Curtocircuito 2017

Não é fácil fazer um artigo agora. Começa hoje o festival de cinema em pequenas doses mais importante de Compostela: o Curtocircuito. Curto-circuito é quase o que está a acontecer hoje, quando o colapso político do Estado Espanhol é notável. Quero mesmo que a energia catalã possa fluir com normalidade e que o Curtocircuito seja apenas o nome de um festival.

Então, com o coração na Catalunha, vamos aí com a nossa seleção, tintim por tintim. Onde temos mais para escolher é na secção Radar:

  • Em Radar 1 temos o filme Flores de Jorge Jácome (hoje 20h15 no Teatro Principal). Esta curta portuguesa, que vai ser estreada na Galiza, fala de como a população das ilhas Açores é expulsa das suas terras por causa de uma praga de hortênsias. Essa planta originária do Japão e da China foi trazida no século XIX por colecionadores para os Açores para depressa se apoderar da paisagem das ilhas e foi aqui que hoje aprendi uma coisa nova. Nesta curta, o autor imagina um holocausto floreado.
  • Em Radar 2 (amanhã às 20h15 no Teatro Principal) também temos uma estreia. Os humores artificiais, de Gabriel Abrantes, é uma curta portuguesa que toca temas como a inteligência artificial, o humor e a antropologia. Será que o humor é uma coisa fundamental nas relações humanas?

Este filme foi rodado no Mato Grosso e São Paulo. Misturando certa estética hollywoodiana com abordagens típicas do registo documental, o filme conta a jornada de uma indígena comediante que se une a um robô e conquista a fama na indústria cultural de massas brasileira. A obra, de natureza insólita, coloca em questão os hábitos humorísticos de diversos grupos indígenas. Os resumos que li parecem bem interessantes.

  • Em Radar 3 (depois de amanhã, mesma hora, mesmo lugar) teremos duas obras: Farpões, baldiosCidade pequena. A primeira fita, de Marta Mateus, tem já vários reconhecimentos, entre eles o de ser ganhadora do festival de curtas de Vila do Conde. Trata de como depois da Revolução dos Cravos um grupo de lavradores ocupa as terras que trabalhavam, onde foram submetidos ao poder dos seus amos. Estes lavradores contam a história aos netos e assim a peça tem a força da infância que desbloqueia os sofrimentos, os erros e a virtualidades do passado.

Cidade pequena, de Diogo Costa Amarante, fala do descobrimento por parte do miúdo Frederico das questões da vida e da morte e de como isso lhe deixa um grande desconforto.

  • Em Radar 4 (no dia 5, mesma hora, mesmo lugar) temos uma coprodução Portugal-Moçambique Nyo Vweta Nafta de Ico Costa. Entre Maputo e Inhambane, várias histórias cruzam-se.

Temos também nesta mesma secção um filme brasileiro, Estás vendo coisas, de Benjamin de Búrca e Bárbara Wagner, uma curta-documentário sobre dois cantores brega.

Temos ainda a categoria Explora, onde o cinema mais experimental tem um espaço, outros filmes interessantes:

  • Em Explora 4 podemos ver (no dia 6 às 22h15 no  Teatro Principal) a curta portuguesa Ubi Sunt onde Salomé Lamas cria uma obra híbrida, que cartografa a cidade do Porto, incluindo performances de Christoph Both-Asmus.

Se estiverem cansados/as do espetáculo informativo de hoje, já sabem que ainda podem desfrutar do cinema.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s