Anirmau

Não é fácil encontrar um festival de animação, ainda menos de curtas de animação, mas eles existem. Hoje queremos dar conta do Anirmau, uma iniciativa cultural de grande destaque, numa cidade pequena como Lalim, e organizada ainda por um Liceu, o Aller Ulloa. O Anirmau, mais do que um festival, define-se como uma iniciativa de pedagogia, que visa fomentar os conteúdos de audiovisual no ensino secundário.

Este ano, porque ainda que não sabíamos já é um festival bem situado na programação cultural da zona de Lalim, o Anirmau vem com muitas propostas de curtas de animação. A pouco tempo que dediquem a ver a programação, vão encontrar muitas propostas de filmes falados em português. No concurso oficial temos a produção galego-portuguesa “O sapateiro”, realizada por David Doutel e Vasco Sá, “Os olhos do Farol” de Pedro Serrazina e “Viagem a Cabo Verde” de Pedro Miguel Ribeiro – à que já tive ocasião de assistir no OUFF e realmente vale a pena. Mas não se fica por aqui, existe uma secção chamada curta-metragem educativa na que destacamos “A única vez” de Nuno Amorim, “Bats in the Belbry” de João Alves ou “Caixa” dos Brasileiros Paulo Muppet e Luciana Eguti. Mas há muitas mais nesta e na secção de multimédia.

Hoje podemos começar por ver um pequeno excerto de “O Sapateiro”, filme que resulta do trabalho em parceria das produtoras Sardinha em Lata e IB Cinema, que venceu a primeira edição do prémio SPA/Vasco Granja, da XI Monstra — Festival de Animação de Lisboa, que distingue o melhor filme de animação português de 2011. Os autores são portuenses e formados na Católica, o filme fala de um sapateiro embrulhado entre as memórias da sua vida e a sempre presente profissão, que vive um momento crucial na sua existência.

Não se esqueçam de 9 a 14 de Abril, nos cinemas Filmax de Lalim e no I.E.S. Aller Ulloa.

Em companhia da morte

Depois do surpreendente “Entrelínguas” que nos descobriu pessoas a falar galego em províncias espanholas como Cáceres ou Salamanca, Filmes de Bonaval apresenta um novo documentário, com o que se deixa ficar claro que o grupo composto por João Aveledo, Eduardo Maragoto e Vanessa Vila Verde não foi sol de pouca dura e veio para ficar.

Hoje vamos colocar neste post uma outra assinatura convidada, esta vez não é uma crítica de cinema conceituada, mas são os próprios autores os que nos deixam aqui um pequeno resumo do conteúdo e do intuito do filme:

Algures nas montanhas ainda há famílias que sabem que falecer forma parte da vida, e dulcificam o pior de todos os contratempos com histórias sem cabimento na sociedade em que a morte é levada para longe dos nossos olhos, recluída em hospitais e tanatórios. Trata-se de histórias inquietantes em que o mais implacável inimigo humano se mostra em figuras compreensíveis para a mente das pessoas.

O acompanhamento é um dos nomes populares que ainda recebe um mito que a literatura galega renomeou como Santa Companha. Como as estântegas ou as candeias, trata-se de um sinal anunciador da morte. As pessoas que deles nos falam vivem longe da nossa maneira de ver a realidade, mas nem tanto das nossas casas. Onde habitam estas mulheres vestidas de negro que fogem da morte tratando-a por tu?

Para já temos uma data, a da estreia mundial, dia 28 de Novembro, na Escola de Línguas de Vila Garcia, pelas 19:00, não percam.

em companhia da morte

em companhia da morte

Super Heróis no Curtocircuito

Quem estiver ou puder dar um saltinho a Compostela, fica a saber que desde 27 de Setembro está a decorrer o Curtocircuito, não vou ser eu a julgar a programação e a coincidência com o Cineuropa, mas aproveito para dar uma dica: Na terça-feira 22, pelas 20:30, no Centro Social do Castanheirinho, vai passar uma sessão que dá pelo nome de “os heróis nem sempre levam capa” e na que se inclui a curta “Super-Herói fora de Série”. O filme não se pode dizer que seja novinho em folha, foi realizado em 2006 por Paulo de Tarso “Disca” e Ale McHaddo.

McHaddo é director das premiadas curtas ‘Pontos de Vista’, ‘Duelo Antes do Jantar’, ‘A Lasanha Assassina’ e ‘O Fantasma da Ópera’, começou a sua carreira editando uma revista independente de BD, na que publicou as suas primeiras histórias. Produziu também episódios de desenhos animados para a Disney, desenhos animados interativos para CD-ROM e filmes em Live Action e Animação.

O tema do filme revisa um cliché que voltou há tempos a estar na moda, uns “geeks” da BD resolvem criar uma nova identidade, obviamente em base aos super-heróis que admiram. Dura 20 minutos, assistam e digam de vossa justiça.

Sequência de SUPER-HERÓI FORA DE SÉRIE (sequência do resgate) from André da Conceição Francioli on Vimeo.