Lollypops . Este festival nasceu em 2006 e desde esse momento tem reforçado a sua posição de evento eclético, abordando a música sem limitações genéricas, estendendo-se desde a pop mais dançável ao metal mais extremo, sem deixar de parte linguagens vindas de África, da América Latina e da Ásia e, aliás, favorecendo os cruzamentos entre o que é diferente.

Fazer promoção na Galiza de um festival em Barcelos é um sintoma. Talvez a lusopatia seja mais contagiosa do que eu esperava. E digo isto porque no dia 2 de julho em Compostela no Bar Embora e no Cachán Clube poderemos ouvir uns teasers, um adianto do que vai ser o autêntico Milhões de Festa. Mas as boas notícias não acabam aí: portugueses vêm cá e galegos vão estar no cartaz deste Milhões 2016 (Vozzyow, Malandrómeda e Uppercut)

O que poderemos ver no Embora e no Cachán? “Isto não é o Milhões de Festa” reúne muita a coisa boa, sintonia entre galegos e portugueses. Vou falar do grupo português que vem mesmo tocar, porque já sabem que o blogue é mesmo para isso.

killimanjaro

Killimanjaro. São um grupo de heavy-rock de Barcelos. Segundo eles mesmos contam são como búfalos a galope, sem destino algum, apenas o de estremecer aqueles por quem passam. Só lhes interessa o palco, como a savana onde o búfalo se alimenta, para continuar a galopar.