Cineuropa 2015

IMG_20151104_194235_283-770x480O outono em Compostela é a imagem da locomotiva das castanhas e…Cineuropa. Esta é para mim a melhor época do ano para conhecer a cidade e a melhor época para viver nela, longe das aglomerações que o turismo estival deixa.

Nesta semana foi publicado na net o programa definitivo deste festival com vocação europeísta e cá vos deixo as minhas já costumeiras sugestões. Houve alguns anos que aparecia no programa algum filme brasileiro, neste ano as criações são todas lusas.

Dica: descarreguem o pdf com os horários e locais no telemóvel e assim têm sempre ao alcanço:

  • As mil e uma noites, de Miguel Gomes (Portugal). O criador de Aquele Querido Mês de Agosto traz uma nova peça. Este é um filme muito recente, deste ano, e fiquem a saber que é a obra portuguesa candidata aos Oscars. mil e uma

A trilogia, apresentada em vários “volumes” autónomos, serve-se do popular livro árabe para traçar a história da crise económica, da austeridade e do desemprego em Portugal, através de testemunhos reais.

Foi estreada em Portugal entre agosto e outubro e tem sido alvo de elogios da crítica internacional.

Podem ver no Cineuropa os três volumes: O Inquieto, O Desolado e O Encantado.

Se Álvaro Cunqueiro vivesse…ia adorar.

  • A uma hora incerta, de Carlos Saboga (Portugal). O filme traça um retrato de Portugal durante a Segunda Guerra, através de Vargas, inspetor da polícia política de Salazar, da sua filha Ilda e de Laura, uma refugiada francesa que procura fugir da guerra por Lisboa, com o seu irmão.hora_incerta_0

Filmado com representações contidas, “A Uma Hora Incerta” é, na visão do realizador, um vislumbre sobre o passado desse Portugal fechado do século XX. Na minha visão…uma maneira de fazer-nos ver, de não nos esquecer de guerras e refugiados

  • Um dia normal, de Bárbara Reis (Portugal). Um dia normal é um filme mosaico. Bárbara Reis faz um filme muito fresco e arriscado com motivo do 25 aniversário do jornal Público. Este é o filme ideal para quem está nos inícios do contacto lusófono, porque é uma obra muito abrangente.

um diaFoi uma obra infelizmente pouco difundida em Portugal, mesmo contando com a parceria do Público. O objetivo segundo Bárbara Reis é :“Os media dão, por regra, destaque a temas extraordinários. Mais vezes pelo lado negativo, menos vezes pelo lado positivo. Mas quase sempre porque são extraordinários. Porque o Tempo é o tema do 25.º aniversário PÚBLICO, quisemos olhar para a realidade de maneira diferente e registar em vídeo algo que se aproxime de um dia normal em Portugal”.

  • John From, de João Nicolau (Portugal). Da produtora O Som e a Fúria, que já ocupou algumas das nossas linhas, o filme é a segunda longa-metragem deste realizador português e pode ser entendido como uma continuidade de Gambozinos.

johnA longa-metragem gira em torno de Rita, uma jovem de 15 anos que tem o verão à sua frente e um “ex-futuro” namorado, que faz tranças e tem festas onde as mostrar.

Não é a primeira vez que o realizador explora o universo do paraíso perdido da infância e as primeiras experiências da adolescência. Em palavras do João Nicolau “Nada é tão feroz como o coração de uma menina. Se há coisa mais pura e violenta eu não sei qual é”. Adorei esta frase e este vai ser o meu encontro iniludível com o cinema neste festival.

  • Viagem ao princípio do mundo, Manoel de Oliveira (Portugal). Um filme deste realizador não podia faltar e menos neste que é o ano da sua morte.

Como tributo, poderemos ver este filme de 1997. Consensualmente aplaudido, é o primeiro filme autobiográfico de Manoel de Oliveira.2015-04-09-Viagem-ao-Princ-pio-do-Mundo

Esta é uma road-movie onde um velho cineasta percorre o Norte de Portugal na companhia de três dos seus atores, aproveitando uma pausa na rodagem de um filme. Um dos atores, um francês de origem portuguesa, tenta encontrar e reconhecer as suas origens, indo ao encontro de uma velha tia, enquanto o velho cineasta vai evocando e recordando episódios da sua vida e do seu passado.

Na obra aparece Marcello Mastroianni, de facto, foi o último filme que o italiano encenou.

Marquem na agenda, organizem-se…que há muita coisa boa junta.

 

 

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