Falso amigo: ilusão


O pior cego é que o que não quer ver, mas… é se os nossos olhos nos burlassem? e se eles fossem traidores?
A palavra ilusão vem da voz latina “illudo” que significa divertir-se, recrear-se, mas também burlar, enganar. Este verbo, por sua vez, vinha de “ludo”, brincar. Na nossa língua, “iludir” evoluiu com o sentido de causar uma impressão enganosa ou ter a esperança de algo irrealizável. Por outras palavras, uma ilusão é uma miragem.

Reparem em que a arte cénica do Ilusionismo está baseada em ilusões, esta é a razão do seu nome. Um mágico/ilusionista visa entreter e sugestionar uma audiência criando ilusões que confundem e surpreendem, geralmente por darem a impressão de que algo impossível aconteceu, como se o executante tivesse poderes sobrenaturais. Muitos dos truques de magia são, na realidade, uma ilusão de óptica: uma confusão dos sentidos que provoca uma distorção da percepção. Este vídeo é uma amostra de uma das ilusões de óptica mais famosas.

E ainda podem brincar aqui com as percepções e os enganos dos olhos. Abracadabra!

O português está perto, mesmo aqui ao lado

Hoje trazemos um outro festival que nos vai aproximar à língua portuguesa, à sua riqueza e diversidade. Com o mote de “aquelas nossas músicas” apresenta-se em Ourense a segunda edição do Festival “Português Perto”. O evento visa dar a conhecer músicas (e não só) que nos ponham em contacto com as sonoridades de Angola, Brasil, Portugal e Galiza. As actividades dividem-se em dois grandes blocos, actuações e workshops. O 7 de maio, às 20:30, vai contar histórias com pronúncia da Arousa o actor Carlos Blanco, o dia 9 às 20:30 tocará NARF, também da Galiza. No dia a seguir é a vez dos Terra Morena subir a palco, sempre às 20:30. Para terminar, a presença portuguesa estará a cargo dos Andarilhos, o 10 de Maio.

No que diz respeito aos workshops, o dia 8, Sandra Diéguez e Sérgio Tannus, galega e brasileiro, vão mostrar as diferenças e/ou semelhanças entre a percussão dos dois lados do atlântico, começa às 19 horas. O dia nove de Maio é o turno da nossa Aline Frazão, também às 19, fazer outro dos seus cacimbos, dos que já demos devida conta neste Lusopatia.

Os festival, e apesar dos cortes, é organizado pela Vice-Reitoria do Pólo de Ourense da Universidade de Vigo, os workshops serão leccionados na ludoteca do Edifício de Faculdades em Ourense e os concertos serão na sala Emília Pardo Bazán, no mesmo prédio, a gente encontra-se lá, quero ver a todos.

Escrever: til de nasalidade

O tema das vogais nasais não é novo para nós, já temos falado nisto com anterioridade, mas neste artigo só nos vamos centrar no aspeto informático, coisas técnicas que possam atrapalhar.
Como podemos discar no teclado estas palavras? anã, irmã, corações…Como se escreve o til de nasalidade num computador?

Muitas vezes, não é por desconhecimento linguístico mas por falta de alguns truques informáticos que as pessoas não escrevem o til. Aliás, cada sistema operativo pede uns comandos diferentes para o escrever.
Vamos lá ver, tintim por tintim, como é que podemos fazer para apurar os nossos textos:

• No sistema Windows, para colocar o til de nasalidade (~) devemos discar: Ctrl Alt 4. Depois deveremos escrever a vogal, isto é, escolher se queremos nasalar “a” ou “o”: irmãos, limões. Este é um atalho de escrita, mas também podem optar (se usarem habitualmente a escrita em português) por aderir ao sistema de distribuição do teclado correspondente a este idioma (pode-se usar ora a variante portuguesa ora a brasileira), o que nos permite, premendo apenas simultaneamente um par de teclas, trocar os teclados espanhol/português. O til de nasalidade vai aparecer
sempre que premermos a tecla do Ç e, a continuação, a vogal que quisermos nasalar.
A rota é: Panel de control > Opciones regionales, de idioma, y de fecha y hora > configuración regional y de idioma > idiomas > detalles > servicios instalados > agregar > idioma de dispositivo de entrada > português (Portugal)
Pode parecer chato mas, uma vez realizado isto, o único que fica por fazer é em idioma de dispositivo de entrada > configuración de teclas, escolher a combinação de teclas entre as opções que o sistema dá.

• No sistema operativo Mac (Apple) temos este atalho: Alt Ñ

• Para completar a informação podemos dizer que em Ubuntu e similares o til de nasalidade é AltGr ¡

Escrever: mais, mas e más

A expressão brasileira “Mas que nada” tem andado ultimamente pela minha cabeça. Antes da minha conversão à Lusopatia, procurava esta música na net e quando achava dois títulos (Mas que nada/Mais que nada) nunca sabia o motivo. Hoje pensei: “isto merece um artigo”.

Esta frase é sinónimo de “deixa pra’ lá” e entre os resultados da net aparece escrita com mais/mas porque no Brasil estas duas palavras são pronunciadas exatamente igual. Daí muitas confusões ortográficas.
Como os erros na escrita são nacionais, entre os meus alunos e alunas existem indecisões, mas doutro género. Agora vamos tentar dar uma cura para deixar os textos limpinhos.

  • MÁS: é o plural do adjetivo “má”, que é o feminino de “mau”, contrário de “bom”. “Estas laranjas são más e aquelas são ainda piores”
  • MAS: é a conjunção adversativa mais usada no português. Relaciona pensamentos contrastantes, opostos… “Queria ir à festa, mas tinha de estudar”. É sinónimo de “no entanto”, “porém”, “todavia”…
  • MAIS: é um advérbio que é o contrário de “menos”. “O concerto acabou e dissemos: “mais uma! mais uma!”

Acho que este vídeo vai explicar melhor:

Ainda com dúvidas? Façam exercícios aqui

Cidade maravilhosa

Uma vez ouvi que “a cidade é um lugar onde as pessoas ficam sozinhas juntas”. Não sei se concordar com esta visão estereotipada ou não. Aliás, nunca tive claro o que uma cidade é. De facto, não há um padrão mundial que a defina. Esta definição varia de país para país. Tradicionalmente os organismos públicos consideram a existência de uma cidade baseados em critérios quantitativos. Na Dinamarca, por exemplo, bastam 250 habitantes para uma comunidade urbana ser considerada uma cidade, e na Islândia, apenas 300 habitantes. Em Portugal uma cidade só pode ser cidade se tiver mais de oito mil eleitores, num aglomerado populacional urbanizado contínuo. No Brasil, no entanto, a definição legal de cidade, do ponto de vista demográfico, adotada pelo país é a do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Nestes dias entre feriados na Galiza, estar numa cidade é estar num deserto. Habitantes é que faltam. Não pude parar de lembrar uma leitura que fiz: A cidade depois de Pedro Paixão, 13 textos escritos em Nova Iorque depois de 11 de setembro. Um desses romances em que uma cidade é protagonista, como tantas vezes na literatura. Deixo o PDF por se alguém quiser “palmilhar” literariamente Nova Iorque: PedroPaixao-ACidadeDepois

Vamos ver hoje vocabulário da cidade em português do Brasil. Lojas, serviços e instituições públicas:

E durante o nosso percurso urbano, podemos ouvir como o Caetano Veloso canta à “Cidade Maravilhosa”

João Afonso e Fred Martins em digressão


Já começou, não vai ser surpresa para muitos, mas para as pessoas que, como eu, só se apercebem das coisas depois delas terem acontecido, fiquem a saber que ainda vão a tempo de assistir a um dos concertos que o João Afonso e o Fred Martins vão dar pelo país fora. O dia 23 estiveram na Casa das Crechas em Compostela, a quinta dia 2, estão no Ultramarinos, também na capital nacional, o dia 4 no bar Liceum do Porrinho e o 5 de Maio ruma o João Afonso sozinho para o Clavicémbalo, em Lugo.

Datas não faltam, vontade também não, e ainda que nunca fui apreciador de canção de autor, quem gostar, tem aqui uma bela oportunidade com uma das vozes mais importantes de Portugal, João Afonso. Na verdade o seu primeiro e último nomes são João Lima, mas ele nunca quis desertar do nome do meio, o materno, e esconder que é sobrinho do José, o Zeca, um ícone e Portugal e não só. Depois de começar carreira em 1996, não parece que seja preciso ir à sobra de ninguém, nem de ser submetido a injustas e arbitrárias comparações. Com uma sonoridade corajosa, que arrisca misturar clarinete, guitarras eléctricas e cavaquinhos o resultado é uma música própria, do João Afonso. Ainda por cima podemos desfrutar dele a contracenar com o “nosso” Fred Martins, um brasilego que não por ter aparecido muito por este blogue vamos deixar de recomendar.

Falso amigo: roxo

O termo roxo (ou púrpura) atribui-se a um leque de tons entre o vermelho e o azul. De facto, obtém-se misturando estas cores.
Por séculos, a cor roxa era obtida através de algumas espécies de molusco nativas do Mar Mediterrâneo (púrpura haemostoma), o que causou extinção de algumas delas.
Não há consenso em relação aos tons que podem ser considerados roxo. Eu, por acaso, nunca fui muito talentosa com estes nomes e hoje aprendi que uma diferença de sensibilidade ao vermelho e ao azul a nível da retina pode causar também discórdia.
Como sabem, cada cor tem um significado e uma referência simbólica. A cor roxa simboliza a alquimia e a magia. Ela é vista como a cor da energia cósmica e da inspiração espiritual. Por isso é utilizada em muitos ritos religiosos. Também é símbolo de riqueza: na Roma antiga só o imperador tinha o direito de usá-la.

Se ficaram com curiosidade e querem saber mais, podem aprender com Daniele V Silva, uma designer gráfica da cidade de São Paulo. Sempre dará uma visão mais técnica.

E como temos uma fotografia de um repolho roxo, eis uma receita para surpreender. Confira aqui.

E…atenção! Pela primeira vez no Lusopatia: um truque de magia!