Falso amigo: nota

euro_notas“O Papalagui quer enganar-nos usando as palavras do Grande Espírito. A verdadeira divindade do homem branco é o metal redondo e o papel pesado que ele chama de dinheiro” um dos livros que mais tem marcado a minha vida é O Papalagui. Nesta pequena obra a cultura europeia é retratada por um chefe de uma tribo de Samoa e é sempre tão bom ver-nos através dos olhos dos outros! Recomendo a leitura deste livro, não porque ele seja uma obra mestra da literatura, mas porque é dessas obras que faz refletir. Um dos capítulos é dedicado ao dinheiro e ao valor que lhe damos na nossa cultura. O “metal redondo” são as moedas e o “papel pesado” as notas.

Antes da invenção do dinheiro, as pessoas praticavam o escâmbio, depois chegou a moeda, mas na antiguidade eram muito pesadas e portanto, levar muito dinheiro não era muito prático porque também terminava por significar um esforço físico. Aliás, os mercadores podiam sofrer assaltos nas caravanas. O uso do papel moeda é resultante de um longo processo, aí iniciado, em busca da simplificação do comércio.

A ideia do papel-moeda nasceu no dia em que um individuo, que necessitava de moedas correntes, entregou a outra pessoa um vale para troca de mercadorias ou metais (ouro, prata, ferro ou cobre), depois dado em pagamento a um terceiro, com direito de recebê-lo do emitente. Com função semelhante, circularam na Idade Média recibos de depósitos de ouro em pó, que circulava como moeda-corrente, pois era facilmente divisível, mas difícil de ter sua pureza garantida. Esses comprovantes recebiam o nome de “recibos de ourives“, pois eram neles que certos comerciantes confiavam, graças à sua idoneidade e cuja assinatura garantia os valores apresentados. Os ourives “anotavam” nesse papel o valor, disto o nome de “nota“. Neste vídeo aparece toda a informação explicada:

imagesCom o tempo, esses recibos passaram a ser utilizados para efetuar pagamentos, circulando de mão em mão e dando origem ao papel-moeda. As notas só apareceram na Europa – e daí para o mundo – em 1661, em Estocolmo, na Suécia. Há quem acredite que no séc. XIV, quando Marco Pólo esteve na China, encontrou o uso disseminado do papel moeda, e relatou o facto no seu retorno ao ocidente.

No Brasil, as primeiras notas de banco, precursoras das notas atuais, foram lançadas pelo Banco do Brasil, em 1810. Tinham o seu valor preenchido à mão, tal como, hoje, fazemos com os cheques.100patacas1981ass3

Como curiosidade coloquei entre as imagens do post a nota de cem patacas, a moeda em curso na região administrativa de Macau (China). Para qualquer galego/a vai ser fácil descobrir o significado da palavra. Contudo, as pessoas que lá moram, chamam a esta moeda “dinheiro português”.

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