Palavras galego-portuguesas que são universais

fernando_pessoa_minha_patria_e_a_lin_wlAtualmente há uma tendência muito forte para adotar anglicismos na língua portuguesa. O inglês é aquela língua que impera, é marca de poder e modernidade.

Os estrangeirismos são palavras doutras línguas que acabam por se integrar na nossa. Ao longo da história a língua portuguesa recebeu vários empréstimos. Uns tiveram melhor sucesso do que outros.
Há quem ache que isto pode pôr em risco uma língua e há quem, por outra parte, ache que a língua é um sistema vivo, sempre alterável. É claro que nestes assuntos é preciso bom senso.

Se acompanharmos o processo dos estrangeirismos, podemos saber também um bocado de história e de política. Vejamos por exemplo os conceitos:

-carmim (português)> batom (francês)

-oficina (português)> atelier (francês) >workshop (inglês)

Nos tempos em que as fronteiras estavam mais fechadas e a França era uma potência europeia, muitas palavras entraram do francês. Hoje o poder é representado pelo mundo anglo-saxónico e cada vez é maior o número de realidades que dizemos em inglês: o tablet, a pen, a selfie, fazer crowdfunding…

E nós? demos algum contributo à humanidade?

Na época em que os navegadores dominaram os oceanos a nossa língua também navegou noutras águas. Muitas foram as palavras de origem galego-portuguesa adotadas por outras línguas, como o inglês, o francês, o alemão…que ainda hoje designam realidades nessas comunidades linguísticas.

Querem ver exemplos? eis alguns que recolhi de vários artigos da net.
1. Cobra: origem no séc. XVII, quando os portugueses utilizaram pela primeira vez o termo “Cobra de capello”.
2. Comando: Origem no séc. XVIII e designava as milícias que combatiam entre Angola, Namíbia e África do Sul.
3. Fetiche: É dessas palavras que vai e volta, como aconteceu no francês com a palavra vintage que voltou ao francês com o sentido que popularizaram os anglófonos. Fetiche veio de volta com o francês, mas a origem é o português Feitiço.
 4. Albino: indivíduo de cor totalmente branca devido a uma mutação genética. Usada pela primeira vez no séc. XVIII.
5. Albatroz: nome de ave. Séc. XVII.
6. Banana: nome de fruto. Séc. XVI.
7. Cachalote: mamífero marinho. Séc. XVI.
8. Tempura: nome de prato japonês com origem na palavra portuguesa Tempero. Há quem diga que Arigato também tem origem portuguesa, mas aí tenho as minhas sinceras dúvidas. Farei um dia um post sobre palavras portuguesas no japonês.
9. Zebra: animal equino. Séc. XV. Esta é uma dessas histórias lindas de contar para qualquer amantes das letras. Não sei se sabem que na Galiza existiu um animal equino chamado  “zebro” que viveu connosco até ao século XVI. Hoje está extinto, mas deu origem a vários topónimos, como por exemplo “Zebreiro” (sim, Cebreiro, deveria então ser escrito com z-).
Na época dos descobrimentos ao encontrarem a “zebra” que hoje conhecemos deram-lhe o nome do animal mais parecido com ela que sabiam, isto é, o “zebro”
10. Barroco: designa-se assim o estilo artístico excessivo que se seguiu ao Renascimento. Há uma ou outra polémica com esta etimologia. Segundo algumas teorias, a palavra deriva do grego baros, que significa “pesado”; para outros, provém do florentino barochio (“engano”), enquanto a hipótese mais generalizada relaciona a palavra com o português “barroco”, “pérola de forma irregular”. Já surge assim em dicionários do século XVII.
11. Mosquito: tipo de inseto cuja palavra tem origem no diminutivo português de “mosca”. Aqui há certa polémica, porque os espanhóis também reivindicam a origem espanhola da palavra.
12. Marmelada: tanto Mosquito como Marmelada são duas palavras que me animam a fazer um post sobre lusismos no espanhol, então…fiquem à espera.
Marmelada é um doce que se faz com marmelo. É muito típico na sobremesa galega combinar queijo e este doce. Também podemos encontrar este prato nas ementas portuguesas e brasileiras.
Fazer a marmelada, assim como a matança noutras casas, era o evento do ano na casa dos meus avós, porque lá tínhamos um jardim com árvores de fruto, muitas delas marmeleiros.
Noutras línguas o termo serve para designar compotas ou doces com um fabrico similar e mesmo feito com outras frutas. Temos no inglês e francês Marmelade, no alemão Orangenmarmelade, no italiano Marmellata, no espanhol Mermelada…
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