Dia das bruxas, Pão-por-Deus e Dia de todos os Santos

aboboraSinceramente, odeio a palavra Samhain. Já disse. Que desabafo!

Não sei o motivo pelo qual ao recuperarmos uma festa nossa temos que utilizar palavras doutra língua para batizá-la. Acho uma esquizofrenia.

E depois deste meu depoimento hater, entro ao tema que queria tratar: as tradições portuguesas destes dias.

No dia 31 é festejado o dia das Bruxas. As pessoas enfeitam os lugares com abóboras e outros motivos decorativos associados ao medo e coisas assombradas. Vejam por exemplo o que vai acontecer nesta sexta-feira numa das carruagens do metro de Lisboa.

O dia 1 é propriamente o dia de Todos os Santos e os rituais funerários são os que já conhecem.

Há um outro ritual que é o do Pão-por-Deus. Em Portugal as crianças saíam à rua e juntavam-se em pequenos bandos para pedirem o Pão-por-Deus (ou o bolinho) de porta em porta. O dia de Pão-por-Deus, ou dia de Todos os Fiéis Defuntos, era o dia em que se repartia muito pão cozido pelos pobres antigamente.

É também costume nalgumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo, o Santoro. Já pedir o “santorinho”, que começava nos últimos dias do mês de outubro, era o nome que se dava à tradição em que crianças sozinhas, ou em grupo, de saco na mão iam de porta em porta para ganharem doces.

Deixo-vos cá a receita do bolo Santoro, por se quiserem fazê-la em casa.

O peditório do Pão-por-Deus não é outro que o antigo costume que se tinha de oferecer pão, bolos vinho e outros alimentos aos defuntos. Ainda em muitas casas da Galiza há pratos vazios nas mesas para quem morreu nesse ano. O Pão-por-Deus também era um ritual nosso e recebia o nome de “migalho”.

No dia 2 de novembro é o dia dos Fiéis Defuntos. Dedicava-se este dia à oração por quem tinha morrido nesse ano na família.

Há tempo que penso no tratamento estranho que damos à morte e em como aos poucos esquecemos o convívio que na nossa sociedade mais tradicional havia com ela. Se ainda não viram o documentário Em companhia da morte, estão na hora. Várias mulheres raianas contam histórias de espíritos, sinais da morte e aparições. Redescubram a Galiza perdida nestas vozes e testemunhos vivos. Vale a pena.

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